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Jornalismo on-lineProf. Artur Araujo –e-mail: artur.araujo@puc-campinas.edu.br / site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ Página 1 de 4
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃOFACULDADE DE JORNALISMO
 
Telefone celular: a notícia na telinha
Paulo Henrique de Oliveira Ferreira
FERREIRA, Paulo Henrique de Oliveira.
Telefone celular: a notícia na telinha
. In: NOJOSA, Urbano (org). O designcontemporâneo, Nojosa : São Paulo. 2007, p – 57-72
Introdução
O telefone celular já se firmou como uma ferramenta de comunicaçãoprotagonista na sociedade humana. Sobretudo desde a década de 90, as redes celularespassaram de analógicas para digitais, as linhas telefônicas ficaram mais baratas e osdispositivos ficaram sofisticados, com capacidade dc transmissão de dados e acesso àinternet.Este vigoroso desenvolvimento tornou o mercado de telefonia celular maiscomplexo. Devido à necessidade de aumentar os serviços disponíveis no celular, asoperadoras induzem empresas de outros segmentos (editorial, bancário, serviçoscorporativos, etc) a publicarem seus serviços nas redes de telefonia móvel. Nestesentido, a estratégia de operadoras em todo mundo contempla também os interesses dasempresas jornalísticas, que por sua vez já enxergam o potencial do celular como umnovo suporte multimídia para difusão de notícias e informações em geral.O objetivo deste artigo, portanto, é conhecer um pouco mais sobre astecnologias já disponíveis para a publicação de conteúdo móvel e alguns casos que jáestão em operação em diversos países. Os aspectos analisados no presente artigoservirão para mostrar que “à imprensa, ao rádio, à televisão e à intemet, agora se adicionou o telefone celular, o quintosuporte por onde pode se transmitir conteúdo informativo em massa” (BRAGINSKI, 2004).
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Tecnologias móveis
O primeiro serviço comercial de telefonia celular foi oferecido em 1978, em Bahrein, no Golfo Pérsico. Em1979, a operadora japonesa NTT inaugurou uma rede que cobria a área metropolitana de Tóquio. Em 1981, a novidadechegou à Cidade do México, a primeira cidade das Américas a ter uma rede celular comercial. Neste mesmo ano, oseuropeus também inauguraram sua telefonia celular e, em 1982, foi a vez dos americanos entrarem no jogo, com acriação do padrão analógico, que foi adotado por diversos países no mundo - inclusive no Brasil, que inaugurou suaprimeira rede celular em 1990. (GRECO, 2003, p. 58 e 59).E após a comercialização do padrão analógico — batizado pelo mercado de “primeira geração” de celulares (1G) — foram desenvolvidas as redes digitais, que oferecem recursos multimídia para transmissão de dados. TAURIONdefine bem esta evolução tecnológica das redes:
a indústria classifica os sistemas de telefonia celular em gerações: a primeira geração (1 G) analógica; a segundageração (2G),já digital e em uso intenso no Brasil; a segunda e meia geração (2.5G), com melhorias significativas emcapacidade de transmissão de dados e na adoção da tecnologia de pacotes (...); a terceira geração (3G), ainda emexperiências iniciais no Japão e na Europa. E já em desenvolvimento a 4G”(TAURION2001,p. 17).
Portanto, com o advento das redes 2G e 2.5G — encontradas em pleno funcionamento no mundo — é que ocelular passou a ser utilizado para aplicações além da voz, como envio e recebimento de mensagens de textos, sons eimagens. Para Souza e Silva os aparelhos móveis “já não são mais apenas telefones celulares, mas incluem SMS(Torpedos), imagens, vídeo, conexão com a Intemet e sistemas de posicionamento celular” (SOUZA E SILVA, 2004, p.165).
Tecnologias do jornalismo móvel
Com a introdução no mercado de aparelhos celulares cada vez mais sofisticados, hoje um aparelho médio tem acapacidade de transmitir mensagens curtas (SMS) e acessar a internet através do protocolo WAP. Afora estes doisrecursos, já existem novas tecnologias que permitem a utilização de recursos multimídia, como o MMS e o Imode —sistema japonês que não opera no Brasil. Estes recursos serão apresentados na próxima sessão do artigo e nos darãobase para conhecer os casos de difusão de notícias no celular através destas tecnologias, já desenvolvidos no mundo.
