3
APRESENTAÇÃO
Em 1984, trabalhando na Secretaria Municipal de Educação de Juiz deFora, percebemos que as maiores dificuldades apresentadas pelos professoresda rede acabavam por esbarrar nos problemas da avaliação da aprendizagemde seus alunos.Levantamentos, estudos e pesquisas revelaram, em avaliações externasàs escolas, que tanto havia egressos de série ou de grau sem a menor condiçãoda certificação recebida, como havia alunos reprovados em perfeitas condiçõesde enfrentar a série subseqüente ou, até mesmo, de concluir seu grau.Imediatamente, os membros da equipe técnica levantavam uma série dehipóteses, que variavam das mais simplistas, baseadas na condescendência ouna exigência prepotente dos diversos professores, até as mais complexas,fundamentadas nas teorias econômicas, sociais, culturais ou pedagógicas maissofisticadas.À época, desenvolvia-se, em algumas escolas da municipalidade, oProjeto "Interação entre Educação Básica e Contextos Culturais Específicos"
2
,numa articulação da Secretaria Municipal de Educação com a Secretaria deCultura do Ministério da Educação. Nas “escolas do Projeto", o registro dosresultados das verificações de aprendizagem apresentava médias acima dasdemais escolas. Travou-se então uma polêmica: de um lado, os defensores do“Projeto Interação...” atribuíam o sucesso dos alunos às inovações por eleintroduzidas no desenvolvimento das atividades escolares; de outro, os que delenão participavam, a ele debitavam uma certa "facilitação", que falsificava osresultados reais.Provocado por toda essa situação, mas sem qualquer pretensão deoferecer trabalho original, mas apenas uma síntese da literatura até entãoproduzida sobre o tema, propusemo-nos a condensar os estudos especializadosdisponíveis e, ao mesmo tempo, sistematizar experiências que vivenciáramosanteriormente, na qualidade de professor de 1.º grau, em várias escolas
3
. Daíresultou o
Manual de Subsídios; Avaliação Qualitativa
(ROMÃO, 1984).Não era a primeira vez, nem seria certamente a última, que nosdefrontávamos com uma tensa situação que afetava especialistas, professores,alunos e pais, em decorrência da centralidade da avaliação da aprendizagem no
2Uma avaliação sobre o desenvolvimento deste projeto no Brasil está contido na publicação doMinC/IPHAN (1996).3A maior parte das experiências mais inovadoras, porém, vivenciamo-las nos Colégios Vital Brasil (Juizde Fora) e Wellington (São Paulo), cujos diretores, respectivamente, Professor Antônio Detoni Filho eProfessor Wellington Moraes Folster abriram espaço para que elas acontecessem. A eles, registro meureconhecimento, extensivo a todos quantos puderam compartilhar de nossas "audácias realistas" no campoda avaliação do rendimento escolar.