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A Sociologia das Histórias em Quadrinhos - Nildo Viana

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Artigo sobre as bases de uma abordagem sociológica dos quadrinhos.
Artigo sobre as bases de uma abordagem sociológica dos quadrinhos.

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1
A Sociologia das Histórias em Quadrinhos
Nildo Viana
*
 As histórias em quadrinhos são objetos de leitura de um amplo público. Das tiras em jornais que marcam sua origem, passando para a conquista do público infantil e juvenil, ashistórias em quadrinhos ampliaram cada vez mais o seu espaço e aumentou sua variedade epúblico, chegando até ao público leitor adulto. Como todo fenômeno social, as histórias emquadrinhos passaram a ser objeto de estudo da sociologia e de outras ciências. A sociologiadas histórias em quadrinhos, considerada uma subdivisão da sociologia da comunicação ouda sociologia da arte (para aqueles que consideram os quadrinhos como sendo arte), é umadas sociologias especiais menos desenvolvidas. Porém, ela já conta com uma produção decerta forma expressiva e, além disso, conta com o apoio de outras ciências e análises, o quelhe possibilita, hoje, se tornar mais consolidada. Desta forma, apresentaremos uma visãopanorâmica da sociologia das histórias em quadrinhos.
A abordagem sociológica das Histórias em Quadrinhos
As HQ são consideradas como tema infantil, juvenil, não muito sério. Sãomenosprezadas por muitos, que as consideram uma espécie de cultura inferior. Seu“público” é considerado a “massa”, que seria amorfa, acrítica, infantil. Sem dúvida, estepreconceito tem razões sociais e também conseqüências sociais. A desvaloração das HQ érealizada a partir de uma visão elitista e racionalista. A sociedade contemporânea édominada pela razão instrumental, uma razão fria que desvaloriza a imaginação, ossentimentos, a fantasia, o inconsciente, pois busca o controle sobre as relações sociais e anatureza e sobre a própria mente humana. Logo, cria uma censura social sobre as formas demanifestações psíquicas não consideradas racionais, o que está de acordo com os interessesdo produtivismo e da produção capitalista. O elitismo é produto de setores maisintelectualizados da sociedade que tomam seus valores e gostos como superiores e osdemais como inferiores e opõe a “alta cultura” e a “baixa cultura”.
*
Professor da UEG; Doutor em Sociologia pela UnB; Autor de “
Os Valores na Sociedade Moderna
(Brasília, Thesaurus, 2007); “
 A Esfera Artística – Marx, Weber, Bourdieu e a Sociologia da Arte
” (PortoAlegre, Zouk, 2007), entre outros livros.
 
2Este é um dos motivos da desvaloração das HQ, inclusive enquanto objeto deestudo. O sociólogo Umberto Eco já afirmava que somente quando o estudo das HQ tivessesuperado o estágio “esotérico” e o público “culto” resolvesse dar-lhes a mesma atenção queoferecer à òpera e outras manifestações culturais “elevadas”, e que seria possível entendersua importância (apud Baron-Carvais, 1989). Ou seja, o ilustre sociólogo italiano, um dosmais renomados pesquisadores da chamada “cultura de massas”, além de reproduzir a visãodicotômica de um público supostamente “culto” e outro, certamente o seu par negativo, opúblico “inculto”, apela para tal setor da população para haver o reconhecimento das HQ.Vários outros pesquisadores das HQ iniciam suas obras (Baron-Carvais, 1989; Marny,1970) justificando ou buscando legitimar seu objeto de estudo. Isto revela o que osociólogo Pierre Bourdieu (2001) denominou “hierarquia social dos objetos de estudo”.Sem dúvida, este é um obstáculo para o desenvolvimento da sociologia das HQ. Apesardisso, alguns sociólogos realizaram estudos sobre os quadrinhos e – somando-se a isso acontribuição de estudos de outras disciplinas – hoje é possível contar com uma certaprodução sobre este fenômeno social.A abordagem sociológica dos quadrinhos vai centrar sua análise em dois aspectosfundamentais: a produção social das HQ e a mensagem que esta apresenta em suasproduções. Há, de forma menos desenvolvida, uma sociologia dos leitores e da recepçãodas HQ. Neste sentido, o interessante é discutir como as Histórias em Quadrinhos sãoconstituídas socialmente, e, posteriormente, quais mensagens (valores, concepções,sentimentos, etc.) elas reproduzem.
A Produção Social das HQ
As HQ tiveram seus primeiros esboços no final do século 19 e início do século 20.Os primeiros personagens que conseguiram maior reconhecimento como
The Yelow Kid, Max and Moritz, Krazy Kat 
, foram as primeiras experiências de uma produção cultural quehoje conta com obras que deixaram de ser apenas infanto-juvenis para atingir também opúblico adulto. No início as HQ eram tiras diárias em jornais, o que hoje ainda persiste emexistir, mas agora de forma marginal, pois o principal veículo de transmissão das HQpassou a ser as Revistas em Quadrinhos, que no Brasil também são chamadas “Gibis”, quesignifica, “moleque”, e foi o nome da primeira Revista em Quadrinhos lançada no Brasil.
 
3As HQ são produtos sociais, constituídos por empresas e criadores que geram, numdeterminado contexto social e histórico, as histórias que são transmitidas via quadrinhos.Os quadrinhos com seus recursos (balão de diálogo, imagens, palavras que expressam sons,etc.) e seqüência expressam uma determinada ficção. Esta ficção é produzida porindivíduos que são seres sociais que realizam um trabalho coletivo (e neste sentido as HQtem certa semelhança com o cinema e se distancia de outras formas de arte cuja produção émais individual), cuja base só pode ser histórica e social. Os primeiros experimentos emquadrinhos foram as tiras cômicas e somente em determinado estágio de seudesenvolvimento que os argumentos se tornaram não apenas cômicos, mas também ligadosà aventura e outros gêneros. É a partir de 1920 que os temas familiares e infantis e osdesenhos caricaturais são substituídos por desenhos mais realistas e o tema da aventuraemerge. O novo gênero produz a renovação dos desenhos. Os desenhos caricaturaiscombinam com a comicidade e com a simplicidade dos temas familiares e infantis, o quenão ocorre no caso do novo gênero, que exige, devido suas características próprias, umdesenho mais realista (Viana, 2005).A hegemonia das tiras cômicas é explicada pelo processo de surgimento das HQcomo tiras diárias em jornais, o que fazia com que elas devessem ser curtas. O gênero daaventura já marca a necessidade de ampliar o espaço para os quadrinhos e isto ocorre nointerior do próprio espaço das tiras em jornais, através das continuações em númerossubseqüentes. O herói precisa cumprir uma missão e apenas três, quatro ou mais quadrosnão são suficientes para apresentar uma história completa. A seriação em vários númerosdos jornais foi a solução que, mais tarde, seria substituído pelas revistas em quadrinhos.Isto vai se efetivar apenas em 1937, que é quando surge um novo gênero, o dasuperaventura, que passa a ter hegemonia, embora os demais gêneros continuem existindo eoutros tenham surgindo.A produção social das HQ está ligada às determinações sociais. A primeira delas éas grandes empresas produtoras. Na época de nascimento, era a competição entre osgrandes jornais para atrair leitores-consumidores que promoveu um arranco para as HQ,posteriormente, os Syndicates
1
, e, por fim, as grandes produtoras, tal como as fábricas de
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Os Syndicates são uma espécie de “agência especializada em fornecer matérias variadas, particularmente deentretenimento” (Furlan, 1985, p. 29).

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