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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER: a mulher enquanto sujeito da sua própria história

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER: a mulher enquanto sujeito da sua própria história

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O presente trabalho tem como objetivo investigar, por meio legislativo, teórico interdisciplinar e empírico, a potencialização dos conflitos de gênero e vitimizações femininas quanto à questão da violência doméstica contra a mulher. Comemorou-se no mês de setembro de 2007, o aniversário de um (01) ano da Lei denominada “Maria da Penha”, Lei n° 11.340/06, considerada pelos órgãos estatais e “senso comum” como uma inovação e uma conquista aos direitos das mulheres.
O presente trabalho tem como objetivo investigar, por meio legislativo, teórico interdisciplinar e empírico, a potencialização dos conflitos de gênero e vitimizações femininas quanto à questão da violência doméstica contra a mulher. Comemorou-se no mês de setembro de 2007, o aniversário de um (01) ano da Lei denominada “Maria da Penha”, Lei n° 11.340/06, considerada pelos órgãos estatais e “senso comum” como uma inovação e uma conquista aos direitos das mulheres.

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VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA CONTRA A MULHER:
a mulher enquanto sujeito da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria
Daniela Felix Teixeira1
RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo investigar, por meio legislativo, te\u00f3rico interdisciplinar e emp\u00edrico, a potencializa\u00e7\u00e3o dos conflitos de g\u00eanero e vitimiza\u00e7\u00f5es femininas quanto \u00e0 quest\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher. Comemorou-se no m\u00eas de setembro de 2007, o anivers\u00e1rio de um (01) ano da Lei denominada \u201cMaria da Penha\u201d, Lei n\u00b0 11.340/06, considerada pelos \u00f3rg\u00e3os estatais e \u201csenso comum\u201d como uma inova\u00e7\u00e3o e uma conquista aos direitos das mulheres. Todavia, busca-se demonstrar que no plano da efetividade dos direitos e garantias femininas \u2013 mulher enquanto g\u00eanero, a resposta pela tutela jur\u00eddico-penal n\u00e3o corresponde \u00e0 qualquer avan\u00e7o ou forma de conten\u00e7\u00e3o dessas viol\u00eancias. O arcabou\u00e7o legislativo penal, que ora criminaliza outra descriminaliza, nada tem contribu\u00eddo para minimizar ou conter esses conflitos violentos no \u00e2mbito dom\u00e9stico, que, trabalhando no horizonte da criminologia cr\u00edtica, demonstra-se que n\u00e3o reside na identifica\u00e7\u00e3o do sujeito criminoso, pautado no paradigma etiol\u00f3gico de criminalidade, e, sim, na perspectiva da desconstru\u00e7\u00e3o da estrutura\u00e7\u00e3o da Sociedade Moderna [capitalista-burguesa-patriarcal-sexista]. Por\u00e9m, todo este processo que a v\u00edtima \u00e9 a mulher tem um duplo efeito muito perverso: esse sistema reproduz a viol\u00eancia e potencializa a desigualdade sexual. Diante desta \u00f3tica apontada, constata-se a exist\u00eancia de um processo de crescente criminaliza\u00e7\u00e3o de todos os estratos sociais e, especificamente, no que toca \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher. Indica-se, por fim, que essa vitimiza\u00e7\u00e3o imposta pelo Sistema Penal, aqui focado nas mulheres, frustra quaisquer projetos emancipat\u00f3rios enquanto luta de classe e g\u00eanero e, tamb\u00e9m, enquanto sujeito das suas rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas.

PALAVRA-CHAVE:criminologia \u2013 cr\u00edtica \u2013 viol\u00eancia \u2013 dom\u00e9stica \u2013mulhe r
\u00c1REA TEM\u00c1TICA: Sociedade, Controle Social e Sistema de Justi\u00e7a
1. INTRODU\u00c7\u00c3O

O artigo que se pretende trabalhar, pauta-se na an\u00e1lise dos problemas que gravitam na \u00f3rbita da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher, relacionando-os aos demais fatores que influenciam diretamente a vitimiza\u00e7\u00e3o feminina, tais como: o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista burgu\u00eas da Modernidade, a perpetua\u00e7\u00e3o do modelo de

1 A Autora \u00e9 Advogada e Mestranda no Programa de Mestrado CPGD/UFSC, sob a Orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Dra.
Vera Regina Pereira de Andrade. Endere\u00e7o eletr\u00f4nico: adv.danielafelix@uol.com.br.
2
sociedade patriarcal, a nega\u00e7\u00e3o de problemas de g\u00eaneros e, ainda, a publiciza\u00e7\u00e3o
da vida privada e dom\u00e9stica.

O objetivo geral \u00e9 investigar a tem\u00e1tica da viol\u00eancia dom\u00e9stica, por meio da legisla\u00e7\u00e3o vigente, inclu\u00eddo-se a Lei Maria da Penha \u2013 Lei n\u00b0 11.340/06, que completou um (01) ano de vig\u00eancia em setembro de 2007, e da diversidade interdisciplinar que envolve a discuss\u00e3o. Especificamente, objetiva-se apontar que as modifica\u00e7\u00f5es e altera\u00e7\u00f5es nas pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, no \u00e2mbito dom\u00e9stico, demonstram-se inefetivos e que a tutela jur\u00eddico-penal, por via do Sistema Penal, na resolu\u00e7\u00e3o desses conflitos n\u00e3o constroem qualquer forma de emancipa\u00e7\u00e3o feminina, seja como classe ou como g\u00eanero.

