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Inclusao Diversidade Construcao Ppp

Inclusao Diversidade Construcao Ppp

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GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁSECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃOSUPERINTENDÊNCIA DE EDUCAÇÃODEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO ESPECIALINCLUSÃO E DIVERSIDADE: REFLEXÕES PARA A CONSTRUÇÃODO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Mario Quintana 
Inclusão e diversidade são temas que povoam as discussões na área educacional naúltima década. Embora haja uma estreita relação entre as duas temáticas não significa que, ao sediscutir a inclusão na educação, sejam realizados na sociedade, debates sobre a diversidade degrupos que se encontram à margem do processo social, expropriados dos direitos que sãogarantidos por lei, a todos os cidadãos, independente de suas diferenças individuais.Pela amplitude de significados e relações que os termos inclusão e diversidade podemsugerir ao leitor deste texto, que tem o propósito de explicitar as políticas educacionais daSecretaria de Estado da Educação do Paraná - SEED em relação ao processo de inclusãoescolar, faz-se necessário uma reflexão sobre alguns dos sentidos que emergem das idéias queserão aqui desenvolvidas.É comum, ao presenciarmos discursos de dirigentes educacionais ou conversas entreprofessores, a afirmação de que a inclusão refere-se a um processo direcionado aos alunos comnecessidades educacionais especiais, mais precisamente às crianças e jovens com deficiências.Essa definição, fruto da desinformação e da superficialidade de análise, está equivocada porvários motivos, dos quais destacaremos alguns:
-
a expressão necessidades educacionais especiais é utilizada como sinônimo dedeficiência, o que não corresponde à verdade;
-
somente os alunos com deficiência seriam alvos das políticas de inclusão, como se apenasestes estivessem à margem do sistema educacional, apresentando problemas naaprendizagem;
-
reduz-se a complexa problemática social da inclusão, que estende seus tentáculos aosdiferentes segmentos sociais, ao espaço escolar como se, uma vez matriculados os alunosnas classes comuns, estaria garantida sua inclusão educacional e social.Como se vê, necessitamos de uma reflexão conceitual sobre o que seja inclusão, a quemse destina e onde ela deve ocorrer, para que possamos fazer um novo olhar sobre o assunto.Qualquer que seja nosso ponto de vista pessoal sobre esses questionamentos, convidamos oleitor a conhecer as concepções que norteiam as ações da Secretaria Estadual de Educação nadefinição e condução dessas políticas educacionais, uma vez que esse posicionamentodetermina as formas de organização do sistema educacional, define prioridades no programa deformação continuada de professores e estabelece os critérios para a constituição de redes deapoio educacional aos alunos, aos professores e às famílias.Cabe explicitar que essa concepção não é dada
a priori 
, fruto de decisões de tecnocratasde gabinete, mas é legitimada na dialogia com alunos, pais e professores nos diferentes fóruns dedebates promovidos pela SEED, nesta gestão. Funda-se, também, na ampla produçãoacadêmica, que embasa cientificamente nossas ações.Dito isso, fica claro que políticas e práticas de inclusão não têm um significado único econsensual, já que são determinadas por múltiplos fatores. Esses fatores incluem uma ampla redede significações no entrecruzamento de diferentes olhares e formas de se efetivar esse processo;é na inter-relação de como eu, os outros e as instituições sociais definem e praticam a inclusão éque ela pode, ou não, tornar-se realidade.Para efeitos didáticos, procederemos, a seguir, alguns recortes conceituais que,pretendemos, sejam úteis no esclarecimento dessa temática que tanto desafia nossasconcepções e práticas.
 
