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Curso de Filosofia Do Direito Alexandre Araujo Costa

Curso de Filosofia Do Direito Alexandre Araujo Costa

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 1
Curso de Filosofia do Direito
 Alexandre Araújo Costa
INTRODUÇÃO..................................................................................................................................2
 
1
 
-
 
P
OR QUE ESTUDAR FILOSOFIA DO DIREITO HOJE
?....................................................................................2
 
I - O PROBLEMA MODERNO: LEGITIMIDADE COMO FUNDAMENTAÇÃO..................6
 
1
 
-
 
O
PARADOXO DA VALIDADE
.........................................................................................................................7
 
2
 
-
 
O
RACIONALISMO CARTESIANO
..................................................................................................................11
 
3
 
-
 
O
CONTRATUALISMO COMO FUNDAMENTAÇÃO MODERNA
....................................................................3
 
II - DE VOLTA ÀS ORIGENS: ÉTICA E DIREITO NA FILOSOFIA GREGA.........................6
 
1
 
-
 
 A
FORMAÇÃO DA FILOSOFIA
,
A PARTIR DA MITOLOGIA
...........................................................................7
 
2
 
-
 
E
SCAPANDO DA CAVERNA
...........................................................................................................................11
 
3
 
-
 
D
E
P
LATÃO A
 A
RISTÓTELES
........................................................................................................................12
 
4
 
-
 
 A
ÉTICA GREGA
..............................................................................................................................................17
 
III - ÉTICA E DIREITO FILOSOFIA MODERNA.....................................................................25
 
1
 
-
 
H
UME E A DESCONSTRUÇÃO DO BEM EM SI
..............................................................................................27
 
 
 
 ANT E O RETORNO AO
BEM EM SI 
.............................................................................................................30
 
3
 
-
 
O
SILENCIAMENTO DO NATURALISMO
......................................................................................................35
 
4
 
-
 
O
SURGIMENTO DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA
,
OU O POSITIVISMO POSITIVISTA
...............................38
 
5
 
-
 
D
IREITO E CIÊNCIA
.......................................................................................................................................41
 
6
 
-
 
 A
CRISE DO POSITIVISMO LIBERAL
..............................................................................................................43
 
7
 
-
 
O
RETORNO DA
 JUSTIÇA DISTRIBUTIVA
.....................................................................................................45
 
8
 
-
 
O
 
POSITIVISMO SOCIOLÓGICO
.......................................................................................................................47
 
9
 
-
 
N
 ATURALISMO SOCIOLOGISTA
....................................................................................................................49
 
10
 
-
 
O
GIRO LINGUÍSTICO
..................................................................................................................................51
 
11
 
-
 
O
NEOPOSITIVISMO
.....................................................................................................................................53
 
IV - NOTAS SOBRE A FILOSOFIA DO DIREITO CONTEMPORÂNEA.............................57
 
BIBLIOGRAFIA...............................................................................................................................63
 
 
 2
Introdução1 - Por que estudar filosofia do direito hoje?
“A filosofia só ocupa um lugar importante na cultura quando as coisas parecemestar desmoronando”
1
. Atualmente, essa frase do filósofo americano Richard Rorty é a minha citação preferida sobre o tema.Creio que ele tinha toda a razão, pois a filosofia envolve questionamentos queparecem fora de lugar toda vez que as pessoas estão satisfeitas com sua percepçãodo mundo. Nas épocas de estabilidade, quando não existem muitas dúvidas sobre ocaminho correto a seguir, o filósofo se torna uma figura marginal, como aconteceuem boa parte do século XIX, época em que o
iluminismo
se tornou uma espécie detradição hegemônica. Até hoje vivemos dentro dos quadros desse
 paradigma 
iluminista, que semanifesta como um grande projeto de
modernização
, exigindo a garantia tanto dasliberdades individuais quanto do bem-estar social. Essa é uma utopia bem diferentedas que a precederam, pois o projeto social não envolve mais a manutenção doscostumes tradicionais nem aponta para a recuperação de algo que perdemos nopassado.Para um europeu do século XV, a idade de ouro dos romanos podia soar comouma espécie de paraíso perdido. Mas a utopia que desenvolvemos nos últimos 500anos não foi a de retomar aquilo que um dia fomos, mas a de implantar um novomodelo de sociedade, capaz de concretizar no presente os
direitos naturais 
doshomens.Na utopia moderna, a igualdade, a liberdade e o progresso não são apresentadoscomo simples aspirações políticas, mas como
direitos de cada um dos homens 
. Com isso,o discurso social da modernidade é um discurso jurídico, pautado pela definição decada indivíduo como um
sujeito de direitos 
, e pela elaboração de limites
 jurídicos 
aoexercício do poder político. A linguagem do direito tornou-se tão central que a própria sociedade passou aser apresentada como resultado de um
contrato
. Não somos mais uma comunidadenatural de irmãos ou de fiéis, mas um grupo de indivíduos unidos por meio doestabelecimento de uma
constituição
que regula a organização e o exercício do poderpolítico.O Estado de Direito instituído por essa constituição é uma invenção moderna,calcada sobre a idéia de que não pode haver autoridade acima da própria lei. Nessecontexto, o Direito Público assumiu uma função preponderante, pois é ele queorganiza o
império da lei 
rule of law 
 ), essa marca definidora do modelo de organizaçãosocial do ocidente contemporâneo.No estabelecimento desse modelo (e na crítica ao modelo anterior), uma série defilósofos teve papel fundamental. Hobbes, Descartes, Hume, Rousseau e Kant sãoreferências obrigatórias para a compreensão do projeto social iluminista. Porém,uma vez que iluminismo alcançou hegemonia, os filósofos perderam seu espaço,pois esse novo tempo era daqueles capazes de
concretizar 
o projeto, e não de
criticá-lo
.
1
RORTY, Grandiosidade universalista, profundidade romântica, finitude humanista. p. 247.
 
