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Published by: Charles Odevan Xavier on May 05, 2014
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05/05/2014

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O desenvolvimento histórico do messianismo no  judaísmo antigo: diversidade e coerência
 
RODRIGO F. DE SOUSA
A
s ideias messiânicas, de configurações diversas ao longo dos tempos, e que chegam ao Brasil por intermédio notadamente do pensamento de Bandarra e do sebastianismo, gerando movimentos messiânico-mile-naristas como o de Canudos e o Contestado (Godoy, 2005, pp. 100-1), têm origens que remontam ao antigo Oriente Próximo e adquirem seus contornos determinantes no judaísmo primitivo. O messianismo ocupou um papel de grande importância no desenvolvimento do judaísmo antigo e na formação de suas ramificações e grupos distintos, dentre os quais se encontram os primeiros cristãos. O estudo do fenômeno nesse contexto constitui uma das formas mais significativas de se compreender o judaísmo e o cristianismo na Antiguidade, e lança as bases para a compreensão das concepções messiânicas subsequentes, inclusive das que viriam a se desenvolver no Brasil.
RODRIGO F. DE SOUSA
 é professor no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
 
REVISTA USP, São Paulo, n.82, p. 8-15, junho/agosto 2009
10
Recentemente, alguns estudiosos têm tentado minimizar a importância do mes-sianismo na constituição do judaísmo primitivo. Um expoente dessa linha de pensamento é Charlesworth, que afirma que a fragmentação e a variedade de con-cepções messiânicas no judaísmo antigo indicam que o messianismo possuía uma importância apenas ciliar (Charlesworth, 1998, pp. 1-5)
1
.Do outro lado do espectro encontramos a posição de Horbury, que sugere em seu esboço histórico do messianismo dos sé-culos VI a.C a II d.C. que a importância da expectativa messiânica do judaísmo nesse período não deve ser minimizada. Horbury reconhece a diversidade de configurações do messianismo no período, mas enxerga um elevado nível de consistência nas carac-terísticas atribuídas ao messias. Horbury vê na forma de organização e transmissão dos livros da Bíblia hebraica (Antigo Testamento) uma continuada inspiração e motivação para a expectativa messiânica influenciada pelo próprio conteúdo dos textos coletados. Es-ses textos ocupariam um lugar proeminente nas tradições interpretativas do judaísmo no período grego e romano. Por sua vez, essas tradições proporcionaram o surgimento de um messianismo ramificado, mas não in-consistente, inclusive com uma atribuição de traços super-humanos e sobrenaturais comuns ao messias (Horbury, 1998, p. 2).O propósito da presente contribuição é delinear, em linhas gerais, o processo pelo qual as expectativas messiânicas assumiram as formas que as caracterizavam no judaís-mo antigo, do final do período exílico
2
 até o princípio da era cristã, a época também conhecida como o período do Segundo Templo, e propor uma visão do messianismo que reconhece que o fenômeno assumiu formas variadas, mas reteve ao mesmo tempo alguns traços característicos comuns. Seguindo parcialmente Horbury, nossa tese é a de que o messianismo judaico tem suas raízes no período da composição dos textos bíblicos, mas assume suas caracte-rísticas determinantes através de tradições interpretativas desses textos desenvolvidas segundo forças históricas e sociais diversas. Essas forças determinam os contornos es-pecíficos do messianismo para cada grupo social judaico. O conceito de
ideologia
, conforme proposto por Ricoeur (1989), oferece o paradigma teórico básico para a formulação da nossa proposta.O termo “messias” deriva do grego
messias
 que, por sua vez, deriva do ara-maico
mashiha
e do hebraico
mashiach
 (“ungido”). O termo grego aparece no
 Evangelho de João
 (1:42; 4:25) de forma a indicar que, no período da escrita do Novo Testamento, já se inseria no contexto de um discurso com o qual pelo menos uma parcela da população judaica já se encon-trava familiarizada.O conceito de “ungido de Yavé” já havia sofrido transformações significativas no fim do período do Antigo Testamento e a descrição abreviada “ungido” (
mashiach
) passou a ser aplicada não só ao rei – como o governante divinamente aprovado – mas também ao sumo-sacerdote e adquiriu uma conotação progressivamente voltada para o futuro. No século II a.C. o uso persistente dessa forma já seria uma indicação de que o conceito era familiar e dispensaria expli-cações especiais.Ao discutir os usos do termo no pe-ríodo que vai do Segundo Templo às revoltas judaicas e à literatura talmúdica, Horbury (1998, pp. 7-12) identifica quatro elementos que indicam a centralidade do messianismo:1) os usos da terminologia, particular-mente do equivalente grego
messias,
 suge-rem um uso bem difundido na
oralidade
;2) o uso frequente e consistente da ter-minologia geraria certo nível de unidade e coerência, contrariando a visão de que as noções messiânicas eram totalmente díspares e inconsistentes;3) as expectativas messiânicas origina-ram narrativas relativamente detalhadas do advento, guerras e reino do messias;4) o vocabulário messiânico, bem como as noções que cercam o conceito, derivam do Antigo Testamento, e é nesta coleção que se encontra o ideário a partir do qual as concepções posteriores se desenvolvem.
1 Dentre as inúmeras contri-buições de Charlesworth destaca-se a conferência sobre o messianismo orga-nizada na Universidade de Princeton (Charlesworth, 1992).2 O período do exílio – ou
desterro
 – durou de cerca de 586 a 539 a.C.

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