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noticiasmagazine
25.OUT.2009
que estava interessada em contratar ho-mens, e resolvi experimentar. Queriam ra-pazes para todos os pontos do país, e eu pen-sei que aquilo era talvez uma maneira de juntar o útil ao agradável.Quem me entrevistou simpatizou bastan-te comigo e disse-me que eu tinha uma ca-racterística muito interessante, que é a depassar despercebido. Disse-me que tinhammuitos candidatos brasileiros, mas que doque precisavam era de pessoas com algumnível, com alguma educação, que soubessemfalar línguas (por causa da clientela estran-geira), e, inesperadamente, fui admitido. Ainda argumentei que achava que não tinha experiência, mas disseram-me que isso tam-bém abonava a meu favor, porque não que-riam pessoas com vícios.
Dissimulação e simulação
Dei-me depois conta de que atender senho-ras era um serviço que aparecia pouco, e queo que havia mais era a troca de casais. Houveuma altura, de grande crise, em que houveuma proliferação deste tipo de negócio, abri-ram-se apartamentos por todo o lado. Quemestava nalguns casos à frente desses negócioseram pessoas cuja única coisa que tinhamera algum dinheiro disponível, mas que de-pois tinham dificuldade em gerir a ilegalida-de, e até o sucesso. Percebi também quequem fosse heterossexual não tinha grandeshipóteses, teria um ou dois serviços, no má-ximo, por mês. E acabei por desistir. Mais tar-de entrei noutra agência e confirmei que omercado estava bom apenas para o
swing
, na-quela versão para voyeurista, em que um ca-sal paga para ver outro a ter sexo. Qual era o meu papel? Eu simulava ser o marido ou onamorado de uma outra colaboradora da agência. Mas eu não gostava muito desse ser-viço, porque havia ali uma exposição minha muito grande. Nunca se sabe quem vai apa-recer, podia ser alguém que eu conhecessepessoalmente. E desisti uma vez mais.
Abordagens
Uns tempos depois, em conversa com umamigo meu, apercebi-me de que a internetera onde eu tinha de estar. Ele tinha-se divor-ciado e tinha arranjado uma nova pessoa muito rapidamente. Contou-me que tinha criado um perfil num
site
de encontros e ex-plicou-me que, desde que uma pessoa nãodissesse directamente que estava à procura de sexo, a coisa até tinha algum sucesso. Eleestava aliás a juntar-se nessa altura com uma dessas pessoas que tinha conhecido na net.E eu pensei que aquilo era uma hipótese deeu conseguir superar a minha dificuldade emseleccionar as pessoas. Eu já tinha percebidoqual era o
modus operandi
da coisa, pela expe-riência das agências. Tinha aprendido as re-gras para ir a casa de uma pessoa ou a um ho-tel. Porque as pessoas ficam um pouco reni-tentes quando nós vamos pela primeira vez a casa delas, embora acabemos por estar nomesmo barco: nós também não sabemosquem vamos encontrar.
Especificidades do negócio I
Fiz muitas vezes serviços de motorista, le-vava pessoas a casa de outras, ou a hotéis, nomeu carro, esperava por elas, trazia-as devolta. Esses serviços são muitas vezes feitospelos táxis, mas fica extremamente caro,porque o táxi tem um preço fixo, o taxista não fica à espera de ninguém, ou se o fizer écom o taxímetro ligado. Outra coisa queacontece por vezes é ser uma brincadeira – claro que há formas de minorar isso, pe-dindo um número de telefone fixo ou confir-mando com a portaria de um hotel. Outra questão é a dos serviços ao fim-de-semana,porque há pouco quem queira trabalhar aosfins-de-semana, a não ser quem está porconta própria, e não se importa de ir jantarfora, ir ao cinema, passar a noite. Daí que ospreços dos fins-de-semana sejam muitíssi-mo elevados nas agências, porque é precisopagar a disponibilidade de várias pessoas.
Especificidades do negócio II
Faço isto há três anos, embora tenha começa-do nas agências dois anos antes disso. A mi-nha ideia é não ter demasiada clientela. É ochamado «pouco mas bom». Pessoas que se- jam regulares, e que também não queiram ex-posição. Sim, conheço outros homens que fa-zem isto. Mas com esta mesma configuraçãoconheço apenas um tipo que está em Espa-nha, ao que sei a ter bastante sucesso, e tem in-clusivamente já rapazes a trabalhar para ele,isto sempre no campo heterossexual. Eu, porregra, não saio com mais do que uma pessoa por dia, se possível espaçando ainda mais,com um intervalo de um dia. Não tomo bebi-das alcoólicas. Gosto de beber um copo de vi-nho ao jantar, mas tudo com moderação. Setiver um serviço num sábado, se for sair à noi-te na sexta não tomo
whiskies,
como é eviden-te. Sim, mantenho uma boa higiene de vida.Os preços? As massagens custam 75 euros,acrescidas do preço da minha deslocação.O serviço inteiro custa trezentos euros/dia.Pode incluir um jantar. As despesas não estãoincluídas, o hotel, o carro alugado, é pago pe-la cliente. Há quem tenha carro próprio, com-binamos perto de uma estação de metro e va-mos jantar a qualquer lado, ou então vamosdirectamente para um hotel, ou então para casa da pessoa.
Especificidades do negócio III
Os serviços mais sensíveis são aqueles comcasadas em processo de divórcio, que não po-dem deixar qualquer tipo de pistas, e por is-so elas nunca me telefonam de um aparelhoque possa produzir um registo, no próprio te-lefone ou numa factura. Quanto a mim, ligosempre de um número anónimo, para quemquer que seja, porque é a única forma de nãodeixar rasto. Algumas ligam-me do empregoou de uma cabina. Há depois quem tenha te-lefones às escondidas do marido, só para es-tas situações. Em geral combinamos numparque de estacionamento público. Eu voubuscar um carro de aluguer, tenho a sorte deter uma relação de confiança com uma em-presa alugadora, não tendo por isso de dei-xar depósito ou sequer apresentar um cartãode crédito. Sim, é um negócio em que não há papéis nenhuns. Isto não é uma profissãomencionada nas Finanças. Não é ilegal – masse eu estivesse numa agência já era, porquese chamaria proxenetismo.Um homem que pense em meter-se nistopense bem, porque não se consegue uma car-teira de clientes de um dia para o outro. É de-morado, sim, é merecido. É um0 trabalho
Serviços
«Os mais sensíveissão aqueles comcasadas emprocesso de divórcioque não podemdeixar pistas.Masneste negócio nãohá papéis nenhuns.»
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