WAP
Desenvolvido em 1997 por um pool de empresas (Phone.com, Ericsson, Nokia e Motorola), o WAP WirelessApplication Protocol) foi projetado para ser um padrão aberto para transmissão de dados sem fio, difundido em escalaglobal (GRANATO, 2000, p. 2).Lançado em diversos países no mundo, o WAP foi divulgado como a chegada da “internet móvel”, causandogrande expectativa no mercado mundial. No entanto, o WAP não era a internet móvel, mas sim um sistema de acesso
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http://www.periodistaonline.com. ar/uvirtual/uvirO6_072004 .htm
 
 
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sem-fio, monocromático e lento. No primeiro momento, o sistema “não emplacou no Brasil. Nem aqui, nem emqualquer outra parte do globo” (GUIZZO, 2001).
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 Mas nem a frustração generalizada foi suficiente para riscar o WAP do mercado. Pelo contrário, hoje oprotocolo encontrou seu lugar no ambiente móvel, fornecendo aplicações maduras e com um modelo de negócio maisflexível. Hoje, por exemplo, o acesso via WAP pode ser cobrado por pacote de dados — os consumidores pagam pordados recebidos, e não por tempo de conexão — modelo que torna o serviço mais barato. Como reflexo destamaturidade, a VIVO (maior operadora da América Latina), anunciou a marca de 1.2 milhão de clientes únicos de WAPem sua rede, em janeiro de 2004
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SMS
O SMS (Short Message Service) é o serviço de mensagem curta para celulares, com capacidade de envio demensagens de texto de até 160 caracteres. Desenvolvida a partir da tecnologia de transmissão de mensagens curtas dosantigos pagers, o serviço foi incorporado nos celulares em 1992.Com um modelo de negócio claro (o usuário paga por mensagem enviada), a utilização de SMS se popularizouentre os usuários. Conhecido informalmente como “Torpedo”, o SMS logo assumiu a dianteira das aplicações móveis efoi o grande propagador do uso de dados nos celulares. Segundo estimativas do mercado brasileiro, em 2003, “o tráfegode SMS no país foi de aproximadamente 7 bilhões de mensagens” (PAIVA, 2004, p. 17).
MMS
MMS (Multimedia Message Service) é o termo popular para o serviço de mensagens multimídia. O serviçopossibilita o envio de mensagens multimídia, com imagens coloridas, texto e sons. Para FIORESE,
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“sendo umaevolução do serviço SMS, o serviço MMS terá muito do seu sucesso baseado na interoperabilidade” (2002).Ou seja, seguindo o modelo do SMS — de envio de mensagens entre usuários de operadoras diferentes — atecnologia tem potencial de sucesso pela sua simplicidade de uso, alta penetração entre usuários e modelo de negóciobaseado na cobrança por mensagem enviada. O MMS foi lançado comercialmente no Brasil em dezembro de 2002.
Imode
Lançado no Japão em 1999, o Imode é o nome fantasia do sistema proprietário da operadora japonesaNTTDoCoMo. Desenvolvido em c-HTML — uma linguagem derivada do HTML — tem como resultado uma interfacemuito parecida com as páginas disponíveis na World Wide Web.Mesmo com uma taxa de transmissão de dados a 9.6 kbps, o sistema fez sucesso, pois seu modelo de cobrançapor pacote de dados (e não por tempo de conexão), tomou o acesso ao serviço uma experiência ágil e economicamenteviável.Sobre este aspecto RHEINGOLD ainda destaca que os criadores do Imode estabeleceram diretrizes básicaspara seu lançamento comercial: “o telefone deveria pesar menos que 100 gramas e o serviço básico do sistema deveriacustar menos que 300 Yen (menos que U$ 3) por mês” (2002, p. 9). Outra característica que assegurou o sucesso dosistema foi a abertura da rede para provedores de conteúdo. Com o modelo de negócio sistemático, baseado em divisãode receita (9% da assinatura do conteúdo em questão vai como comissão para a operadora e 91%, para o produtor), arede passou a oferecer toda a sorte de serviços para os usuários, através de “mais de 1800 sites oficiais com serviçosexclusivos e 47 mil páginas compatíveis com o IMode” (YURI, 2001, p. 74).