Prop\u00f4s-se para tanto, a reflex\u00e3o sob a perspectiva de que o Sistema Penal atual, por meio da produ\u00e7\u00e3o legislativa e seus \u00f3rg\u00e3os de controle, criminalizam cada dia mais a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher, e, como agravante, colocam-na na condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima do processo e da rela\u00e7\u00e3o intrafamiliar, ainda, o Estado [Provid\u00eancia] empresta seu \u201combro\u201d para que nele esta v\u00edtima encontre a solu\u00e7\u00e3o de seus conflitos.

Todavia, busca-se sustentar a perversidade desse sistema que reproduz essa viol\u00eancia e potencializa a desigualdade sexual. Justifica-se, ainda, que esse papel imposto \u00e0s mulheres, de \u201cv\u00edtimas\u201d, frustra qualquer projeto emancipat\u00f3rio, enquanto classe e enquanto g\u00eanero, vez que se retiram as ferramentas apropriadas de lutas femininas, despersonificando-as.

Este estudo possibilitar\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica sobre quais as quest\u00f5es de enfrentamento para as possibilidades de uma mudan\u00e7a desse paradigma institu\u00eddo, em que a mulher ultrapasse a condi\u00e7\u00e3o de \u201cv\u00edtima\u201d aos olhos do Estado, da Sociedade e delas mesmas e passe a ocupar seus espa\u00e7os, dom\u00e9sticos e sociais, como locais de emancipa\u00e7\u00e3o e efetiva constru\u00e7\u00e3o da cidadania.

2. A CONTEXTUALIZA\u00c7\u00c3O HIST\u00d3RICA DA CONDI\u00c7\u00c3O DA MULHER NA
MODERNIDADE
3

Para se entender como a mulher se constituiu como um ser singular na sociedade Moderna2, precisa-se, primeiramente, compreender como foi trilhado o seu caminho e o quanto ela contribuiu para fazer sua hist\u00f3ria.

Como caminho natural desta compreens\u00e3o de ser, deve-se, de igual forma, compreender como se constituiu o modelo de sociedade patriarcal, que atravessou s\u00e9culos e atualmente continua imperando neste in\u00edcio do s\u00e9c. XIX, como forma de domina\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres e, ainda, quais s\u00e3o as perspectivas de g\u00eanero que podem ser tomadas a partir desta compreens\u00e3o hist\u00f3rica da Mulher.

Para tanto, necess\u00e1rio se faz o resgate desde a mulher primitiva, at\u00e9
nosso modelo atual3.

Pois bem, pouco se sabe sobre a condi\u00e7\u00e3o da mulher primitiva, mas \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o a sua constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica diferente da do homem. As mulheres, por serem mais fr\u00e1geis e biologicamente destinadas \u00e0 maternidade, n\u00e3o puderam, nos prim\u00f3rdios da era atual, fazer parte das conquistas e da luta pela exist\u00eancia.4Ao per\u00edodo que antecede a fixa\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 terra, a mulher, por

passar a maior parte da sua vida destinada \u00e0 procria\u00e7\u00e3o, teve de depender da a\u00e7\u00e3o masculina para garantir a sua sobreviv\u00eancia e da sua prole. Ela desempenhava tarefas pesadas, era ela que levava os fardos durante as migra\u00e7\u00f5es, por\u00e9m era subjugada ao poder do macho, pois este era quem provia os recursos necess\u00e1rios para sua manten\u00e7a, bem como a de seus filhos. \u00c0 medida que necessitava buscar recursos em outras regi\u00f5es, devido ao aumento da popula\u00e7\u00e3o, escassez de alimentos, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, etc., o grupo precisava deslocar-se, surgindo, em virtude destas conting\u00eancias, os povos n\u00f4mades. Foi nesse per\u00edodo que o homem come\u00e7ou a utilizar-se das inven\u00e7\u00f5es para poder transcender ao meio em que vivia.

2 Por Modernidade entende-se o per\u00edodo compreendido entre o final do s\u00e9culo XVIII e os dias atuais, cf.
ANDRADE: \u201cemergindo como um processo s\u00f3ciocultural entre o s\u00e9culo XVI e o final do s\u00e9culo XVIII, \u00e9 apenas

no s\u00e9culo XVIII que a modernidade passa a se materializar, e este momento coincide com a apari\u00e7\u00e3o do capitalismo como modo de produ\u00e7\u00e3o dominante nas sociedades capitalistas avan\u00e7adas. Embora, pois, preceda ao aparecimento do capitalismo, desde ent\u00e3o est\u00e1 vinculado ao seu desenvolvimento\u201d [ANDRADE, Vera Regina

P. de. A ilus\u00e3o da seguran\u00e7a jur\u00eddica, p. 24].
3 A contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da mulher foi constru\u00edda a partir de duas obras centrais, eleitas pela acad\u00eamica
como importantes, sem preju\u00edzo de quaisquer outras bibliografias que versem sobre a tem\u00e1tica, todavia, como
fidelidade temporal seguiu-se a cronologia e a concep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica propostas por: BEAUVOIR, Simone.O
segundo sexo. trad. S\u00e9rgio Milliet. vol. 1. 4. ed. Portugal: Bertrand, 1987. 355 p. (segunda parte); e

HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX, 1914/1991. trad. Marcos Santarrita. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995. 598 p. Na medida em que se fez necess\u00e1rio, foram inclu\u00eddas outras obras, para ilustrar e complementar o texto.

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