Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
7Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Crítica Textual

Crítica Textual

Ratings: (0)|Views: 289|Likes:
Published by andrerl1
AAAA
AAAA

More info:

Published by: andrerl1 on Nov 06, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/03/2013

pdf

text

original

 
CAPÍTULO
I -
A TAREFA DA CRÍTICA TEXTUAL
(Extraído B. P. Bitencourt)
1
 Entende-se por crítica textual toda pesquisa cientifica em busca da verdadeira forma de um documentoescrito no original, ou, pelo menos, no texto mais próximo do original. No que diz respeito aos autores dosúltimos quatro séculos, depois da genial invenção de Gutenberg, podemos estar certos de possuirmos suasobras exata mente como foram escritas, salvo raras exceções, particularmente quanto a erros tipográficos demenor importância. Já não se pode dizer o mesmo a respeito das obras que circularam em manuscrito antesda invenção da imprensa. Não é de admirar que os escritos copiados múltiplas vezes, uns cuidadosamente,mas outros sem maiores cuidados, e isto durante séculos, sofressem múltiplas e variadas alterações. Istoconstitui, nos diferentes documentos conhecidos da mesma obra, o que se chama de variantes ou textosdivergentes. E a crítica textual, particularmente a do Novo Testamento, tem por objetivo a escolha do texto,entre todos os encontrados nos vários manuscritos, que possua a maior soma de probabilidades de ser ooriginal ou a forma primitiva do autógrafo, já que não possuímos nenhum dos autógrafos do Novo Testamento,mas apenas cópias e algumas delas distantes mais de dois séculos do original.Esta busca científica dos originais ou dos textos que lhes sejam mais próximos é de extrema dificuldade,cheia de problemas de vasta complexidade. A regra geral nos leva a concluir que, quanto mais distante dosautógrafos, tanto quanto ao tempo como quanto ao número de cópias, maior a corrupção do texto, maior asoma de erros. No entanto, esta regra não é absoluta.Há obras, e o Novo Testamento é deste tipo, onde a matéria em si leva o copista a correçõesintencionais, e a corrupção, neste caso, não estaria em função da distância que separa a cópia de seu original,nem quanto ao número de cópias nem mesmo quanto ao tempo, mas em função direta e inequívoca damatéria a ser copiada. Entretanto, o maior número de cópias torna os labores do crítico mais suaves, pois opequeno número de manuscritos conduz probabilidade de perda, nalguns lugares, da verdade original, que sópode ser alcançada mediante conjetura, processo deveras precário.O Novo Testamento leva grande vantagem quanto ao tempo que separa suas primeiras piasmanuscritas dos respectivos autógrafos. Possui o Novo Testamento cópias completas dentro do quarto século,menos de 300 anos de seus originais. Os papiros descobertos por Chester Beatty (P
45
, P
6
e P
47
), estão dentroda primeira metade do terceiro século. Recuando mais, temos a coleção de papirus Bodmer (P''
6
, P
72
e P
74
),sendo que P
66
recua o estudante a cerca do ano 200. O P
52
, na John Rylands Library, de Manchester, Inglaterra,leva-o ao ano 125 e, como se trata do texto do Evangelho de João, representa cópia dentro dos 30 anospróximos da produção dos autógrafos.Não se dá o mesmo com os clássicos gregos e latinos, embora estes últimos estejam em melhorsituação que aqueles. A cópia mais antiga que existe de Sófocles foi escrita 1.400 anos depois da morte dopoeta. Ésquilo e Tucídides estão nas mesmas condições. O intervalo entre a obra de Eurípides e o manuscritomais antigo existente é de 1.600 anos. Para o grande Platão o intervalo é de 1.300 anos. Entre os latinos,enquanto em Catulo o intervalo é de 1.600 anos e para Lucrécio de 1.000, Terêncio e Lívio reduzem-no para700 e 500 anos respectivamente. Só Virgílio se aproxima do Novo Testamento, pois há um manuscrito seu doquarto século, quando o autor faleceu em 8 a.C.Quando consideramos o número de cópias, o Novo Testamento possui cópias muito mais numerosas queas dos clássicos. Velleio Petárculo sobreviveu em um único e incompleto manuscrito, que se perdeu no século17, após haver produzido sua editio princeps através de uma cópia feita por Beato Rhenano, em Amerbach. Tácito existe em seis livros de sua famosa obra, os Anais, em um único manuscrito do nono século. Enquantose nomeiam cinqüenta, talvez quarenta manuscritos de Ésquilo, cerca de cem de Sófocles, algumas centenasde Cícero ou Ovídio, o Novo Testamento possui, entre manuscritos completos e outros de partes escritas nalíngua original, 5.366 (Aland). Possui ainda precioso elemento de que não se pode lançar mão quando se tratade clássicos: são as versões. Só da Vulgata latina contam-se 8 mil cópias, que, ao lado de mais mil da siríaca,cóptica, armênia, etiópica ou gótica, faz com que tenhamos muito mais de 13 mil elementos. Embora essa
1
O Novo Testamento: Metodologia da pesquisa Textual, B.P. Bittencourt, 3ª Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1993.
 
