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A mulher em tempos de crises

A mulher em tempos de crises

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Capítulo de livro no prelo
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Capítulo 5 – Mulher em tempos de crise
Selene Herculano
selene@vm.uff.brwww.professores.uff.br/seleneherculanoDo livro As Ciências Sociais e as crisesNiterói: EDUFF, prelo
Este capítulo trata do discurso das ciências sociais sobre a mulher e seutrabalho e faz resenha de uma reflexão já histórica sobre o trabalho da mulherem tempos de crise econômica
1
. Os textos resenhados
2
não são recentes, massão emblemáticos e pertinentes, pois sua temática continua atual, em ummomento em que vivenciamos desemprego estrutural,flexibilização/desregulamentação do trabalho, expansão da economia informal,enfim, um conjunto novo de características do trabalho atual em geral, masque sempre foram atribuídas às formas de inserção da mulher no mundo dotrabalho. Ao trabalho da mulher estiveram associadas até agora, início doséculo XXI, as características de intermitência, baixos ganhos, informalidade,subalternidade, desprestígio. A experiência da atualidade nos faz pensar que écomo se o mundo do trabalho hoje estivesse, neste sentido, se feminilizando,com os homens, em diferentes segmentos sociais, também crescentementepassando a vivenciar o trabalho da mesma forma que as mulheres até então ovivenciavam: intermitente, informal, de baixos ganhos, etc.
O discurso das Ciências Sociais sobre a mulher
1
As crises focalizadas pela literatura resenhada são as dos anos 30 e 70 nos EEUU e no iníciodos anos 80 no Brasil.
2
Na primeira parte, faço uma breve resenha e avaliação crítica dos estudos sobre a condiçãofeminina realizados no Brasil e que foram apresentados entre 1979-1989 pelo Grupo Mulher eForça de Trabalho, da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisas em CiênciasSociais). A fonte de referência é um inventário realizado por Neuma Aguiar e Selene Herculano,intitulado "Os 10 anos de produção do Grupo A Mulher na Força de Trabalho", apresentado na XReunião daquele GT, em setembro de 1988, no Rio de Janeiro.
 
No Brasil, os estudos sobre o trabalho da mulher se intensificaram apartir de 1978, com o objetivo inicial de um reforço argumentativo, visandodemonstrar, com base em dados estatísticos e utilizando o conceito marxistade modo de produção (Aguiar), que a mulher vinha participando de formacrescente da construção social das riquezas nacionais e o quanto, apesar disso,continuava a ser discriminada. Criticava-se a metodologia do IBGE, que nãoapenas não desagregava a variável sexo em vários ítens importantes, comotambém deixava de pesquisar o setor informal e invisível da economia, onde asmulheres predominavam.O GT Mulher e Força de Trabalho concentrou-se nas seguintes questões:a sexualização das ocupações (Bruschini, Saffioti, Saffioti & Ferrante) e asdiferenças salariais por sexo (Barrera); a relação entre trabalho feminino epobreza (Barroso, Gonzales, Rodrigues, Neto, Safa); o espaço de produçãodoméstico (Scott; Morais; Bruschini & Barroso; Aguiar, Neto, Abreu, Saffioti &Ferrante, Motta & Farias); o emprego doméstico (Farias); as discriminaçõesintra-empresas, nas políticas estatais e nos órgãos públicos (Acero, Bastos,Herculano, Pena, Neto, Caulliraux e Pena); os estudos de orçamento de tempo(Farias; Figueiredo; Neto & Motta) para inventariar o trabalho doméstico;estudos sobre a questão ideológica [a propaganda institucional do governoMédici, que ocultava a mulher trabalhadora (Aguiar); as limitações do discursoideológico sobre a mulher trabalhadora nos sindicatos (Lobo e Riggs); o mito deAdão e Eva sustentando a dominação machista (Rodrigues)]; a economiainformal (Accioly Carvalho e Barbosa); a autoavaliação crítica sobre o discursometodológico das ciências sociais acerca da condição social feminina Saffioti,Beoku-Betts, Garcia ); o trabalho feminino em tempo de crise (Aguiar & Morais;Barbieri & Oliveira; Spindel; Lavinas; Ricci); novos arranjos familiares emtempos críticos (Oliveira; Ricci); a construção da subjetividade (Telles; Lisboa;Vasconcellos); a crise da identidade sexual contemporânea (Telles).Ainda à guisa de introdução ao tema, lembremo-nos como a temáticafeminina e feminista surgiu historicamente. Como já é sabido, as críticas e arevolta contra a subalternidade feminina não são um fenômeno recente:Olympe de Gouges, nos tempos da Revolução Francesa, denunciava aparcialidade dos revolucionários de então, que buscavam "liberdade, igualdade
 
e fraternidade", segundo ela, apenas para metade da população francesa, istoé, para os homens
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.No culo XIX, diferentes movimentos sociais ocorreram: o dassufragettes, em defesa do voto feminino; das operárias de Nova Yorque, empasseatas pela redução da sua jornada de trabalho, que tinha 12 horas, etc. Aatuação política de Rosa Luxemburgo, Alessandra Kollontai, Clara Zerkin,durante a emergência do Socialismo - demonstra-nos que a luta das mulherespela liberdade, emancipação e integração à sociedade política não é ummodismo recente, nem muito menos uma trivialidade, pois os movimentos demulheres, na sua ampla maioria, sempre estiveram inseridos na busca de umasociedade mais igualitária, justa e feliz.No espaço acadêmico, podemos datar no após Segunda Guerra Mundial,a partir dos anos 50, o surgimento de um discurso científico feminino contra aestigmatização e a discriminação que recaíam sobre a figura da mulher. Sãodesta fase obras como "O Segundo Sexo", da filósofa francesa Simone deBeauvoir", e "Macho e Fêmea", da antropóloga Margaret Mead. Os dois livroscriticam a falácia de um pensamento científico que decretava a inferioridadefeminina como algo da natureza, biológica e fisiológicamente determinado e,portanto, um fato universal e perene. Beauvoir e Mead mostraram oscondicionantes históricos e cio-culturais que levaram a mulher àcontingência da subalternidade: "
o se nasce mulher, torna-se mulher 
",declarou Simone de Beauvoir numa célebre frase; Mead, em suas observaçõesetnográficas, mostrou-nos grupos culturais nos quais as mulheresexperimentavam proeminência e liberdade e onde a definição dos papéissociais com base no sexo, assim como o entendimento do que viria a serfeminilidade e masculinidade, eram inteiramente diferentes do padrão cultural"civilizado" que o mundo ocidental, em seu etnocentrismo, pressupunhauniversal. Dizia a autora que muitos dos atributos que imputamos à naturezados sexos, "têm tão pouco a ver com o sexo como as roupas, as maneiras e ospenteados de uma sociedade em determinado período"
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.Em 1963, Betty Friedan lançou nos Estados Unidos o best seller "AMística Feminina", no qual historiava como as autoridades, a imprensa e a
3
Citada por Pitanguy e Alves, em O Que é o Feminismo. Ed. Brasiliense, SP, p.33)
4
Citada por Friedan, 1971: 120.

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