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 GERENCIAMENTO E APURAÇÃO DE CUSTOS DE PROJETOS DE SUBESTAÇÕES
Autor: Murilo Magalhães NogueiraEmpresa: LIGHT Serviços de Eletricidade S.A.DADOS DA EMPRESA
Light Serviços de Eletricidade S.A.DPSE.T - Divisão de Projetos de SubestaçõesAvenida Marechal Floriano, 168 sala 514Telefones : 211-7676 211-7302Fax : 211-4768
RESUMO
Este trabalho pretende descrever o sistema degerenciamento e apuração de custos de projetosimplantado na Divisão de Projetos de Subestaçõesda Light. O sistema foi desenvolvido internamentecom o objetivo de servir de ferramenta de apoiogerencial. Neste trabalho defende-se a idéia, queserviu de base à construção do sistema, de que épossível implantar um controle simples e rápido,porém eficiente e detalhado, das atividades de umsetor de projetos. Apoiado no conceito de que umadivisão da empresa pode ser analisada como umaunidade produtiva independente, o sistema permiteacompanhar cada serviço realizado na Divisão deProjetos de Subestações, inclusive acumulando oscustos de execução, dando à gerência localinformações objetivas para a tomada de decisões.O trabalho apresenta uma introdução onde sãoabordados os principais aspectos que determinaramo desenvolvimento do sistema. Um histórico daimplantação é então apresentado. Segue-se umadescrição do sistema e dos módulos que o compõem,com ênfase sobre a apuração de custos. Aexperiência na utilização do sistema, os problemase dificuldades encontrados são alvo de um capítuloespecífico. Por fim, são apresentadas conclusões esugestões.
1.0 - INTRODUÇÃO
A partir do final da década de 80 a Lightexperimentou sucessivas mudanças organizacionais,obedecendo critérios de enxugamento esimplificação da estrutura. Essas mudanças, além daóbvia busca pela contenção de despesas, visavamconferir maior agilidade à companhia, reduzindo adistância vertical entre os níveis hierárquicos, ostrâmites burocráticos e o tempo na comunicaçãointerna.A despeito de facilitarem a administração daempresa a partir dos escalões superiores, taismudanças elevaram o grau de complexidade dasatividades gerenciais de base. As novas divisões,formadas muitas vezes pela fusão de duas ou mesmotrês divisões anteriores, surgiam com grandenúmero de profissionais e serviços de diferentesespecialidades administrados por uma só pessoa. Oaumento da quantidade de informações a seremmanipuladas criou a necessidade de se organizar esistematizar essas informações para apoiar a tomadade decisões do gerente. Cada divisão começou assima desenvolver relatórios de acompanhamento, emgeral mensais, com diferentes formatos eprocedimentos de preenchimento.Também em fins dos anos 80 começou-se aquestionar os métodos trabalho na empresa os quais,sob muitos aspectos, haviam permanecidoessencialmente os mesmos desde a década de 60.Questões como privatização, competitividade,qualidade e produtividade levaram à reflexão sobrea necessidade de controles mais eficientes e acriação de indicadores que aferissem a produção.Entre os controles julgados insuficientes, o maisBRACIER - COMITÊ BRASILEIROSUPRO - SUBCOMITÊ DE PROJETOS E OBRASGerenciamento de Projetos e Obras em Sistemas Elétricos de PotênciaRio de Janeiro, 30 de agosto de 1996
PALAVRAS CHAVE
Gerenciamento de ProjetosCustos de Projetos
 
 
importante era o controle dos custos locais deprodução.Tradicionalmente, o chefe de divisão na Light deveapenas se ocupar com o cumprimento das metasfísicas e com o gerenciamento de pessoal. Nenhumaferramenta de controle local de custos estádisponível, além das apropriações feitas paracontabilidade geral. O conceito de gerenciamento decada órgão como uma unidade produtivaindependente, com custos próprios que devem seranalisados e não apenas repassados, tem sidoraramente posto em prática. Esse conceito contudo,ao permitir a avaliação local da produção, trazóbvios benefícios não apenas para a empresa maspara o próprio órgão, que pode assim comparar suaeficiência junto aos prestadores de serviço externos,ou seja, a concorrência.
