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4 a 10 de março de 2002 André Azevedo1º período de Jornalismo
Rosana Arantes, aluna do curso deServiço Social da Universidade de Uberaba, precisava “se virar” para confeccionar um panfleto de uma atividade relacionada àdisciplina. Imaginou que, se havia alguémna universidade que pudesse ajudá-la,certamente estaria na área de ComunicaçãoSocial. Chegou no bloco L sem conhecer ninguém e foi orientada a procurar algunsalunos que sabem trabalhar com produçãográfica. Assim como quem não quer nada, e naquele charme“especial” que só asmulheres têm, em algunsminutos mobilizou um,dois, três, quatro, cincomarmanjos prestativosque revezavam-se paraatendê-la com todas asatenções do mundo.Houve muito trabalho.Um
diagramou
, outroajustou aqui e ali, outroimprimiu o
layout
, outro
compactou
e um último pelejou até tarde paradescobrir como dividia oarquivo em vários disquetes.Arte final em uma mão, a outra dandotchauzinho, Rosana se foi, dizendo: “gente,obrigada por tudo”, enquanto os cincoeunucos, agora sem brilhos nos olhos, provavelmente fantasiavam loucas promessasque a garota, naturalmente, não fez.Um aluno de Biomedicina que preferiunão ser identificado, conta um caso clássicoque, segundo ele, já deve ter ocorrido commuitos sujeitos. “Fim de festa, a mina chega,dá mole, pede pra levar em casa, e não rolanada”, relata sucintamente. Segundo ele, oshomens se sentem enganados porque asedução da fêmea “é uma arma que elas tême a gente não sabe se defender”, diz.Perguntado se sabe lidar com os encantosfemininos, Victor Antunes, aluno deOdontologia, respondeu: “Eu não
guento
”.Lizandra Bontempo, aluna do curso deComunicação Social, acredita que pequenasdoses de sedução podem ser usadas paraconquistar alguns objetivos, desde que feitosem abusos e não causem constrangimentos.“É claro que não é legal uma pessoa passar por cima de todos só porque é muito bonita”,diz. Mesmo assim, Lizandra afirmou quenão costuma “jogar um agá” para, por exemplo, conseguir o atendimento maisrápido de um funcionário. Uma aluna docurso de Medicina Veterinária lembrou que,às vezes, uma necessidade muito grande pode fazer levar a mulher ao uso dessesexpedientes para alcançar o que precisa.“Mas isso não é uma coisa boa”, conclui.Evidentemente, o jogo da atração físicanão é privilégio da alma feminina. Asocióloga e professora da Universidade deUberaba, Maria de Fátima Ferreira, percebeque esses artifícios são utilizados por ambosos sexos. Ela cita Freud, dizendo queo tempo todo estamos, homense mulheres, tentando seduzir uns aos outros. Uma alunado curso de Biomedicinaque preferiu não seidentificar, insiste que oshomens utilizam-sedescaradamente desserecurso. “Os rapazesfazem isso com a gentetambém. Eles pintam e bordam. Muito homemapronta mesmo, faz até pior”, desabafa. Elaconfirma que o caso dacarona é clássico, mas nãoaprova esse comportamentona mulher. “Porque algumas moças fazem,acabamos todas com fama de
MariaGasolina
“, diz.Mesmo assim, quase todos osentrevistados concordaram que o domínioe a sutileza no uso da sedução é maisaguçado nas mulheres. “O homem não sabeseduzir. Sabe cantar”, resume Nínive Lage,funcionária da Biblioteca Central. SinaraGuinarães, aluna do curso de Odontologia,também percebe que a mulher é maissofisticada. Segundo ela, o instinto desedução é poderoso na alma feminina.“Além disso, o homem gosta de se submeter.Mesmo sabendo quando se trata apenas deum jogo de interesse, de uma fantasia, elesempre espera que vai conseguir tirar proveito e se deixa levar”, diz.A socióloga Maria de Fátima Ferreirasugeriu uma idéia que pode ser um começo para se desvendar essa charada. Ela afirmaque os propósitos do jogo da seduçãocostumam ser diferentes entre os sexos.“Para o homem, a sedução tem quasesempre o objetivo de concluir o ato sexual.A mulher muitas vezes seduz porque quer apenas proteção ou companhia”, afirma.Com o instinto sexual sempre alerta, ohomem estaria, portanto, constantemente àmercê. Lizandra Bontempo, quase semquerer, reforçou essa hipótese quandorespondeu à uma questão reformulada. Foi perguntado: “–Você usa do encanto feminino para conquistar pequenas vantagens nodia-a-dia?” A resposta foi: “–Não”.“–Você aproveita-se dessa fraqueza dohomem para conseguir pequenos einofensivos favores?” Depois de algunssegundos, sua resposta foi: “–Sim”.Priscila Dias, aluna do curso deComunicação Social, percebe essareciprocidade dos homens no jogo da atração. Além disso,lembra que os rapazestendem à encarar qualquer gentileza comouma cantada. “Homemsempre acha que quandoa garota está sendosimpática, já está a fim deoutras coisas. Mas namaioria das vezes não é. Éuma coisa impressionante”,afirma. Letícia Pinheiro,aluna do curso de MedicinaVeterinária, compartilhadessa avaliação. “Às vezes amulher só quer ser gentil,mas o sujeito entende mal”,diz. Os homens se defendem. RafaelFerreira, aluno do curso de Enfermagem,diz que as mulheres têm responsabilidadenessa confusão. “O jeito como muitas delasse vestem acaba provocando os homens. Ocara acaba pensando que a menina quer muitomais do que ser apenas simpática”, diz. Umaluno de um dos cursos de Licenciatura que preferiu não ser identificado entusiasmou-secom o tema. “Aqueles decotes, aquelas calçasapertadinhas, aquelas barriguinhas de fora parecem querer dizer: venha meu machovaronil, venha fertilizar esse ventre que é sóseu”, recitou. “Como acreditar que é sóamizade, e não namoro, sendo constante-mente provocado desse jeito? Não dá prasegurar a cabeça. O instinto de perpetuaçãoda espécie é muito forte”, completa.Mas a moça do começo da matéria quemobilizou um time completo de futebol desalão para confeccionar seu panfletotambém tem a sua versão. Ela não pensa que o uso da seduçãoseja legítimo para outrosfins que não o de umaconquista amorosa.“Esse carisma que vocêviu faz parte de meutemperamento,independente da pessoaser homem ou mulher”,diz. Mas Rosana, que temnamorado, sabe que esse jeitinho especial pode gerar expectativas equivocadas.“Quando o sujeito seentusiasma, sei impor limites.
Pô, meu
! Não é bem assim, você
viajou
.”Além disso, ela acreditaque a sedução, por si só, não consegue tudode bandeja. “Entendo que não é por aí. Nãoé através do instinto sexual que se conquistaas pessoas, mas sim pela simpatia pessoal, pelo comportamento bem-educado, pela postura decente, pela inteligência. É esse ocharme da vida”, arremata.
f o t o s : A n d r é A z e v e d o
Elas
Rafael Ferreira: “O jeito comomuitas delas se vestem acabaprovocando os homens”Nínive Lage: “O homem nãosabe seduzir. Sabe cantar”
As garras da fêmea
Mulheres colocam homens “no chinelo” comsedução sofisticada, e eles gostam
Ana Carolina,Sinara Guimarães, Andrea Mendes e Victor Antunes: – Eu não ‘guento’
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