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Corrupção: a causa oculta dos acidentes de viação

Corrupção: a causa oculta dos acidentes de viação

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A sinistralidade rodoviária tem vindo a subir e com consequências dramáticas no país.
Anualmente são registados, em média, quatro mil acidentes de viação, resultando em mais de duas mil vítimas, entre mortos e feridos graves. De acordo com a Organização Mundial da Saúde a sinistralidade rodoviária representa um custo de 90 milhões de dólares. O Governo aponta o factor humano – excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, condução em estado de embriaguez – como sendo o principal factor de crescimento dos índices de sinistralidade nos últimos dias e ignora, completamente, um factor importante na equação: a corrupção nas instituições de regulação e fiscalização rodoviária.
A sinistralidade rodoviária tem vindo a subir e com consequências dramáticas no país.
Anualmente são registados, em média, quatro mil acidentes de viação, resultando em mais de duas mil vítimas, entre mortos e feridos graves. De acordo com a Organização Mundial da Saúde a sinistralidade rodoviária representa um custo de 90 milhões de dólares. O Governo aponta o factor humano – excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, condução em estado de embriaguez – como sendo o principal factor de crescimento dos índices de sinistralidade nos últimos dias e ignora, completamente, um factor importante na equação: a corrupção nas instituições de regulação e fiscalização rodoviária.

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Corrupção: a causa oculta dos acidentes de viação
O Cenro de Inegridade Pública (CIP) desen- volveu uma pesquisa no âmbio do programa de  Jornalismo invesigaivo que mosra que a cor-rupção na Polícia, no INATER, nas escolas de condução, nos cenros de exames médicos, na Polícia Municipal e nos cenros de inspecções de veículos é um dos acores principais da si-nisralidade rodoviária no país. Como? É o que o exo demonsra.
 Mapeamento do problema
O debae sobre os acores ou causas dos acidenes de viação é anigo. Em Moçambique, embora ambém não seja novo, o debae vola a reacender em consequência da onda de sinisros cada vez mais requenes e violenos
.
 A par do que sucede no mundo, em Moçambique, os acidenes de viação consiuem um grande problema social e económico, ceiando milhares de vidas por ano e desruindo bens públicos e privados de elevado valor económico.Dados da Organização Mundial de Saúde - OMS - (2008) aponam que, acualmene, a sinisralidade represena 2.2% das causas da moralidade no mundo, siuando-se na 9ª posição. Diariamene, morrem cerca de 3 200 pessoas em acidenes rodoviários, o que peraz um oal de 1.2 milhão de víimas morais por ano em odo o mundo. Aé 2030, os acidenes de  viação ocuparão a 5ª posição (3.6%) no ranking das principais causas da moralidade no mundo, superando, por exemplo, o SIDA, a uberculose, e a cardiopaia hiperensiva.Em Moçambique, as esaísicas consolidadas de acidenes de viação nos úlimos 14 anos (de 1999 a 2012) revelam que oram regisados 68 913 acidenes que iraram a vida a 18 938 pessoas e eriram gravemene 43 57.
 A sinistralidade rodoviária tem vindo a subir e com consequências dramáticas no país.  Anualmente são registados, em média, quatro mil acidentes de viação, resultando em mais de duas mil vítimas, entre mortos e feridos graves. De acordo com a Organização Mundial da Saúde a sinistralidade rodoviária representa um custo de 90 milhões de dólares. O Governo aponta o factor humano – excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, condução em estado de embriaguez – como sendo o principal factor de crescimento dos índices de sinistralidade nos últimos dias e ignora, completamente, um factor importante na equação: a corrupção nas instituições de regulação e fiscalização rodoviária.
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 Edição Nº 04/2014 - Maio - Distribuição Gratuita
 
a Transparência
CENTRO DE INTEGRIDADE PÚBLICA MOÇAMBIQUE
Boa Governação - Transparência - Integridade
 Por 
: Borges Nhamire e Lázaro Mabunda
 