Casos
Estas tecnologias são as atuais protagonistas para que os veículos possam disponibilizar suas notícias nocelular. A partir delas foi possível desenvolver modelos de “jornalismo digital móvel” (BRAGISNKI, 2004) emdiversos países, como veremos adiante.
Japão
Com o sucesso do lançamento do Imode, o Japão se tornou um caso paradigmático de uso de celulares.Lançado em 1999, hoje o Imode contabiliza quase 42 milhões de usuários que acessa o seu conteúdo, em uma naçãocom cerca de 80 milhões de usuários de telefonia celular.
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Incentivando o acesso a dados móveis, a NTT DoCoMo criouum catálogo de sites oficiais, desenvolvidos por empresas que fecharam parceria com a operadora. Estes sites cobramassinatura dos usuários, valores que são debitados na conta telefônica, e dividem a receita com a operadora. Hojeexistem cerca de 4 mil sites oficiais, que disponibilizam conteúdo para os assinantes.
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 O Asahi Shimbum é o caso de maior destaque no jornalismo por celular no Japão. Mesmo sendo o segundo jornal impresso com maior circulação do país — ficando atrás do Yomiuri Shimbun — o Asahi é, de longe, o maisacessado via celular, com cerca de 1 milhão de assinantes da versão sem fio do jornal — contra 330 mil usuários que
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http://www.compera.com.br/imprensa_view.asp?cat=2&id_noticia46
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http://www.vivo.com.br/imprensa_press061.php
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http://geocities.yahoo.com.br/wire1essbrasi1/virgi1io_fiorese/ valor_adicionado_05.html
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http://www.nttdocomo.co.jp/english/corporate/intestor_relations/reference/presentations/Pdf/240507/P03 .pdf 
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http://www.nttdocomo.comlcompanyinfo/subscriber.html
 
 
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assinam o concorrente Yomiuri pelo celular. Cobrando uma taxa de assinatura única por mês (100 yenes - U$ 0.94), oAsahi conseguiu alcançar novos leitores, sobretudo entre a população mais jovem do país:
 A empresa procurou caminhos para almejar o mercado jovem. Pessoas nos seus 20 anos correspondem apenas a 15% dosleitores do Asahi. A edição impressa matutina vende 8 milhões e a vespertina vende 4 milhões, mas são mais popular entre pessoas da faixa etária de 50 anos ou mais. Correspondentemente, o site do jornal na web atinge uma faixa mais jovem, amaioria pessoas entre seus 30 e 40 anos, e a maior audiência do site wireless está entre seus 20 e 30 anos” (BETTI, 2004, p. 21).
Para publicar as notícias, o jornal adapta para a tela do celular — através de um software automático — cercade 120 notícias em tempo real por dia, que são produzidas para a versão do jornal na Web. Os não-assinantes podem leras manchetes, mas para ter acesso ao conteúdo, o usuário deve solicitar a assinatura do Asahi Shimbun sem fio no menudo celular. Hoje a divisão wireless do Asahi gera uma receita de 1 bilhão de yenes por ano e 70% dos usuários assinamos serviços por mais de um ano. 20% deles acessam o site mais do que 5 vezes ao dia (ibid, p. 21).
Europa
Depois do Japão, o continente europeu é a região onde a telefonia celular mais tem influenciado nos hábitos dapopulação. Países como Finlândia, Noruega, Holanda, Alemanha e Itália já levantam a discussão sobre como levar oconteúdo noticioso para as redes de telefonia móvel. Um exemplo deste debate foi o fórum realizado na Itália, no dia 14maio de 2004, para buscar alternativas para aumentar o interesse dos jovens por leitura de jornais. Organizado peloObservatório Permanente para a Juventude e Editores, o evento reuniu editores de jornais como Los Angeles Times,USA Today, New York Post e El Mundo, que apontaram os telefones celulares como uma alternativa viável paradifusão de notícias, sobretudo entre a população jovem:
os celulares estão cada vez mais invadindo o espaço do rádio, televisão e mídia impressa. Segundo editores de jornais erevistas dos Estados Unidos e Europa, o fenômeno se deve ao fato de que os celulares são mais rápidos para transmitir notícias e estão o tempo inteiro à disposição de seus donos. (MAGALHÃES, 2004).
