Read without ads and support Scribd by becoming a Scribd Premium Reader.
 
 1
 ÁREA DA DEFICIÊNCIA MENTAL
Dentre as diferentes áreas das deficiências, a deficiência mental é a mais freqüente emqualquer sociedade. Muitos conceitos e terminologias são utilizados na tentativa de melhordefini-la.Existe atualmente uma tendência mundial de se substituir o termo deficiência mental pordeficiência
 
intelectual, uma vez que o termo intelectual refere-se ao funcionamento dointelecto especificamente e não ao funcionamento da pessoa como um todo.A expressão deficiência
 
intelectual foi oficialmente utilizada em 1995, quando aOrganização das Nações Unidas realizou em Nova York o simpósio chamado “DeficiênciaIntelectual: Programas, Políticas e Planejamento para o Futuro”. Em outubro de 2004, aOrganização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde realizaram umevento (no qual o Brasil participou) em Montreal, Canadá, evento esse que aprovou odocumento “DECLARAÇÃO DE MONTREAL SOBRE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL”.Embora a Secretaria de Educação Especial – SEESP/MEC ainda utilize, em seusdocumentos oficiais, o termo deficiência mental, neste texto, será adotada a terminologiadeficiência intelectual.Pretende-se, neste texto, fazer uma abordagem do sujeito com déficit intelectual nassuas diferentes manifestações sociais, de como suas características pessoais se manifestame de como os contextos (culturais, sociais e familiares) interagem para compreender eresponder a suas peculiaridades.No grupo dos sujeitos com deficiência intelectual, há características peculiares, as quaisexpressam-se em forma de talentos, capacidades, necessidades e algumas incapacidades.Uma das características do sujeito com deficiência intelectual é a significativa limitaçãodo funcionamento na área intelectual e, o reconhecimento do atraso desta área, permiteelaborar e desenvolver um trabalho que atenderá suas peculiaridades e limitações,passando, então, a não ser mais concebida como um traço definitivo e imutável, mas comouma condição, à medida que suas necessidades especiais sejam respondidas, visando seudesenvolvimento global
.
As limitações na área intelectual, sejam elas de ordem conceitual, prática ou social,interferem de maneira substancial na aprendizagem e na execução de determinadashabilidades da vida diária, no contexto familiar, escolar e social, e, quanto mais precoce for
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
 
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL
 
 
 2
detectado o quadro da deficiência intelectual, maiores serão as possibilidades da pessoareceber as ajudas e apoios necessários para a sua adaptação global.Segundo Mantoan (2006), na Palestra “Desenvolvimento da inteligência e deficiênciamental”, proferida no II Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down:
 
“As pessoas com deficiência intelectual demonstram muito pouca habilidade no que concerne àgeneralização das aprendizagens, as pessoas com deficiência mental revelam umsubfuncionamento da memória. As estratégias mnemônicas dependem da capacidade de retençãoe esta é estimulada pela repetição, imagem mental, categorizações e outras. A memória é umahabilidade intelectual que pode ser melhorada nas pessoas com deficiência, mas não deve serexercitada mecanicamente”.
O desenvolvimento do sujeito em situação de deficiência intelectual processa demaneira diferente no que se refere à apropriação dos conceitos mais elaborados quandocomparado ao desenvolvimento dos sujeitos que não evidenciam tais condições. Aquele,responde, estruturalmente, da mesma maneira às influências do seu contexto social como,também, a evolução destas estruturas obedece à mesma seqüência apresentada pelossujeitos consideradas normais, porém num tempo diferente.Faz-se necessário, no atendimento às necessidades educacionais especiais daquelesujeito, compreender como se processa este tempo, de como se dá o amadurecimento dasestruturas cognitivas e de como elas poderão ser potencialmente trabalhadas, pois mesmoapresentando essas características, isto não significa que ele seja menos capaz de aprender.A princípio, é importante ressaltar a existência de dificuldades na apreensão deconceitos abstratos, bem como para generalizar e transferir os comportamentos e saberesadquiridos para novas situações. Trata-se, assim daquele educando, que requer do professorum olhar diferenciado, no que tange ao atendimento de necessidades educacionais especiais,ou seja, as orientações, relacionadas às atividades a serem realizadas, devem acontecer deforma clara e objetiva, para que ele organize seu pensamento e aja, cada vez mais,espontaneamente e com autonomia.Segundo Pinheiro (2006)
 
