serra, mas, se preferir prazeres mais mundanos, poderá sempre dar um salto até às praias deVilamoura e Albufeira.
Quinta da Corte| Monchique
A
s curvas e contra-curvas que nos levam Serra de Monchique acima, em direcção a umAlgarve profundo e impoluto que quase já não existe, embalam-nos lentamente e fazem-nosentrar numa espécie de dormência profunda enquanto admiramos a paisagem. De repente, aoguinar o volante ao sabor da estrada, acordamos e despertamos os nossos sentidos para umvale verdejante, que surge na nossa frente vindo do nada, quase a destoar de toda aenvolvente, tantas vezes arrasada pelo fogo.Chegámos à Quinta daCorte, um pequeno recantocheio de vida, onde Helena eJosé, um jovem casalnascido e criado na região,puseram de pé o seu sonho.São eles, mais a suasimpatia e simplicidade, averdadeira alma desterefúgio que se ergue, sem estragar o cenário, no meio de 2,5hectares de terreno fértil que se alonga num declive. Ariqueza da terra explica-se graças aos socalcos trabalhadospela força do homem em séculos passados, que, para irrigar as terras, ainda trouxe as águas de uma nascente através deum túnel – uma espécie de levada algarvia. Neste terrenotudo pega e o pequeno rebanho de ovelhas criadas pelosproprietários – cada uma com o seunome de baptismo, carinhosamenteatribuído logo à nascença – serve comoum autêntico aparador da erva quecircunda as várias macieiras, pereiras,amoreiras, laranjeiras e limoeiros dosimpático pomar.De resto, éimpressionante ocontraste da paisagem mal se entra na últimacurva que dá acesso à Quinta da Corte. Ocastanho dos campos queimados transforma-serepentinamente num verde viçoso, seguramenteinfluenciado pelo facto de José e Helena tambémterem convencido um dos – poucos – vizinhos daaldeia da Corte, mesmo ali defronte, a tambémapostar na irrigação.Mas regressemos ao refúgio propriamente dito. Comuma arquitectura simples e de traçosassumidamente contemporâneos que em nada destoam da envolvente, aQuinta da Corte dispõe de quatro espaçosos quartos com pequenasvarandas a oferecer uma panorâmica digna de registo, uma sala de estar atravessada por enormes janelões e aquecida nas noites mais frias por uma lareira e, seguramente o mais importante, o contacto directo com anatureza.Apesar de já não vislumbrarmos por aqui aparições do ameaçado lince ibérico ou da águia-de-bonelli, há muito mais para ver. Por entre raposas, coelhos, perdizes ou javalis, a avifauna ériquíssima. Nas imediações poderá perder horas a admirar, entre outras tantas variadasespécies, gaios, chapins, tentilhões, cucos, rouxinóis, melros, corujas e mochos. Longe daconfusão, deixe-se ficar por estas paragens, a ver as horas passar noite fora, até ao despertar
Contacto: Quinta da Corte, Aldeia da CorteGrande, Serra de Monchique, 8550-909Monchique. Tel. 282 911 290,e-mailquintadacorte@clix.pt,www.quintadacorte.comTarifas: Quartos a partir de €75Serviços: Dispõe de canil. Pequenos-almoços incluídos. Restantes refeiçõesdevem ser encomendadas comantecedência. Organização de passeiospedestres pela serra, com possibilidade deadmirar as riquíssimas fauna e flora daregião. Os hóspedes podem participar naslides agrícolas da quinta e tratar dos muitosanimais (ovelhas e galinhas).Porca Preta Galeria & Restaurante(EstradaMonchique-Alferce, tel. 282 912 384, Preçomédio por refeição a partir dos €15). Abertohá sensivelmente dois anos, este espaço,composto por oito pequenas casas dealdeia, divide-se em galeria de arte erestaurante, onde são servidos os pratostípicos da região serrana. A não perder.Praias de LagoaConheça as praias de Caneiros, Vale deCenteanes ou da Marinha, a cerca de meiahora de carro. Escondidas por falésias erochedos a precipitarem-se sobre o mar,escondem pedaços de areia. Em alternativapode recorrer aos tratamentos do complexotermal das Caldas de Monchique(www.monchiquetermas.com), a minutos da
Quinta da Corte.
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