Colectânea de textos sobre “Como construir um modelo alternativo de avaliaçãode desempenho”? Intervenções no Debate sobre Modelo de Avaliação deDesempenho ocorrido, no ProfAvaliação, no dia 25 de Outubro de 2009.
Ramiro Marques dixit:
1. Tudo leva a crer que José Sócrates aposta numa governação pisca-pisca.
Emmatérias de costumes, alia-se á esquerda, em matérias mais substantivas - economia,educação e justiça - alia-se à direita. Enquanto o PSD não resolver o problema daliderança, os acordos pontuais com o grupo parlamentar do CDS são mais prováveis e oministro dos assuntos parlamentares, Jorge Lacão, e o líder parlamentar do PS,Francisco Assis, são as pessoas indicadas para estabelecerem os consensos necessários para uma governação à vista.
2. José Sócrates sabe que a única maneira de evitar a aprovação das iniciativaslegislativas do PCP, BE e Verdes para a suspensão da avaliação de desempenho
éuma aliança conjuntural com o CDS em torno do projecto de lei de avaliação dedesempenho que o partido de Paulo Portas apresentou na legislatura anterior e que foichumbado por apenas um voto. Relembro que esse projecto de lei contou com os votosfavoráveis de todos os partidos da oposição e mais uns tantos votos de deputados do PS.
3. Ao aprovar o projecto de lei do CDS
- que substitui o modelo de avaliação dedesempenho imposto pelosdecretos regulamentares 2/2008, 1-A/2009 e 14/2009, por um modelo simplificado e não burocrático inspirado em algumas práticas de avaliaçãode desempenho em uso nas escolas privadas. Ao viabilizar a aprovação do projecto delei do CDS, José Sócrates e os media que o apoiam - DN, JN, TSF, RTP e Expresso - poderão dizer: "viabilizámos o projecto do CDS porque apresenta uma alternativa viávelao actual modelo de ADD, enquanto as propostas do PCP e do BE apenas se limitam asuspender a ADD".
4. Preparem-se, portanto, para apanhar com o modelo de ADD inspirado nasescolas privadas.
E em que consiste esse modelo? Quem avalia os docentes é odirector, coadjuvado pelos adjuntos ou assessores, e os parâmetros a ter em conta sãomeramente administrativos: assiduidade, cumprimento do serviço distribuído, participação na vida escola e acções de formação contínua realizadas. Este modelo não éisento de carga burocrática só que essa carga cai sobre o director, adjuntos e assessorese não sobre os professores. E está longe de ser justa e objectiva.
5. A única forma de introduzir alguma objectividade e justiça ao modelo de ADDé:
acolher alguma forma de intervenção externa (docentes do nível de ensino e dosgrupos de recrutamento dos avaliados seleccionados por concurso público) e centrar os procedimentos na componente científica e pedagógica. Um modelo destes só éexequível caso se alarguem os ciclos de avaliação: dos dois anos actuais deve passar para os 4 ou os 5 anos. A questão da utilidade das menções de mérito daria outro post.Tenho dúvidas sobre as vantagens das menções de mérito. Com as menções de mérito,associadas às quotas, jamais será possível criar um modelo justo e imparcial. Asdesvantagens são óbvias: mal-estar nas escolas, guerras intestinas e excesso decompetição entre os docentes. Ninguém duvida que o excesso de competição é umobstáculo ao trabalho colaborativo1
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