“Alguns alunos com deficiência mental são capazes de assimilar os conteúdos curriculares referentesao ensino fundamental, reúnem condições suficientes para adaptar-se socialmente através daatuação independente na comunidade e estão aptos a adquirir formação profissional que lhes garantao sustento, total ou parcial, na vida adulta. Outros apresentam condições de desenvolver o domíniodas habilidades lingüísticas básicas, são competentes para obter sucesso no processo de aquisiçãode leitura e de escrita, e outros ainda, são capazes de cuidar de si próprios e para protegerem-se deperigos comuns e possuem condições para ajustarem-se e serem úteis, social, e economicamente,no lar e na comunidade, auxiliando em tarefas caseiras, trabalhando em ambientes especiais oumesmo realizando atividades rotineiras, sob supervisão”.
Faz-se necessário, portanto, para o êxito acadêmico, elaborar estratégias educacionaisque atendam, de fato, à maneira de processar e construir suas estruturas cognitivas. Cita-se
 
 3
aqui, como exemplo, a utilização constante de materiais concretos, uso de jogos,favorecimento de situações lúdicas, criação de situações desafiantes, incentivo à participaçãoem atividades e eventos sociais, com a família e a comunidade.A aprendizagem acadêmica dos alunos que apresentam deficiência intelectualprocessa-se de forma mais lenta, visto que a sua metacognição e sua auto-regulaçãocognitiva é construída de forma diferente, acarretando muitas vezes dificuldades paraelaborar, por conta própria, estratégias para assimilação dos conceitos e conhecimentos maiscomplexos. Entendendo, aqui, que a metacognição refere-se à consciência de alguém arespeito de seus próprios processos cognitivos, incluindo intencionalidade, auto-regulação ecapacidade de monitorar e dirigir voluntariamente o curso dos próprios pensamentos.A eficácia da aprendizagem, para o educando com deficiência intelectual, depende dodesenvolvimento de estratégias cognitivas e metacognitivas que possibilitem ao aluno:
planejar e monitorar o seu desempenho escolar;
regular suas ações isto é, favorecer as tomadas de consciência dos processos queutiliza para aprender e a adoção de decisões apropriadas sobre as estratégias que devem serutilizadas em cada tarefa;
auto-avaliar seu desempenho, alterando estas estratégias quando não produzirem osresultados desejados.Portanto, este é o papel da ação pedagógica junto ao educando. É de sumaimportância a presença constante e efetiva do professor, uma vez que este deve ser umobservador, orientador, mediador e avaliador na construção do conhecimento a ser elaboradopelo aluno. Desta forma, a aprendizagem dar-se-á na relação de troca e interação entreambos, e não o professor como o detentor do saber e o aluno como um mero receptor (PauloFreire, 1987).É fundamental que o professor acompanhe e reconheça o processo desenvolvido porseu aluno, identificando em que ponto ou nível ele se encontra ao elaborar determinadoconceito e, a partir destas observações, oferecer ou criar condições para que ele possa agircom êxito, refletir e finalmente criar novas hipóteses.Para que o aluno seja identificado e receba atendimento pedagógico na busca deremoção das barreiras que possam estar interferindo na construção do conhecimento, éimprescindível que haja uma ampla e profunda compreensão de suas potencialidades edificuldades. Para tanto, a avaliação, no contexto escolar, deverá envolver todos osprofissionais da escola, que direta ou indiretamente atuam com o aluno, tendo como objetivoo estabelecimento de uma proposta pedagógica e implementação de atividades a seremdesenvolvidas, durante o processo de ensino e aprendizagem que estejam em consonânciacom as necessidades educacionais especiais do sujeito.
Search History:
Searching...
Result 00 of 00
00 results for result for
  • p.
  • Notes
    Load more