• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
Download
 
QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
1
a
Quinzena de Novembro de 2009Ano XXX - No. 1074 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual
 
 A magia de Fátima em Thornton
www.portuguesetribune.com www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net
 
2
1 de Novembro de 2009
SEGUNDA PÁGINA
Year XXX, Number 1074, Nov 1, 2009
 Um atentado à imaginação
EDITORIAL
M
uito tem sido dito e es-crito sobre as diferen-ças das gerações – des-de os ‘Baby Boomers’(nascidos após a Segunda GuerraMundial até aos inícios dos anos60), a Geração X (1960s a 1980s) e aGeração Y ou Milénio (após 1980s).Acontece que embora hajam dife-
renças signicativas entre elas, há
também semelhanças. Na maneirade abordar a leitura, as diferençassão óbvias. Os ‘Boomers’ gostam do papel (até imprimem as mensagensde correio electrónico) enquanto osX sobrevivem em email mas os Y
 já o ultrapassaram; é tudo instânta
-neo para eles – SMS, chat, Twitter,
Facebook – e procuram graticaçãorápida ou instantanea. Uma das se
-melhanças é a habilidade de usar tecnologia e procurar a informaçãoa qualquer hora.E que têm estas diferenças e seme-lhanças a ver com a comunicação
social? TUDO! Os jornais, a rádio
e a TV ainda não perceberam isso.
Usam o mesmo modelo de há 50 ou
mesmo 100 anos em que o/a leitor/avinha à sua procura porque eram asúnicas alternativas. E acham que es- peram sentadinhos na sala para co-meçar o seu programa? À excepçãodos programas ao vivo – os jogosdo nosso clube de peito ou da nossaSelecção – mas de resto essa paciên-
cia de esperar no sofá vai acabando.
Hoje em dia temos mais opções quenunca. Quantas vezes passamos pe-
los 500 canais de TV que subscreve
-mos na parabólica ou TV cabo e nãoencontramos nada para ver e dirigi-
mo-nos ao nosso portátil e passamoshoras na Net? E a rádio? Ouvimos
alguma, no carro, se não tivermos oiPod ligado porque em casa a iTunes
 já controla o nosso computador e a
TV. E os jornais? Quando as notí-
cias chegam ao papel já andaram naInternet há horas e dias. E faz mal
ao ambiente deitar tanto papel fora(mesmo que uma percentagem sejareciclada).Quando a revista Time escolheucomo Pessoa do Ano – Você – em
2006, já antevia este percurso. Por 
-que a pessoa mais importante é mes-mo você, não o director de informa-ção ou programação de uma estação
de TV, de rádio ou de um jornal.
Você mesmo é que sabe que conte-údo gosta e prefere e quando o quever ou ouvir. São estas as gerações‘on-demand’.Se esta notícia abaixo descrita enviada pelo Governo Re-gional dos Açores tivesse sido recebida no dia 1 de Abril,não haja dúvida que seria uma boa anedota e nós até nossentíriamos invejosos de não a ter inventado. A realidadeé que esta notícia é verdadeira. Esta é uma das tais notíciasque são um atentado à pobreza dos Açores, onde aindaexistem 23 mil pessoas (famílias) a receber o subsídio de pobreza, que até tem um nome muito airoso.Sejamos justos. Os Açores estão lindos, os Açores evo-luíram imenso em muitos e diversos aspectos, mas aindaexistem bolsas enormes de pobreza e necessidades de ou-tro género, caso ainda haja dinheiro da Europa para gastar.
Será que não há crise nas Ilhas? Onde está o bom senso!
Estragar ainda mais a bonita Baía de Angra, quando a
Praia possui uma doca atlântica, e que continua quase to
-
dos os dias vazia e que está à distância de 20 quilómetros,
não faz nenhum sentido. Esperemos que o povo de Angranão aceite tal esmola envenenada, como fez as Velas.“O presidente do Governo dos Açores disse que a decisãosobre a construção do cais de cruzeiros de Angra do Hero-
ísmo está tomada e anunciada há já algum tempo, pelo que
estranha o teor de notícias vindas a público recentemente.
“Não há qualquer dúvida sobre essa matéria, nem há qual
-
quer fundamento num orçamento de 40 milhões, como já
ouvi falar”, acrescentou Carlos César, para logo sublinhar que os estudos encomendados foram-no, exclusivamente,na perspectiva de o cais de cruzeiros ser construído na baía de Angra do Heroísmo, conforme, de resto, promessaeleitoral do partido que suporta o Governo.
Garantindo que não haverá qualquer alteração da decisão,especicou que “a nossa opção é feita pelo ajustamento de
um cais de cruzeiros à baía de Angra do Heroísmo, sobre-tudo na perspectiva da sua comunicação e proximidade
com a malha urbana, como, aliás, tem sido característica
das infra-estruturas deste tipo que construímos nos Aço-
res, já no caso de Ponta Delgada, e que estamos, neste mo
-mento, a construir, no caso da Horta.”jose avila
 A Geração “On-Demand” 
Ideiax
Miguel Valle Ávila
miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com
 