 
A inclusão para todos
É comum lermos ou ouvirmos dos intelectuais afirmações do tipo “estamos vivendo umacrise de paradigmas”, “um novo paradigma de conhecimento está surgindo”, “os paradigmasatuais estabelecem novos marcos de compreensão das pessoas e do mundo”, entre outrasprofecias interessantes.Quase sempre, o pensamento que está na base dessas afirmações envolve adesconstrução das verdades históricas imutáveis, fixadas em modelos ideais, sejam de pessoas,sejam de instituições, sejam de práticas sociais. A crise de identidades que se origina nesseprocesso faz com que toda “norma”, ou tendência à normalização ou homogeneização sejamquestionadas, repudiadas e banidas das práticas sociais.A visão que norteia os debates nos inúmeros segmentos sociais, é que são as diferençasque constituem os seres humanos. Os sujeitos têm suas identidades determinadas pelo contextosocial e histórico em que sua existência é produzida. A vida em sociedade pressupõe oreconhecimento das multiculturas, advindas da acelerada tecnologização e das complexastransformações nos modos de produção social que fazem surgir novas formas de acúmulo docapital e distribuição de renda na contemporaneidade. Assim,
constitui verdade inquestionável o fato de que, a todo momento, as diferenças entre os homens fazem-sepresentes, mostrando e demonstrando que existem grupos humanos dotados de especificidades naturalmenteirredutíveis. As pessoas são diferentes de fato, em relação à cor da pele e dos olhos, quanto ao gênero e à suaorientação sexual, com referência às origens familiares e regionais, nos hábitos e gostos, no tocante ao estilo.Em resumo, os seres humanos são diferentes, pertencem a grupos variados, convivem e desenvolvem-se emculturas distintas. São então diferentes de direito. É o chamado direito à diferença; o direito de ser, sendodiferente (FERREIRA e GUIMARÃES, 2003, p. 37).
No que se refere à educação, a tradução desse direito compreende a construção de umespaço dialógico no qual as diferenças se complementem, e não sejam fatores de exclusão, e oscurrículos tornem-se abertos e flexíveis, oportunizando a reflexão crítica sobre a história dasminorias, dos estigmatizados, dos colonizados, dos dominados. Aqueles que, oficialmente, foramnarrados como coadjuvantes passam a protagonizar novas práticas discursivas, nas quaisretomam as rédeas de sua história, como sujeitos e não mais objetos da ação de elitesdominantes que, por séculos, trabalharam para a manutenção das relações sociais vigentes.As políticas da SEED têm como alvo, todos os grupos que sofreram exclusão física ousimbólica, ao longo da história, reconhecendo seus direitos sociais como é o caso dos moradoresdo campo e das regiões ribeirinhas, de pescadores e ilhéus, das populações indígenas, dos jovens e adultos que não tiveram acesso à escolarização em idade própria, dos grupos afro-descendentes, dos jovens e adultos impedidos de freqüentar a escola em virtude de tratamento ouinternamento médico-hospitalar, às crianças e jovens que, por inúmeros motivos, se evadem daescola, das pessoas que apresentam necessidades especiais, oriundas ou não de deficiências.Cabe ao Estado democrático, por meio da implementação de políticas públicas, enfrentaras desigualdades sociais e promover o reconhecimento político e a valorização dos traços eespecificidades culturais que caracterizam a diferença das minorias sem visibilidade social,historicamente silenciadas. Concorrem para esse fato os textos legais e as políticas educacionais,materializadas em orientações político-pedagógicas da Secretaria de Educação.Traduzindo esse conjunto de reflexões para nossa realidade imediata, a perspectiva dainclusão de TODOS os alunos está contemplada nos princípios norteadores das ações da SEED,amplamente debatidos pelos profissionais da educação no processo de construção das diretrizescurriculares, as quais apresentam como linha condutora a universalização do acesso à escolapública gratuita e com qualidade para TODOS:
“É a preocupação da escola com o atendimento à diversidade social, econômica e cultural existente que lhegarante ser reconhecida como instituição voltada, indistintamente, para a inclusão de todos os indivíduos (...) ogrande desafio dos educadores é estabelecer uma proposta de ensino que reconheça e valorize práticasculturais de tais sujeitos sem perder de vista o conhecimento historicamente produzido, que constitui patrimôniode todos”(PARANÁ, 2005).
Esse conjunto de fatos inverte a ótica da discussão para a questão do amplo leque daexclusão e não mais para a preocupação com a inclusão de um único grupo no espaço escolar: o
 