 3
 A reflexão crítica insufla revoluções, mas atrapalha a construção lenta epaulatina do novo regime, colocando dúvidas sobre as novas certezas, dificultandoos processos de catequização por meio dos quais as novas verdades são cristalizadasno senso comum. A filosofia viva e pulsante costuma estar na contramão das tradições, e desdeSócrates sabemos que um dos papéis típicos do filósofo é o de realizar a crítica dospoderes e dos saberes instituídos. O filósofo sempre exige uma justificativa quelegitime o exercício do poder, mas as autoridades tradicionalmente não se vêem nodever de realizar uma justificativa filosófica explícita, exceto nos momentos de crise.Nas épocas em que existe uma tradição claramente hegemônica, é percebidacomo natural a autoridade reconhecida pela tradição (que pode se dos deuses, dosreis, dos pais, dos homens, do povo). Essa
naturalização
torna dispensável umajustificação filosófica explícita, pois ninguém se sente no dever de provar o que épor si evidente. Quando as crises colocam em xeque a eficácia desses processos denaturalização, cresce a importância dos filósofos e de suas variadas estratégiasargumentativas de legitimação, que permitem ancorar o poder em outros pontos.Porém, uma vez que a locomotiva iluminista do progresso foi colocada emmovimento, que restava a nós exceto implantar no mundo as utopias damodernidade? A necessidade de garantir a liberdade, a igualdade e odesenvolvimento econômico são objetivos tão óbvios que dispensam qualquerjustificação filosófica. A
cientifização dos saberes 
, a
codificação
e a
constitucionalização dos direitos 
, a
democratização da política 
e a
liberalização da economia 
eram os caminhosevidentes a seguir. Já não mais era preciso discutir
o que fazer 
, mas apenas
como fazer 
. Nesseambiente, o século XIX assistiu a uma espécie de
rarefação
filosófica dos discursossociais em geral, e do discurso jurídico em particular. Desde então, a filosofia perdeuespaço na formação dos juristas, que passou a ser dominada por duas ordens dediscurso que são normalmente qualificadas como
 positivistas 
, mas que não devem serconfundidas.De um lado, houve um
 positivismo cientificista 
, caracterizado pela tentativa desuperar o discurso filosófico dos direitos naturais por meio de um discurso dematriz científica. Aliás, como veremos adiante, houve vários positivismoscientificistas, ligados às diversas concepções de ciência que existiam no início doséculo XX, entre os quais cabe destacar o positivismo sociológico e o positivismoformalista.Porém, as concepções ligadas a um
positivismo científico
nunca conseguiram tergrande penetração no discurso jurídico, que continuou sendo dominado por umaperspectiva que sacraliza a lei e encara o direito como um conjunto de normas aserem aplicadas. Esse enfoque dogmático reduz o direito a um
saber 
 
técnico
, voltado acapacitar os estudantes a manejar os instrumentos judiciais disponíveis. E essetecnicismo, que também é chamado de
 positivismo
, é que está na base do sensocomum dos juristas.Esse
senso comum 
é o horizonte a partir do qual os juristas compreendem o seucampo de conhecimento e a sua atividade. Trata-se de uma concepçãofilosoficamente rarefeita, inconsciente dos seus pontos de partida, das suasincongruências e dos seus limites. É claro que ele está permeado por uma filosofia
implícita 
, que organiza os conceitos e dá sentido ao conjunto. Porém, esses conceitos

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