famosa estância 145 do Canto X, muito próxima do final daobra:
Nõ mais, Musa, nô mais, que a Lira tenhoDestemperada e a voz enrouquecida,E não do canto, mas de ver que venhoCantar a gente surda e endurecida.O favor com que mais se acende o engenhoNão no dá a Pátria, não, que está metidaNo gosto da cobiça e na rudezaDua austera, apagada e vil tristeza.
(est. 145, C. X)
Acentue-se que não é do canto o desencanto, mas dagente nele cantada, que afinal não estará à altura de talsublimidade. O que contradiz o postulado da Invocaçãoinicial, em que o poeta suplica às Tágides:
Dai-me igual canto aos feitos da famosaGente vossa, que a Marte tanto ajuda,Que se espalhe e se cante no Universo,Se tão sublime preço cabe em verso.
(Est. 5, C. I)
Digamos que se altera – que quase se inverte – aposição do poeta perante o valor do objecto do canto àmedida que, por contraste, uma progressiva auto-consciênciado valor do canto se acentua. Num resumo grosseiro, dir-se-ia que quanto mais o poeta conhece os homens, mais valorconfere à poesia. Que a
poiesis
, enfim, não ilumina a3
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Para os meus alunos.