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VOCÊ CONHECEHOMERO?
A Homero se atribui a autoria da Ilíada e da Odisséia, que são ostextos mais antigos da literatura ocidental. Restaram poucos fragmentos es-critos em língua grega anteriores a Homero. A Ilíada, porém, pela sua di-mensão, conteúdo e complexidade é sem dúvida a grande matriz literáriado Ocidente. É também um extenso manual das formas narrativas,do desenvolvimento dramatúrgico e o “sítio arqueológico” demaior relevância para o estudo da Antiguidade. Podemos dizer também que Homero é a pedra fundamental das bibliotecasna cultura ocidental. O bibliotecário Apolônio de Rodes, chefeda Biblioteca de Alexandria no século III a.c., em sua obra “OsArgonautas”, dedicou seu gênio a reunir os fragmentos exis-tentes nos papiros da época que pudessem esclarecer aancestralidade dos heróis da Ilíada. A saga dos pais eavós dos combatentes da guerra de tróia.Sabemos que na Grécia clássica os poemashoméricos eram encenados pelos rapsodosdurante os festivais olímpicos, e que estesrapsodos, tal como os atletas, também competiam por prêmios de imitação.Platão, num de seus diálogos, nos relata uma conversa entre Sócrates eÍon, um rapsodo que tinha acabado de vencer as Panatenéias e que sabiade memória as duas grandes obras de Homero. Havia também festivais emEpidauro e Éfeso, e em outras cidades gregas. A prática dos homeristas semanteve viva no Império Romano até meados do século IV da nossa era,quando os antigos manes da tradição européia foram banidosdos templos por decreto do imperador tal qual os encon-tramos dispostos no Código de Teodosiano, prenuncian-do o obscurantismo em relação às letras clássicas que seinstaurou na Europa durante a Idade Média.Para podermos esboçar uma compreen-são histórica da literatura universal a leiturada Ilíada é imprescindível. Quem quiser ter uma noção do desenvolvimento histórico daprodução literária no Ocidente não pode deixar de ler a Ilíada. Tudo o que se escreveu depois parece ter saído de lá como de uma caixa de Pandora.A Ilíada é o texto fundador da literatura do Ocidente.
Alguém já lhe apresentou Homero? Você já teve a oportunidade de ouvir Homero na escolaou no teatro? Seus amigos lhe falaram de Homero? O Texto fundador da literatura ocidentalandava realmente esquecido. Mas agora é diferente!
Jornal da Biblioteca
Órgão da Biblioteca do Paraná e do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas
Curitiba, Paraná, Brasil - Março de 2006 - Edição Extra
Octavio Camargo
 
Ministrantes: Octavio Camargo, Claudete Pereira Jorge e Richard Rebello.O curso visa aprofundar a compreensão do texto de Odorico Mendes comespecial enfoque nos cantos I e XVI através da enunciação dramática e doreconhecimento de suas estruturas formulares. É aberto a todos os inter-essados no desenvolvimento da escrita e na ampliação dos recursos deredação através da leitura dos clássicos. Os participantes terão oportuni-dade de, através de leituras e jogos dramáticos, exercitar sua expressão oral,identificando na linguagem corrente e no seu próprio repertório de falas asmelodias de enunciação que possibilitem uma melhor comunicação do texto.A oficina se realizará em maio de 2006, com duração de cinco semanas,sempre às sextas feiras das 14h00 às 18h00 no auditório. A carga horáriatotal é de 20 horas e o número de vagas é limitado. As inscrições estarãoabertas a partir de 2 de abril na Divisão Cultural da Biblioteca Pública doParaná (fone: 41 3221-4974). A taxa de inscrição é de R$ 40,00.
OFICINA DE LEITURA DE HOMEROHOMERO NO AUDITÓRIODA BIBLIOTECA
Exposição do conflito – Aquiles e Agamenon brigam pela posse da escrava.Aquiles, tendo que entregar Briseida, decide não participar mais da guerra.Clímax - Patroclo, o guerreiro mais valente do exército de Aquiles e seu melhor ami-go, realiza inúmeras façanhas no campo de batalha e morre pelas mão de Heitor.
Ilíada - A ira de AquilesAuditório da Biblioteca Pública do Paraná dias 21, 22, 23 e 24 de março de 2006 sempre às 21h00.Ingressos à venda no local a R$15,00 e R$7,50 com a carteirinha da Biblioteca ou de estudante.
Canto I – Claudete Pereira Jorge -
dias 21 e 22 de março de 2006
Canto XVI – Richard Rebello -
dias 23 e 24 de março de 2006
Todos os dias às 22h00, após as apresentações, debate sobre literatura e teatro mediados pelo Prof. Paulo Bearzoti Filho.
A Companhia Ilíadahomero de Teatro (iliadahomero@yahoo.com.br), criada em 1999, tem por objetivo realizar uma apresentação integral dos 24 cantos daIlíada na tradução de Odorico Mendes. Integram a Companhia: Claudete Pereira Jorge, Richard Rebello, Patrícia Reis Braga, Lori Santos, Christiane de Macedo,Simone Spoladore, Lalá Screamin, Guta Stresser, Chiris Gomes, Kátia Horn, Eliane Campelli, Mauro Zanatta, Thaís Tedesco, Letícia Guimarães, FabianaFerreira, Celia Ribeiro, Pita Belli, Gilda Elisa, Fernanda Farah, Silvia Natureza, Andressa Medeiros, Zeca Cenovicz, Marly Gott e Tupaceretan Matheus.
 