3
COLABORAÇÃO
Na companhia das pedras
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
E
mbora ligeiramente, tencionodiscorrer àcerca da presença da pedra nas nossas ilhas, revelan-do-se-nos através de expressões populares, desabrochando em resquíciossupersticiosos e aspectos toponímicos e,cativando-nos com amostras dispersas no
adagiário e do cancioneiro. P’rà consecu
-ção deste objectivo vou recorrer, particu-larmente, aos ensinamentos do saudoso“Mestre” Carreiro da Costa (Etnologia dos
Açores, Volume I, páginas 64-70, Edição
1989), a que ajuntarei elementos da minhalavra.Visto que a aparência da pedra é geral-mente disforme e dura, deu azo ao uso dasexpressões pedra dum corisco, pedra delume, dum fogo e dum raio. As pedras nos bofes assinalam tormento mral, enquanto pedras no fígado, nos rins e na bexiga in-dicam enfermidade física. Com pedras namão denota atitude agressiva, mau modo,
falta de respeito e de compreensão. Dar 
 por paus e por pedras é zangar-se descon-
troladamente. De fazer chorar as pedras
aplica-se a uma cena muito comovente.Estar com a pedra no sapato é andar des-
conado.
Atirar a pedra e esconder a mão evidenciadissimular um mal que se frez.Expressões, igualmente curiosas, temo-lasem dormir como uma pedra e cair como pedras num poço, ser surdo ou mudo comouma pedra, e ter um coração de pedra. Le-vantar as pedras da calçada é fazer qual-quer coisa fora do comum.
Estar a pedra e cal signica mostrar-seinquebrável. Andar na pedra-mestra é en
-contrar-se bem posto na vida.Antes do advento dos modernos electro-domésticos, foi e era tida como sagrada a pedra do lar sobre a qual se acendia o lume p’ra aquecer e proteger a casa e p’ra cozer os alimentos. Com sentido religioso mere-ce referência a chamada pedra de ara, ouseja, a pedra benzida e colocada no altar  p’rà celebração da missa. A este respeito,
e em associação com práticas supersticio
-sas, Carreiro da Costa subscreveu:
“O menino que tocar a pedra de ara terá,
 pela vida fora, virtudes especiais, ao passo
que a mulher que a tocar cará p’ra sempreestéril. Nas Constituições dos Bispados há
referências e bruxarias em que entrava a pedra de ara”.A tradição conhecida pelo nome de Fiéis
de Deus evoluiu da prática antiga em fazer 
montículos de pedras junto a determina-das cruzes, como prova de oração pelos
mortos. Figurativamente a pedra está li
-gada a diversas invocações marianas, taiscomo Senhora do Pilar, da Penha, da Lapa,de Monserrate, etc., não esquecendo o Se-nhor Bom Jesus da Pedra, que a gente dasilhas venera com muita devoção.Em S. Miguel, p’ràs bandas do Nordeste,avista-se a freguesia da Pedreira, e aden-tro do concelho ribeiragrandense abraça-nos a freguesia do Pico da Pedra. À esperada nossa visita encontram-se as Pedras doGalego numa das encostas do Vale dasFurnas, e a Rua dasPedras na Matriz daRibeira Grande. NaTerceira, além da Ruadas Pedras na fregue-sia do Cabo da Praia,situam-se a freguesiae o aeroporto das La- jes, bem como a Ri- beira dos Pães, cujonome, aparentemen-
te, provém de várias
 pedras ali espalhadasque, de longe, asse-melham-se a pães.A Graciosa mira-seno lugar das PedrasBrancas, enquanto S. Jorge adorna-se comPedras Brancas, Pedras Ruivas e uma Pe-dreira. No Pico, a Vila das Lajes orgulha-se emter sido a primeira povoação da ilha, a pri-meira paróquia e o primeiro concelho. NasFlores salientam-se a Vila das Lajes e afreguesia Fazenda das Lajes. No Corvo al- berga-se a Ponta do Marco, nome dum pe-nhasco em forma de cavaleiro, e em SantaMaria aguarda-nos a Lagem do Barbeiro,um dos pesqueiros registados por Gaspar Frutuoso nas Saudades da Terra. (LivroIII, pg. 32, ed. 1998). No que diz respeito à Ladeira da Velha,em S. Miguel, Frutuoso limitou-se a trans-crever as informações que, ao tempo, lheforam fornecidas: “Segundo alguns, foiassim chamada porque é tão compridaeíngreme que, se alguma velha a subia oudescia, fazia muitos pousos. Mas outros
armam ter este nome porque, no tempo
antigo, ali morou uma velha viúva, a qual
vendeu depois aquela fazenda, cando
a velha o nome dela sem a propriedade”.
(Saudades, Livro IV, pg. 185, ed. 1998).
 No entanto, anuindo ao que eu aprendiquando era miúdo, Carreiro da Costa ob-servou: “O povo pretende explicar o casoda Ladeira da Velha como tendo a sua ori-gem no facto duma velha, que ali morava,haver morto alguns soldados com o auxí-
lio de pedras, que zera rolar por aquela
ladeira, no momento em que eles avança-vam”. Na próxima crónica apresentarei o caso dofrade e o caldo de pedra, de parceria com
uma colectânea de provérbios e cantigas.Até lá:
Esta rua tem pedrinhas,
Esta rua pedras tem;Das pedras não quero nada,
Mas da rua quero alguém.Meu amor, se tu te fores,Como dizem que te vais,
Deixa-me teu nome escrito
 Numa pedrinha do cais.
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...