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Área urbana tem graves problemas ambientais
Por Vera Lúcia da Costa Antunes*Especial para a Folha
Os principais problemas ambientais em áreas urbanas são a poluição atmosféricaprovocada pelo excesso de resíduos (sólidos, líquidos ou gasosos) capazes de colocarem risco a biosfera.
Os principais responsáveis pela poluição do ar são: transportes, instalaçõesindustriais, centrais termoelétricas, queimadas, incineração de lixos.
Os principais poluentes são: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, monóxidode nitrogênio, chumbo, dióxido de carbono e outros, que provocam desde sériosproblemas respiratórios até as chuvas ácidas.
Inversão térmica: concentração de ar frio junto ao solo impedindo a dispersão depoluentes eventualmente aí lançados; ocorre no inverno em centros urbanos.
Ilhas de calor: aumento da temperatura nos centros urbanos devido à concentraçãoexcessiva de cimento, asfalto, recobrindo o solo e refletindo o calor solar, e à falta decirculação atmosférica.
Chuvas ácidas: precipitação em que o pH se apresenta abaixo de 5,0; trata-se deassociação da água da precipitação com elementos (principalmente enxofre) lançadosna atmosfera por fábricas, refinarias, automóveis.
Destruição da camada de ozônio: gás instável (O3) que se encontra distribuídoprincipalmente na estratosfera e que impede a penetração de raios ultravioletasnocivos à vida. Seu desaparecimento ou diminuição pode vir a provocar câncer de pele.Detectou-se a presença de um "buraco" sobre a Antártida que estaria aumentando.São duas hipóteses para sua formação: natural ou provocada pela emissão de CFC(clorofluorcarbonetos).
Efeito estufa: dispersão de gás carbônico na atmosfera, devido à sua emissão porparte dos automóveis ou queimadas, provoca uma retenção das radiaçõesinfravermelhas na camada atmosférica, podendo acarretar um aumento datemperatura do planeta e trazendo como consequências o derretimento de gelo nospólos e o aumento do nível oceânico e de vapor d'água na atmosfera.
 
mudanças ambientais globaisS
e você fosse enumerar as dez coisas mais importantes para o ser humano, será que omeio ambiente estaria incluído nessa lista? Foi essa a provocação feita por CarlosNobre pesquisador do Inpe e presidente do Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (IGBP), durante o 10 Simpósio Brasileiro sobre Mudanças Ambientais Globaisna cidade do Rio de Janeiro.
Nosso modelo industrial incentivador do consumo tem tudo a ver com a degradaçãoambiental que vivenciamos atualmente
. - Foto: Mario MoscatelliDesde que o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) divulgou seuúltimo relatório em fevereiro deste ano, a questão climática está na agenda degovernantes, pesquisadores e jornalistas. A redução da incerteza sobre aresponsabilidade humana no aumento das temperaturas globais e a constatação deque a mudança climática já é uma realidade vem causando grande impacto na opiniãopública, sem, infelizmente se traduzir em atitudes efetivas para mitigar asconseqüências das transformações climáticas que estão por vir.Segundo o Físico Luís Pinguelli, da UFRJ, estudos realizados em 2006 dão conta de queo consumo de energia per capta dos países desenvolvidos vem aumentando. As metasde redução de emissão de CO2 propostas pelo protocolo de Kioto também estão longede ser alcançadas. A primeira avaliação feita pelas Nações Unidas sobre as emissõesapós o Protocolo de Kyoto entrar em vigor, traz resultados decepcionantes. Os paísesricos somados tiveram uma queda de apenas 3,3% em média nas emissões nosúltimos 15 anos (que deveria ser 5,2% até 2012).O Prof. Eduardo Viola, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade deBrasília confirma a obsolescência da Convenção de Mudanças Globais e do Protocolo deKioto em relação a classificação dos países pertencentes ao Anexo 1 ( aqueles queobrigatoriamente estabeleceram metas de redução de emissões de gases de efeitoestufa), uma vez que não estava previsto o super crescimento da China e da Índia,países que juntos possuem 35% da população mundial. O Professor acredita que há anecessidade de grandes negociações entre os maiores emissores de CO2, que hoje
 
são: Estados Unidos, União Européia, China, Rússia, Japão, Índia, Brasil, Canadá,Austrália, África do Sul, México e Indonésia.Para ele, o Brasil deveria assumir uma atitude pró-ativa no que diz respeito à reduçãodas emissões de CO2. Diferente dos países desenvolvidos cujas emissões dizemrespeito à queima de combustíveis fósseis o Brasil se beneficia do potencial hidráulicode seus rios gerando 88% da energia consumida no país. Lamentavelmente asqueimadas respondem por aproximadamente 70% das emissões brasileiras de gasesdo efeito estufa, indicando o mau uso do solo. Comprometendo-se com metas de curtoprazo para frear o desmatamento que hoje corresponde a uma média de 20 milha/ano, propondo-se a reduzir este número para uma taxa anual de 7 mil ha/ano, oBrasil assumiria uma posição invejável e respeitável, com custos muito mais baixos doque aqueles com que a União Européia terá que arcar para atingir sua meta de reduçãode 20% das emissões, por exemplo.Para Britaldo Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG(Universidade Federal de Minas Gerais), “o próximo protocolo do clima que sucederKyoto tem que contemplar créditos de carbono devido ao desmatamento evitado. Issorenderia, com o custo da tonelada de carbono colocado de US$ 5, mas já se fala emUS$ 20, algo entre 80 a 320 bilhões de dólares na comercialização dos créditos decarbono. Este é um valor extremo e corresponde à diferença entre o pior para melhorcenário de desmatamento futuro e admitindo que a área que pode ser evitada é de 1milhão de km2 ”. O investimento anual em conservacão na Amazônia hoje éUS$0,06bi, enquanto hoje o gasto com subsídios agrícolas na Europa é da ordem deUS$ 180 bi e nos EUA US$ 120 bi.
O metano liberado pelo sistema digestivo dos ruminantes possui um poder deaquecimento global 23 vezes maior que o CO2
.A esquizofrenia em busca do desenvolvimento vem deixando em último plano asquestões ambientais. Em nome de outros ciclos produtivos como café, cana e outros,só nos restam 7% da Mata Atlântica.
, com seus 2 milhões de km2, possui40 milhões de cabeças de gado que produzem 7 teragramas (Tg = 1012g) demetano/ano que corresponde ao consumo de combustível de 36 milhões de veículos depasseio segundo a Prof. Aparecida Bustamante da Universidade de Brasília. O metanoliberado pelo sistema digestivo dos ruminantes possui um poder de aquecimento global23 vezes maior que o CO2.
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