2
Não exise, porém, uma órmula objeciva de cálculo dos cusos económicos de acidenes de viação em Moçambique mas, segundo o INATER, o país encaixa-se no perfil de paí-ses que, segundo esimaiva da Organização Mundial de Saúde, perdem, anualmene, cer-ca de 90 milhões de dólares nore-americanos como consequência de acidenes. Esa esima-iva abrange danos maeriais e perdas humanas resulanes dos acidenes. É por isso perinene e urgene uma discussão abrangene sobre os acidenes de viação e que oca odas as causas para que as soluções de miigação possam ir ao enconro dos problemas reais.
Ocultação da corrupção no debate  público sobre a sinistralidade rodoviária
O debae sobre a segurança rodoviária, sobreu-do sobre os acidenes de viação, no nosso país, apona muio o acor humano como sendo o principal responsável pelas alas axas de sinis-ralidade. Paricularmene, as auoridades go- vernamenais e policiais, enre ouras, aponam como principais acores de sinisralidade os seguines: desrespeio das regras de rânsio por pare dos peões e conduores, excesso de velo-cidade, ulrapassagens irregulares, condução em esado de embriaguez, má circulação e ravessia de peões, deficiência mecânica dos veículos, de-ficiene sinalização das vias públicas e ranspor-e de passageiros em auomóveis inadequados para o eeio.Como se pode noar, nese leque de causas de acidenes de viação não se inclui o acor corrupção. Com eeio, o Minisério dos ranspores e Comunicações (MC) iniciou um inquério
online
 desde 31 de Ouubro de 2008, na sua página web, cuja quesão principal é “na sua opinião qual é a maior causa dos acidenes nas esradas”. Nas opções de resposa dadas pelo Minisério não consa a corrupção como um dos acores.  As opções colocadas pelo MC como causas dos acidenes são, e por ordem, as seguines:
Mau esado das vias acesso
Mau esado das viauras
Fraca sinalização das vias de acesso
Condução em esado de embriaguez
Não aço a menor ideia É nese conexo que odo o debae sobre a si-nisralidade rodoviária em Moçambique ignora, compleamene, a corrupção insiucionalizada nas enidades responsáveis pela ormação, re-gulação, fiscalização, ais como escolas de con-dução, Insiuo Nacional de ranspores er-resres (INATER), Polícia de rânsio, Polícia Municipal, Minisério da Saúde e as insiuições  vocacionadas para a inspecção de viauras.Por exemplo, a corrupção nas escolas de con-dução permie que deerminadas pessoas sejam habiliadas a conduzir sem erem passado pelas escolas de condução; a corrupção nos cenros de saúde permie que pessoas inapas obenham cerificados de exames médicos que as dão como apas para conduzir, quando não o são.
 
3
O mesmo aconece em relação ao eeio do mesmo enómeno no INATER, onde a adul-eração do coneúdo das caras de condução e dos exames inspecivos de viauras permie que conduores inabiliados conduzam com caras de condução alsas.Nas insiuições de inspecção de viauras, a corrupção permie que viauras em más condições mecânicas, circulem pelas vias públicas, sem que a polícia lhes responsabilize criminalmene pela inracção. Nas próximas páginas demonsramos como a corrupção acua em cada área/insiuição e como esa se reflece nos acidenes de viação.
 Negócio da adulteração do conteúdo das cartas de condução
Uma das ormas mais bem conhecidas de cor-rupção no secor dos ranspores é a adulera-ção do coneúdo das caras de condução. raa--se de acos que ocorrem no Insiuo Nacional dos ranspores erresres, envolvendo alguns uncionários daquela insiuição e moorisas de ranspores públicos de passageiros – os chapei-ros.O processo, conorme apuramos durane a in- vesigação, consise no pagameno de subornos, pelos conduores dos ranspores públicos, aos uncionários do INATER para a mudança de caegoria do conduor (averbameno), geral-mene de uma caegoria inerior para superior.  A mudança mais requene que se verifica é de averbameno de caras de caegoria de ligeiros e pesados para profissional e serviços públicos. Ese averbameno habilia os conduores a azer serviço remunerado, geralmene, o ranspore público de passageiros. “É curioso que miúdos de menos de 24 anos esejam habiliados a conduzir pessoas. Esses moorisas ainda não êm mauridade suficiene para uma responsabilidade ão grande como conduzir pessoas”, afirmou Cassamo Lalá, direcor da Escola de Condução Inernacional e membro da Associação das Escolas de Condução. Os preços para a aduleração do coneúdo das caras de condução variam enre 1500 a 3 mil meicais.Recenemene, uma brigada misa da Polícia de rânsio e fiscais do INATER desencadeou uma operação de fiscalização relâmpago na cidade de Mapuo. Dos 196 auomobilisas fiscalizados apenas 19 esavam legais. Os resanes 177 apresenaram caras de condução irregulares. Mais de meade das viauras fiscalizadas não inha licença para ransporar passageiros. De acordo com ones da Polícia de rânsio, ese cenário é que az com que muios conduores de chapas” ujam após o acidene da viação.Esa siuação perpeua-se porque a Polícia de rânsio e a Polícia Municipal não deêm nem reêm, muio menos mulam os moorisas ilegais. Em roca, os agenes das auoridades policiais recebem um mínimo de 50 M e um máximo de 200 M em unção da gravidade da irregularidade. A equipa do CIP percorreu cinco roas de ranspores públicos, nomeadamene, Baixa- Xiquelene (via Vladimir Lenine), Baixa- Xiquelene (via Acordos de Lusaka), Xiquelene-Cosa do Sol, Baixa-Cosa do Sol e Benfica-Baixa, e concluiu que, em cada uma desas roas há, no mínimo, uma brigada da Polícia de rânsio e Municipal. Os ransporadores semi-colecivos são os mais fiscalizados, porém, a fiscalização policial não se reflece no cumprimeno das regras de rânsio.

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