 
das pessoas com deficiência. “As escolas inclusivas são escolas para todos, implicando numsistema educacional que reconheça e atenda às diferenças individuais, respeitando asnecessidades de qualquer dos alunos” (EDLER CARVALHO, 2004, p.26).A partir dessa concepção fica evidente que há muitos alunos que apresentam problemasou dificuldades de aprendizagem, por razões inerentes a sua compleição física, limitaçõessensoriais ou déficits intelectuais. Entretanto, há um sem número de alunos que não atingem àsexpectativas de aprendizagem e avaliação da escola em decorrência das condições econômicas eculturais desfavoráveis que vivenciam, ou, ainda, pelo despreparo dos profissionais da educaçãono trato das questões pedagógicas (as chamadas dispedagogias). Assim, o insucesso na escolarevela que não são apenas os alunos com deficiência os que apresentam necessidadesreferentes ao processo de aprendizagem e que devem ser beneficiados com recursos humanos,técnicos, tecnológicos ou materiais diferenciados que promoverão a sua inclusão.Não se admite, portanto, continuarmos a ouvir declarações em que a escola inclusiva sejacaracterizada apenas como aquela, que possui, matriculados em suas turmas, alunos comdeficiências, ainda que continue a apresentar altos índices de evasão e repetência, um grandenúmero de analfabetos funcionais, ou alunos marginalizados por sua condição de pobrezaextrema ou pela cor de sua pele, entre outras situações de exclusão e fracasso...
A inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais
Em meados da década de 90, no Brasil, passou-se a discutir a inclusão de alunos comnecessidades educacionais especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino. EmEducação é comum que, de tempos em tempos, surjam novas terminologias, ou que sejamretomados termos “antigos”, que atestam o movimento de transformação nos princípios e pilaresteórico-filosóficos que conduzem as idéias pedagógicas de determinadas épocas.O termo necessidades educacionais especiais é um exemplo desse processo. Como amaior parte das terminologias adotadas em educação especial, tem origem estrangeira, comotantos outros utilizados em épocas anteriores: inválido (
minusválido 
), anormal (
handicapped person 
), retardado (
retardadion 
), deficiente (
déficiente 
). A tradução para o português muitas vezesnão mantem o sentido que os originou no contexto histórico de sua utilização, gerandoambigüidades, imprecisão e inadequação ao serem empregados em um novo contexto social(FERREIRA E GUIMARÃES, 2003).Embora as denominações propostas, tenham a intenção de identificar grupos ou sujeitosque apresentam características diferenciadas, sem criar rótulos negativos ou estigmas, quasesempre essas expressões têm uma carga pejorativa e negativa, relacionadas à patologia e àincapacidade.Nós educadores, sabemos que as palavras não são neutras e imparciais, elas carregamideologias, insinuam crenças, delineiam pontos de vista, revelam intenções.Na ampla literatura especializada, ou mesmo em palestras e eventos de capacitação, écomum a utilização de expressões como “pessoas portadoras de necessidades especiais” e“pessoas portadoras de deficiência”, utilizadas como termos sinônimos. Cabem aí algunsesclarecimentos. Primeiramente, é necessário esclarecer que necessidades especiais oudeficiências não se “portam” como objetos que carregamos de um lado a outro, dos quaispodemos nos desfazer quando bem entendemos.Deficiências são inerentes aos sujeitos, constituem sua subjetividade; não definem suaessência, mas determinam modos de ser e estar no mundo que podem gerar ou nãoimpedimentos ou colocar os sujeitos que as apresentam em situação de desvantagem, adepender dos resultados da interação das características diferenciadas das pessoas comdeficiência com as representações em torno dela e das tecnologias disponíveis no meio social aseu serviço.
A noção de deficiência é, pois, uma questão contingencial e decorre de normas e expectativas da sociedade(...) é uma situação que surge como produto da interação daqueles que apresentam determinados atributoscom o meio social, que interpreta e considera tais aspectos como desvantagens (FERREIRA E GUIMARÃES,2003, p. 32).
Já o sintagma “necessidades especiais” não deve ser tomado com sinônimo dedeficiências (mentais, sensoriais, físicas ou múltiplas), pois abrange uma série de situações e/ou

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