Em meados da década de 1990, a sua carreira disparou: hoje, ostenta o pomposotítulo de professor-coordenador, o que, não sendo doutorado, faz pensar que a elevaçãoacadémica foi política ou administrativamente motivada; depois de eleito presidente doconselho científico da escola onde leccionava, em 1996 seria nomeado seu presidente,cargo que exerceu até 2005, data em que entrou para o Governo. Estava eusossegadamente a ler o Despacho ministerial nº 11 529/2005, no Diário da República,quando notei uma curiosidade. Ao delegar poderes em Valter Lemos, o texto legal trata-o por “doutor”, título que só pode ser atribuído a quem concluiu um doutoramento,coisa que não aparece mencionada no seu curriculum. Estranhei, como estranhei que apresidência de um politécnico pudesse ser ocupada por um não doutorado, mas nãoreputo estes factos importantes. Aquando da polémica sobre o título de engenheiroatribuído a José Sócrates, defendi que os títulos académicos nada diziam sobre acompetência política: o que importa é saber se mentiram ou não.Deixemos isto de lado, a fim de analisar a carreira política do sr. secretário deEstado. Em 2002 e 2005, foi eleito deputado à Assembleia da República, comoindependente, nas listas do Partido Socialista. Nunca lá pôs os pés, uma vez que afunção de direcção de um politécnico é incompatível com a de representante da nação.A sua vida política limita-se, por conseguinte, à presidência de uma assembleiamunicipal (a de Castelo Branco) e à passagem, ao que parece tumultuosa, pela Câmarade Penamacor, onde terá sofrido o vexame de quase ter perdido o mandato de vereadorpor excesso de faltas injustificadas, o que só não aconteceu por o assunto ter sidoresolvido pela promulgação de uma nova lei.Em resumo, Valter Lemos nunca participou em debates parlamentares, nuncademonstrou possuir uma ideia sobre Educação, nunca fez um discurso digno de nota.Chegada aqui, deparei-me com uma problema: como saber o que pensa do mundoeste senhor? Depois de buscas por caves e esconsos, descobri um livro seu, O Critériodo Sucesso: Técnicas de Avaliação da Aprendizagem. Publicado em 1986, teve seisedições, o que pressupõe ter sido o mesmo aconselhado como leitura em vários cursosde Ciências da Educação. Logo na primeira página, notei que S. Excia era um lírico. Eisa epígrafe escolhida: “Quem mais conhece melhor ama.” Afirmava seguidamente que,após a sua experiência como formador de professores, descobrira que estes não davam adevida importância ao rigor na “medição” da aprendizagem. Daí que tivesse decididodeterminar a forma correcta como o docente deveria julgar os estudantes. Qualquer
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