Os mitos e a literatura da Antiguidade Clássica foram fundamen-tais no processo histórico de superação do obscurantismo. A escola podeaproveitá-los com a mesma função.Diz a lenda que certo papa, uma vez, deparou-se com um trecho davulgata – versão da Bíblia em latim – em que havia um uso lingüístico emdesacordo com uma das regras expressas por Quintiliano (gramático latinodo século II d. C.). O fato lançou o pontífice em um grande dilema. Em quemacreditar? Na Bíblia, cuja versão latina constitui um texto de inspiração divina,ou em Quintiliano, representante da mais sólida erudição da Antiguidade? Opapa sofreu, cogitou e, por fim, pensou: “Aceito a versão da Bíblia. Mesmoque esteja errada”.Meio sem graça do ponto de vista humorístico, a anedota é curiosapara exemplificar as contradições com base nas quais a Europa Ocidentalrealizava a transição da Idade Média para os tempos modernos, por inter-médio do Renascimento. A Igreja Católica ainda era o centro do poder. Mas,culturalmente, a Antiguidade Clássica exercia enorme fascínio e influência.De fato, do ponto de vista imaterial, o Renascimento se caracteri-za pela decidida retomada dos valores culturais, filosóficos e artísticos datradição greco-latina, o que, ao menos em certa medida, só poderia se dar em confronto com a tradição cristã medieval. Esse processo, como sabemos,está na raiz de inúmeros aspectos do mundo contemporâneo, como, no planoinstitucional, a separação entre Estado e Igreja (e o conseqüente advento doEstado burguês) e, na ciência e na tecnologia, a primazia do racionalismo edo empirismo.
CLASSICISMO E CONHECIMENTO ESCOLAR
Grande parte dos conhecimentos previstos nos programas escolarestem sua gênese associada à revolução do Renascimento e seus desdobra-mentos. Assim, o Classicismo ou ao menos a referência ao mundo greco-latino se fazem a toda hora presentes. O teorema de Pitágoras, a geometriade Euclides, a teoria atômica, os modelos éticos e estéticos, a retórica e asnoções de direito e cidadania – não é possível passar pela escola e não estar em contato com os gregos e os latinos.Esse processo é adequado? É justo e importante que aescola contemporânea teça laços com a Antiguidade Clássica?Não seria isso um anacronismo?Sob certo aspecto, essas questões revestem outra,de caráter mais amplo. A escola tem o papel de disponibili-zar o acesso ao conhecimento letrado? Embora devamosreconhecer os exageros embutidos em uma prática peda-gógica excessivamente conteudista, e embora haja todauma gama de teorias que de certo modo parecem preo-cupar-se mais com o “treinamento”, a “capacitação” dosestudantes, é inegável que a possibilidade de estar emcontato com o universo do letramento é um direito detodos e que à escola cabe precipuamente essa tarefa.Mas como realizar essa tarefa? Como o conhecimento pode ser re-criado pelas populações contemporâneas, sobretudo as que historicamentenão tiveram atendido seu direto à educação? Não há, é claro, uma respostasegura a essa inquietação, nem está no âmbito deste texto discutir algo tãoamplo. Mesmo assim, gostaria de afirmar que o Classicismo joga um papelpreponderante nesse processo.
História e indivíduo
Quando pensamos a história, parecemos muitas vezes presos à ar-madilha de supor que o desdobramento dos fatos segue uma orientaçãolinear, segundo a qual um estado de coisas é suplantado por outro, umaespécie de contínua cadeia sucessória. Claro que isso em parte acontece.Mas também há sempre persistências, resistências, regiões em que a ordem“antiga” sobrevive, mantendo-se portanto “atual”.Dizer que a Idade Média “acabou” e que a ela se seguiu o Re-nascimento pode, sob esse prisma, sugerir uma idéia apenas parcial.Outras partes do mundo que não a Europa Ocidental, como a Ásia, pas-saram por processos bem distintos. Igualmente, certos segmentos so-ciais dos mesmos países europeus ou sob influência européia tampoucose livraram do obscurantismo medieval em favor do desenvolvimentorenascentista.É aí que entra a escola, seu papel na construção de uma sociedadeem que os benefícios advindos do processo da ciência e do desenvolvimentodas forças produtivas estejam a serviço de todos e não apenas de segmen-tos privilegiados. Renascimento para todos.O Canto I da Ilíada narra o descontentamento de Apolo com certaatitude de Agamêmnon, o chefe de todos os gregos durante a Guerra deTróia. Como conseqüência, o deus lança setas mortais sobre as tropas gre-gas, vitimando-as durante nove dias. Ao décimo, o herói Aquiles, filho de ummortal e de uma deusa, convoca uma assembléia de todos os combatentes.Nela, expressa-se livremente, apontando ganância e avidez na atitude deAgamêmnon. Talvez nenhum outro povo tenha com tanta explicitude defen-dido o valor da reunião dos homens livres, inclusive na guerra. Mesmo emseus mitos, os gregos celebram a democracia.Historicamente, como acabamos de ver, a supe-ração da Idade Média guarda íntima relação com oClassicismo. Ao reinventar os mitos e a literatura daAntiguidade greco-latina, a escola ajuda a recriar, tantono coletivo escolar, como em cada estudante individual-mente, o percurso histórico que instaura o mundo con-temporâneo.
LITERATURA CLÁSSICAE ENSINO
Paulo Bearzoti Filho
Paulo Bearzoti Filho é professor de Língua Portuguesa,supervisor dessa disciplina nas escolas do Grupo Posi-tivo e coordenador da revista Discutindo Língua Portu-guesa (Escala Educacional). É autor, entre outras obras,de Formação lingüística do Brasil (Positivo: 2002).

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