 
Esta percepção é endossada a partir de casos como na Finlândia, onde funcionam serviços de informaçõesdestinados ao grande público, como por exemplo, notícias sobre esporte. O serviço da Finnish Elite League Games, aprimeira divisão do hockey no país, oferece informações em tempo real, para todos os celulares, com dados dos jogosda rodada. Segundo PAKAR1NEN, na Finlândia “alertas de SMS, dando as últimas estatísticas, placares, toquesmusicais ou imagens são lugares comuns” (2004, p. 47). Diferente de 2001, não há mais hype em tomo de SMS, pois osserviços mencionados funcionam: “os serviços não tiram o fôlego de tão avançados, mas diferente de 2001, elesfuncionam. Todos os dias” (p. 47).Mas além da Finlândia, existem outras iniciativas na Europa que valem a pena serem lembradas. A operadoraKPN, por exemplo, levou o sistema japonês Imode, para funcionar na Holanda, Alemanha e Bélgica. Com parceria com jornais como De Telegraaf, De Volkskrant, Dutch Press Agency, Reuters, Dow Jones/Wall Street Joumal e CNNMobile, a operadora pratica o modelo de divisão de receitas, com números semelhantes ao praticado pela NTTDoCoMo: 14% da receita com assinaturas fica com a operadora e 86% vai para o provedor de conteúdo (CAMPBELL,2004).
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Outras regiões
Os Estados Unidos é um país onde a transmissão de dados via telefonia celular ainda está em amadurecimento(SOUZA E SILVA, 2004, p. 229). No entanto, este caminho já se mostra irreversível. Talvez a maior evidência desteprocesso é o produto CNN Mobile, um dos mais populares serviços de informação via celular em todo o mundo. A redeamericana oferece uma gama de serviços que vai desde 25 categorias de alerta de SMS, WAP e serviços multimídia.Nos EUA, o serviço já está disponível nas principais operadoras do país, que cobram por alertas enviados, porassinatura, ou ainda, por pacote de dados, durante a navegação em WAP. O serviço também está disponível paradiversas operadoras da Europa, America Latina, Ásia e Oriente Médio. Ao todo são 24 países que disponibilizam oconteúdo da CNN Mobile para mais de 90 milhões de assinantes.
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 Tal qual nos EUA, no Brasil, as principais operadoras locais (Vivo, Claro, TIM e Oi) oferecem canais deesporte, notícias financeiras e boletins diários. Segundo levantamento feito pela revista VEJA (2004, p. 115), asoperadoras cobram de R$ 0,14 a 0,99 centavos por SMS com notícia enviada para o celular do usuário, ou aindaoferecem assinaturas mensais para recebimento de boletins diários. Segundo a reportagem, há a opção de notíciasatravés de navegação WAP, cobrada por minuto (cerca de R$ 0,36 o minuto), ou ainda, já há a opção de navegaçãoWAP cobrada por pacotes de dados, cujo preço varia entre 0,04 a 0,05 por kbyte navegado.As empresas brasileiras de conteúdo também já se posicionaram neste mercado: no dia 24 de março de 2000, aFolha de São Paulo lançou o “Fo1haWAP”, o primeiro serviço dc notícias por celular no Brasil. Hoje, a Folha de SãoPaulo não só continua oferecendo serviços de WAP e SMS, como lançou, em dezembro de 2002, o serviço “Fotogol”
http://www.estadao.com.br/tecnologia/informatica/2004’mai/11/56.htm
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http://www.ifra.com/website/ifra.nsf/html/ENS_mobile_services
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http://edition.cnn.comlmobile/service.providers.html
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