Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
0Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Historia de Portugal, vol. 4

Historia de Portugal, vol. 4

Ratings: (0)|Views: 9|Likes:
LOBATO, Gervásio. Historia de Portugal. Ilustacões de Manuel de Macedo. vol. 4. Lisboa: J.A. de Mattos, 1876.História de Portugal
LOBATO, Gervásio. Historia de Portugal. Ilustacões de Manuel de Macedo. vol. 4. Lisboa: J.A. de Mattos, 1876.História de Portugal

More info:

Published by: Maria do Rosário Monteiro on Apr 15, 2014
Copyright:Traditional Copyright: All rights reserved

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/15/2014

pdf

text

original

 
I
EMPREZA
IJTTERARIA
DE
LISBOA
M
FOBTIIGAl
QUARTO
VOLUME
POR
DE
MANUEL
DE
MACEDO
^E.
L.
de
J^. ^M^
OFFICINA
TYPOGRAPHICA
DE
J.
A.
DE
MATTOS
36
Rua
Nova
do
Almada
3lj
 
LI^I^O
I
I>
.
Set>ti»tião
^^cOoc=—
CAPITULO
1
Portugalnos
meados
do
século
XVI
Vamos
entrar
no
período
mais
triste
e
mais
desgraçado
da
historia
de
Portugal.
Aepopóa
brilhantíssima,
que
a
espada
lumi-
nosa
de
AEFonso
Henriques
começara
a
escrever
em
Ourique,pára
exactamentena
época
em
que
apparece
o
seu
cantor
immortal.
Os
Lusíadas,
essa
apothéose
homérica
d um
grande
povo
heróico,
surgem
quasi
que
na
hora
da
sua
fatal
queda.
Mais
unsannos
ea
epopéa
transformar-sc-ia
em
elegia,
a
apothéose
em
elogio
fúnebre.
Mais
uns
annos
e
Camões
teria
arrancado
das
suasestrophes
olympicas
esses
quatro
versos:
«Fazei,
senhor,
que
nunca
os
admirados
Allemães,
Gallos,
ítalose
ínglezes
Possam
dizer,
que
Scão
para
mandados
Mais
que
para
mandar,
os
Portuguczes.
Ião
inúteis
quando
os
descendentesdos
ve-
lhos
heroes
iam
vendercobardemente,
infame-
menle
a
pátria
humilhada,
pobre,agonisante,
ao
sinistro
filho
de
Carlos
v,
o
imperador
legen-
dário.
-\a
historia
brilhante
de
Portugal
alastram-se
como
uma
immensa
nódoa
de
azeite
esses
annos
,de
servilismo
e
de
captiveiro
e
o
sol
que
se
afunde
em
nuvens
de
sangue
em
Alcacerkivir
mergulha
opaiz
em
escura
e
longa
noite
até
surgir
de
novo
radiante
nos
campos
de
Montijo.
Coube-nos
a
narrativa
d e3sa
dolorosa
época
de
trevase
de
lagrimas,
illuminada
apenas
no
seu
começo
pelos
últimos
clarões
das
conquistas
do
velho
Oriente.
O
génio
guerreiro
que
deu
a
Portugal
as
pagi-
nas
mais
gloriosas
nasepopéas
modernas,
o
es-
pirito
aventuroso,
cavalheiresco
e
batalhador
que
levou
o
nosso
nome
a
todas
as
partes
do
mundo
e
nos
deu
um
logar
de
honra
na
vanguarda
dos
po-
vos
europeus,
foiomesmoque,apparentemente,
rasgou
as
quinas
ante
ocrescente
victorioso
nas
plagas
africanas,
foi
o
mesmo
que
estrangulou
a
independência
nacional
nos
laços
do
capti-veiro,
ea
entregou
inertee
indefeza
nas
mãos
do
Demónio
do
meio
dia,
do
lúgubre
Filippe
ii.
Chegado
ao
apogeu
da
gloria,
Portugal
deu-lhe
a
vertigem
e
cahiu
nos
abysmos
da
escravidão.
Ma
hora
suprema
da
agonia,
apparece
á
cabe-
ceira
do
reino
moribundo
uma
roupeta
vermelha.
Portugal
teve
um
sinistro
coveiro—
o
cardeal
D.
Henrique.
Mas
quem
o
matou,
quem
lhe
vibrou
o
golpe
fundo,
não
foram
as
imbecilidadesperversas
do
jesuíta
covarde,
não
foram
as
allucinações
peri-
gosas
do
juvenil
rei-cavalleiro:
quem
assassi-
nou
Portugal
foi
esse
rei
fanático
e
estúpido,
que
abriu
os
braços
estultos
á
companhia
de
Jesus,
que
enraisou
foi-temente
no
reinoessa
arvore
mortífera,
que
se
chama
absolutismo,
acuja
sombra
protectora
plantou,
medrou
e
floresceu
essa
colossal
infâmia
catholica,
a
Inquisição:e
no
tribunal
sereno
da
historia,
quem
tem
que
responder
pela
liberdade
perdida,
pela
honra
 
