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1. INTRODUÇÃO
A vontade de tornar-me uma professora surgiu quando eu ainda cursava a quartasérie do Ensino Fundamental. Apaixonei-me pela profissão e não importava qual aespecialidade, o que eu queria era ser professora. Essa paixão seguiu-me até aoitava série, e terminou com o fim do Curso Normal gratuito oferecido pelo Estado.Com muita dificuldade, conseguir terminar o ensino básico e comecei a trabalharcomo doméstica e pelo fato do trabalho ser pesado não consegui continuarestudando.O que antes era paixão de criança transformou-se em amor de adolescente, aquele
amor que ‘’arde sem doer’’,
então voltei a estudar e conclui o Ensino Médio. Mas adificuldade financeira levou-me novamente a trabalhar, porém desta vez não pareios estudos e meu amor agora tinha rosto. Eu queria ser professora de matemática.Para satisfazer esse amor tentei por três vezes o vestibular e fracassei.No ano de 2005 me inscrevi no programa Nossa Bolsa no qual poderia
‘’
escolher
’’
 até cinco cursos. Na hora da escolha não tive nenhuma dúvida, optei pelasfaculdades que ofereciam bolsas integrais e pelo curso de matemática em quatrodelas, e em uma que ofer
ecia o curso de letras. Por incrível que pareça ‘’ganhei’’ a
bolsa no curso de letras.A felicidade de fazer uma faculdade deixou-me eufórica e sem raciocínio. No ato damatricula fui avisada que a faculdade oferecia o curso de letras-português/inglês. Euachava que iria cursar somente português, então prossegui, afinal de contas, como
diz o velho ditado ‘’
a cavalo dado não se olha os dentes.
’’
 Hoje 2009, terminando o curso,melhor dizendo,terminando a validade da bolsa,porque eu reprovei em inglês no terceiro, quinto e sexto período, portanto não meformarei agora e não tenho perspectivas de quando irei terminar. Vivo angustiadaquanto ao meu futuro acadêmico e feliz por ter aprendido a amar o curso de letras.Sinto um amor maduro e consciente pelo curso de letras, porque eu cresci comopessoa e como profissional da educação. Antes eu achava que bastava amar aprofissão para ser um bom professor. Agora sei que só o amor não é o bastante, é
 
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preciso também capacitação, e principalmente compreensão desse universo tãocomplexo que é a educação.Grande parte da compreensão desse universo conseguiremos por meio do estágio econfecção do portfólio, porque são ferramentas pedagógicas com uma metodologiadiferenciada e diversificada que coincidem nos pontos de monitoração do processoeducativo, possibilitando a compreensão da complexidade e evolução do saberpessoal, além de valorizarem a reflexão sobre o processo de aprendizagem.
 
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2. PERSPECTIVAS TÉORICAS
 
Segundo a educadora argentina Delia Lerner, o conhecimento acumulado desde os1970 permite ao professor reformular conceitos e práticas para formar leitores eescritores de verdade.Então me vêm à memória as décadas 1980 e 1990. Foi nesse tempo que eu aprendia ler e a escrever, fazendo cópias exaustivas da cartilha e repetições orais.Lembro-me ainda das séries iniciais mais exatamente da segunda e quarta séries,em que tínhamos uma única professora para todas as disciplinas com exceção deEducação Física, não havia livros e todos os conteúdos eram passados na lousa.Os exercícios consistiam em perguntas e respostas fechadas que eram corrigidaspela professora e na revisão para a prova continham as mesmas perguntas econseqüentemente lá estavam no exame.A situação muda um pouco quando cheguei à quinta série. Agora havia umprofessor para cada disciplina e as adoções de livros didáticos, pelo menos dematemática e de português, fornecidos pelo governo e com um pequeno detalhe,não podiam ser levados para casa.Fazendo uma comparação com a escola de ontem com a de hoje vê-se queocorreram alterações no modo de ensinar a leitura e a escrita, e também mudaramas concepções do ensino de língua e de alfabetização e no modo de abordar essesconteúdos.Todavia a especialista faz algumas observações das quais a que chama a atenção éde deixarmos totalmente a cargo da escola o ensino da leitura e escrita, uma vezque isso deve começar em casa. E crianças cujos pais lêem histórias para elas ouque presenciam comentários sobre notícias de jornal estão aprendendo muito sobrelinguagem escrita.E essas observações da autora me fazem recordar das histórias que ouvia minhamãe contar sobre Maria e João, O menino do galo, A terra sem gato, A gataborralheira e tantas outras que embalavam a minha imaginação e fazia crescer emmim a vontade de aprender a ler.
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