2.0 - HISTÓRICO
Em 1992 as questões acima estavam sendodiscutidas na Divisão de Projetos Eletromecânicosde Subestações, que englobava as duas divisõesanteriormente responsáveis pelo projetoeletromecânico e de controle e proteção emsubestações. O súbito aumento na quantidade deprojetos a serem gerenciados, causado pela fusãodas duas divisões, tornou inviável oacompanhamento informal por parte do chefe dedivisão. Por outro lado, a atualização dasinformações, até então feita em planilha eletrônica,tornou-se muito lenta, além de exigir umfuncionário treinado no uso do
software.
Perguntascomo
que projetos foram concluídos emdeterminado ano?
e
quais projetos estão programados para os próximos anos, em que dataserão iniciados e quem irá coordená-los?
 ameaçavam se tornar de difícil resposta em poucotempo.Também em 1992, discussões sobre terceirização deserviços, aliadas à implantação na empresa de umprograma de qualidade e produtividade, levaram àproposta de implantação de um sistema de apuraçãode custos de projetos. Até então nenhumprocedimento sistemático para determinação doscustos reais dos projetos executados havia sidotentado. Perguntas cruciais para tomada de decisãono novo cenário que se avizinhava continuavamsem resposta satisfatória.
Qual o custo real de um projeto? O que é mais barato: realizar um projetocom mão-de-obra própria ou terceirizar suaexecução?
A possibilidade de a Light projetarsubestações para outras empresas também exigiaque se respondesse a perguntas como
qual o custohomem-hora de cada funcionário? Quanto cobrar  por um projeto executado para terceiros?
 Por fim, a implantação do programa de qualidade eprodutividade passava pelo estabelecimento deíndices para aferir as melhorias obtidas. Apossibilidade de usar os custos medidos como basepara alguns desses índices foi uma motivação extrapara a criação de uma metodologia de apuraçãodesses custos.A solução ideal para os problemas de gerenciamentodos serviços e implementação de uma sistemática deapuração de custos de projetos foi a criação de umabase dados contendo informações sobre projetos,custos e pessoal. Essa base de dados não deveria sermanipulada diretamente, por meio de
softwares
 interativos como DBase, e sim através de umaplicativo especialmente feito para tal. Assim seriapossível garantir a consistência dos dados e,igualmente importante, prescindir da exigência deum funcionário treinado, uma vez que o aplicativoseria concebido para ser utilizado por qualquerpessoa através de menus de comandos. Por fim, esseaplicativo deveria ser baseado na plataforma PC-DOS, podendo assim ser atualizado, testado eoperado na própria divisão.Ao longo de 1993 foi desenvolvido o aplicativo emquestão, utilizando-se a linguagem Clipper. Com onome de SINAPSE (Sistema Integrado deAdministração de Projetos de Subestações) oprograma passou a ser alimentado com dados sobrepessoal, projetos e cronogramas de execução, entreoutros, emitindo relatórios de acompanhamento deserviços. Em outubro daquele ano o sistemacomeçou também a armazenar parâmetros de custose dados sobre alocação de funcionários por serviço,permitindo a emissão de relatórios de custos deprojetos.Em janeiro de 1994 foi incorporada à DPSE.T aDivisão de Projetos Civis de Subestações. Aexistência do SINAPSE, possibilitando o controlegerencial das atividades com suficiente agilidade,permitiu o cadastro e acompanhamento dos novosserviços sem ônus à rotina da divisão.