6
Historia
de
Portugal
ultrajada,
pelo
brio
espesinhado,
pela
riqueza
delapidada
d esse
povoque
deu
ao
mundo
o
es-
pectáculo
mais
grandiosodos
tempos
modernos,
uma
nação
pequena
alastrando
pelosdois
he-
mispherios
o
seu
poderio,
a
sua
influencia,
a
sua
gloria,e
o
seu
nome,
não
é
o
velho
idiota
e
ambicioso,
que
deixou
nas
chronicas
o
nome
odiado
de
cardeal-rei,
não
é
a
creança
heróica,
o
imberbe
enamorado
da
Gloria
que
por
ella
morreu,
como
um
paladino
audaz,
nos
areiaes
de
Alcacerkivir,
não
é
o
cadáver
frio
e
inerte
do
rei
a
quem
a
tradicção
deu,
como
uma
ironia
pungente,
a
alcunhade
«Piedoso
 
e
que
a
his-
toria
reconhece
pelo
nome
de
João
iii.
E
um
triste
previlegio
este,
o
dos
reis
imbe-
cis,
fracos,
6
fanáticos
que
afatalidade
paradesgraçados
povos
collocam
naseminênciasdo
poder:
ainda
depois
de
mortos,das
suas
covas
sombrias
se
estende
sobre
o
povo
a
sua
influen-cia
nociva,
e
como
dos
cadáveres
dos
cholericos
as
suas
exhalações
pútridas
envenenam
por
muito
tempo
a
atmosphera
que
os
cerca.
Na
terrível
lógica
da
historia,
Filippe
ii
era
o
herdeiro
fatal
de
João
iii.
Foi
no
infeliz
reinado
d este
estúpido
monarcha
que
se
preparou
a
ruina
de
Portugal.
A
sua
politica
interna
trans-
formou
completamente
o
govtrno
n um
absolu-
tismo
feroz
sem
restricções;
a
sua
politica
ex-
terna,
uma
politica
toda
neutral
no
meio
dos
confliclos
graves
que
se
levantavam
entretodasas
nações
da
Europa,
aliènou-lhetodas
as
sym-
pathias
dos
estados
europeus,
e
mais
tarde,
quando
Filippe
ii
cortou
do
mappa
esta
pequena
nacionalidade,
que
escondida
no
canto
do
occi-
dente
espalhara
a
sua
fama
e
o
seu
nome
pelo
mundo
inteiro,
a
Europa
pagou
a
Portugal
a
di-
vida
dedesdenhosa
indiQ erença,
que
contrahira
com
o
rei
Piedoso.
Oshespanhoes,
quando
entraram
ameaçadores
na
Lusitânia,
encontraram,
em
vez
dum
povo
enérgico
e
valente,
defendendo
a
sua
vida
e
a
sua
autonomia,
um
povo
inerte,
fraco
e
humilliado
ao
jugo
feroz
do
absolutismo;
o
fanatisto
enros-
cado
em
todas
as
almas,
a
desmoralisação
cam-peando
no
exercito,
o
luxo
enein ando
as
altas
camadas
sociaes,
a
fome
e
a
miséria
devastando
o
povo;
um
bando
de
leOes
transformados
em
rebanho
de
cordeiros
pela
immoralidade,
pelo
despotismo,
[lela
miséria;
um
bando
de
cordeiros
governado
por
um
pastor
imbecil
e
desastrado,pelo
nefasto
Cardeal
D.
Henrique.
Do
mesmo
modo
que
Luiz
xvi
o
infeliz
Ca-
peto,D.
Henrique
e
D.
Sebastião
colheram
apenas
03fructos
mortíferos
das
sementes
venenosas
lan-
çadas
á
terra
por
João
iii.
A
providencia
parece
que
escolhe
sempre,
u es-
tes
momentos
críticos
dos
povos,
uns
reis
inha-jbeis,
fracos,
allucinados,
que
em
vez
de
susterem
por
algum
tempo
mais
as
quedas
inevitáveis
as
apressam
desgraçadamente.
Os
germens
nocivos
lançadospor
D.
João
m
teriam
desabrochado
mais
tardios,
ou
quem
sabe,
ter-se-hiam
 completamente
annulado,
sei
em
vez
de
lhe
auxiliarem
o
desenvolvimento
lhe
tivessem
applicado
um
antídoto
enérgico
e
efíicaz.>« este
caso
o
antídoto
seria
uma
administração
rigorosa
e
intelligente,
uma
politica
hábil
e
digna,
um
amplo
e
profundo
trabalho
de
reorga-
nisação,
o
insufflamento
de
novas
forçasn es3e
immenso
corpo
popular
abatido
e
anemico
por
35
annos
de
tyrannia
e
de
fanatismo.
D.
Sebastião,
uma
creança
desvairada
pelo
amor
dagloria,
uma
intelligenciainutilisada
pelo
fanatismo
caprichoso
d uma
educação
deplorável,
e
D.
Henrique
um
velho
idiota
e
ambicioso,
instrumentocego
duma
seita
odiada,
não
poderam
oppòr
um
dique
á
onda
gigante
que
nos
ameaçava,
e
pelo
contrario,
fa-
cilitaram-lhe
a
invasão
com
os
seus
desvarios
e
as
suas
inepcias.
É
assim
que
ao
fechar
a
historia
do
triste
rei-
nado
de
D.
João
nie
ao
ver
a
coroa
pousarnacabeça
infantil
d uma
criança
de
três
annos,
dis-
putada
tenazmente
por
duas
grandes
ambições
rivaes,
a
da
rainha
D.
Catharinasua
avó,
e
a
do
Cardeal
Henrique
seu
tio,
aover
a
Europa
a
olhar-nos
indi9 erente,
ea
Hespanha
a
prepon-
derarfortemente
na
nossa
politica,
não
é
preciso
ser
propheta
para
vrr
n um
futuro
próximo
o
triste
desenlace
preparado,
pelo
fanatismo,
pela
tyrannia
e
pela
estupidez
do
indigno
filho
do
grande
D.^Manoel,á
grandiosa
epopéa
começada
em
Ourique;
para
advinhar
a
tremenda
queda
d esse
colosso
que
se
chamou
Portugal.
Antes
porem
de
entrarmos
no
desgraçadíssimo
reinado
de
D.
Sebastião
lancemos
ura
olhar
para

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->