multiplicidade de cópias oferecesse ensejo para faltas involuntárias e intencionais, oferece também muitomais elementos de comparação.A tarefa do crítico é reagir contra os erros dos copistas. Ninguém deve recear a tarefa, nem mesmomenosprezá-la, quando se pode afirmar, com os entendidos do assunto, que não só os grandes manuscritosmas também os mais antigos papiros atestam a integridade geral do texto sagrado. Todavia, a insofismávelautoridade de Lagrange diz que entre esta pureza substancial e um texto absolutamente igual aos originais hádistância apreciável.
2
Se nos lembrarmos de que os manuscritos e citações diferem entre si entre 150 mil e 250 mil vezes, queum estudo só do Evangelho de Lucas revelou mais de 30 mil passagens diferentes e que, como afirma aautoridade de M. M. Parvis.
3 
"não há uma só sentença no Novo Testamento na qual a tradição seja uniforme",sentiremos a grandeza e a responsabilidade da tarefa. uma afirmação do mesmo Prof. Parvis, daUniversidade de Chicago, que surge aos olhos do leigo como um choque tremendo, só podendo ser avaliadapelos estudiosos da matéria, e que o presente Autor não pode deixar de transcrever: "Até que esta tarefaesteja completa, a incerteza a respeito do texto do Novo Testamento permanece."
4
Todavia, a obra dos Alandem Münster, de Nestle-Aland no NTG e das Sociedades Bíblicas Unidas no GNT, encurtaram o caminho, emuito.Vale a pena registrar também que a elevada cifra de variantes, em sua maioria esmagadora, dizrespeito a questões que não afetam o sentido profundo do texto e que o número de variantes que se revestemde importância, especialmente no que diz respeito à doutrina, é assaz reduzido.A tarefa da critica textual do Novo Testamento é, diz Kenyon,
5
"o mais importante ramo da ciência". Elatrata com um livro cuja importância é imensurável e vital, mais importante que qualquer outro livro do mundo,pois o Novo Testamento é único, nem mesmo comparação pode sofrer.É tarefa básica, pois dela dependem as outras ciências bíblicas. A crítica textual lança os fundamentossobre o qual a estrutura da investigação espiritual deve ser construída. Sem um bom texto grego, tão maispróximo dos autógrafos quanto lhe permitam os labores da crítica textual, não é possível fazer seguraexegese, hermenêutica, crítica histórica ou literária, nem mesmo teologia, para não falarmos em tradução.Embora seja chamada de baixa crítica e bem modestos os seus esforços, é fundamental e indispensávelao estudante do Novo Testamento, desde o tradutor até o teólogo. O crítico textual tem por função, primeiro,a coleta do material documentário, encontrado nas variantes do texto bíblico. Essas variantes, tendo comobase o Textus Receptus, encontram-se nos manuscritos unciais, minúsculos, papiros, devocionários, versões,citações patrísticas. O Novum Testamentum Graece e The Greek New Testament fornecem esse material etodos os elementos indispensáveis a essa identificação e capacitam o analista a dar a cada variante o peso e ovalor que sua fonte traz consigo própria, levando-o à escolha do texto que mais se aproxima do original.Para que ele possa realizar bem sua primeira função é necessário que esteja familiarizado com omaterial, terreno onde realiza suas investigações. Deve conhecer não só os vários manuscritos, versões ecitações dos antigos escritores da igreja cristã, como também o modo pelo qual foram produzidos, os usos daescrita literária e não-literária do tempo, o material usado, o destino e o objetivo final dessa mesma produção.Isto será discutido na primeira porção destes estudos.Para que possa realizar a segunda parte, mais profunda, mais difícil e que requer mente bem-educada ede grande acuidade intelectual, deve conhecer a própria história do texto, os métodos da crítica textual,teologia do autor cujo livro se examina, a história das doutrinas, a língua original, particularmente suagramática, e um conhecimento cultural da época do autor e dos escritos cujas cópias considera.Por estas ligeiras indicações o leitor pode ver não só a extensão, mas as implicações desta ciência. Istopara não falarmos em paleografia, arqueologia, conhecimento dos clássicos, como quer a escola alemã, pois
2
Joseph Marie Lagrange.
Saint Man:
(
Paris: 4eme Ed., 1929), p. CLXV.
3
Artigo “Texto f the New Testament”, The Interpreter´s Dictionary of the Bible (Nova York: Abingdon Press, 1962), p.595.
4
Ibid., p.594.
5
Frederic G. Kenyon,
Handbook to the Textual Criticism of the New Testament 
(Grand Rapids: B. Eerdmans Pub. Co, 19511,p. 3.

Activity (7)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads
Wokrax liked this
nando-12 liked this
lgn3365 liked this
henrique liked this

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->