3.0 - ESTRUTURA DO SINAPSE
O SINAPSE foi desenvolvido em linguagemClipper, gerenciando bancos de dados tipo dbf.Como o
software
foi concebido sobre menus decomandos, pode ser operado a partir de algumaspoucas teclas e obedecendo instruções apresentadasno vídeo, não exigindo portanto treinamentoespecial.O SINAPSE compõe-se de 3 módulos:
MODAS - Módulo de Acompanhamento de Serviços
MODAP - Módulo de Administração de Pessoal
 
MODAC - Módulo de Apuração de CustosCada módulo permite o acesso e gerenciamento deum conjunto específico da base de dados. Essesconjuntos estão contudo relacionados, de forma apermitir que os relatórios de saída em cada módulocombinem dados gerenciados pelos demaismódulos. A figura 1 apresenta um resumo dofuncionamento do SINAPSE.
MODASMODAPMODACSINAPSE
AnteprojetosProjetosOutros ServiçosFuncionáriosPromoçõesEscala Salarial“Time-Sheet”Parâmetros deCustosPlano de ObrasProjetos a IniciarProjetos ConcluídosDesempenho AnualOcupação MensalCusto HHCustos IndiretosCustos de ProjetosCurrículo
 
FIGURA 1
 Modelo gráfico da estrutura do SINAPSE 
O sistema como um todo compreende, além do
software
de gerenciamento do banco de dados, umconjunto de procedimentos adotados na divisão paracoleta de dados, incluindo formulários específicospara inclusão de novos serviços e tabelas dealocação de horas a atividades (
time-sheets
), estaspreenchidas mensalmente por cada funcionário.
4.0 - SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DESERVIÇOS
Esse sistema compreende o cadastramento dosserviços e a emissão de relatórios (gerais eindividuais) de acompanhamento e programação detarefas.São cadastrados todos os anteprojetos e quaisquersolicitações de serviço feitas à divisão. Osanteprojetos são referenciados pelo seu número,dado pela divisão de planejamento que o emitiu.Quando se trata de uma solicitação de serviço édado um número, gerado automaticamente pelopróprio sistema, que é a partir daí usado paraidentificá-la.Cada anteprojeto ou solicitação de serviço daráorigem a um ou mais projetos. Na ocasião essesprojetos são cadastrados, incluindo-se aespecialidade (civil, eletromecânico, controle ouestudo técnico), o funcionário responsável e ocronograma de execução.Mensalmente são emitidos relatórios deacompanhamento, alguns dos quais enviados paraoutras divisões. O sistema emite também relatóriosindividuais nos quais cada funcionário é informadosobre os projetos, em andamento e a iniciar, sob suaresponsabilidade.O sistema de acompanhamento de serviçossubstituiu o antigo relatório baseado em planilhaeletrônica, garantindo confiabilidade dos dados erapidez na atualização e recuperação dasinformações. A implantação do sistema reduziugrandemente o tempo despendido no gerenciamentodos projetos, viabilizando a ampliação dasatribuições da divisão.
5.0 - SISTEMA DE ADMINISTRAÇÃO DEPESSOAL
Uma vez que a Light disponibiliza, no sistema degrande porte, a maioria das informações relevantespara a administração de pessoal, o módulorespectivo dentro do SINAPSE foi bastantesimplificado. São cadastrados apenas dados taiscomo funcionários, ascensão profissional ealterações na escala salarial, necessários parageração dos relatórios dos módulos de serviços e decustos.
6.0 - SISTEMA DE APURAÇÃO DE CUSTOS
 O objetivo do sistema de apuração de custos éfornecer informações para a tomada de decisõesgerenciais. O sistema não está vinculado àcontabilidade empresarial, sendo totalmentemanipulado internamente.O enfoque adotado pelo sistema considera a divisãocomo uma unidade produtiva independente (no casoparticular da DPSE.T, esse produto são os projetosde subestações). Assim, os custos apurados são oscustos locais de produção, não incluindo o
overhead 
 devido ao rateio de custos indiretos da empresa.
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