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Poesia Dos Trovadores

Poesia Dos Trovadores

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Published by Paula Cruz
Lopes, Óscar e Saraiva, A. José , História da Literatura Portuguesa , Porto ed. ,16ª ed. (pg. 45-68)
http://cercarte.blogspot.com/
Lopes, Óscar e Saraiva, A. José , História da Literatura Portuguesa , Porto ed. ,16ª ed. (pg. 45-68)
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Os Cancioneiros primitivos
Quase todas as literaturas se iniciampor obras em verso. Exceptuando as novasnacionalidades resultantes da emigração deEuropeus a partir do século XVI, a poesiasurge mais cedo do que a prosa literária. Nãoé difícil explicar este facto: nas civilizaçõesdo passado, a mais corrente forma decomunicação e de transmissão da obraliterária não é escrita, mas oral. Antes de sefixarem no bronze, na pedra, no papiro, nopapel ou no pergaminho, as histórias, asnarrativas, e até os códigos morais e jurídicosgravavam-se na memória dos ouvintes; ehavia artistas que se encarregavam de asdivulgar, os aedos e rapsodos entre osGregos, os bardos entre os Celtas, os jograisentre os povos românicos medievais.
Overso é, inicialmente, entre outras coisas,uma forma de ritmar a fala que facilite amemória
, quer esse ritmo se baseie emesquemas de contraste quanto à duração dassílabas (caso do verso greco-latino), quer emesquemas de contraste de intensidade silábicareforçados por aliterações (caso da poesiagermânica), quer no isossilabismo, isto é, naregularidade quanto ao número de sílabasreforçada pela rima (caso das literaturasromânicas medievais), quer ainda noutrascomponentes fonéticas
. Vestígios destaliteratura oral são ainda hoje os provérbiosque, como facilmente se verifica, obedecema ritmos ou recorrências fónicas quefacilitam a fixação.
As literaturas românicasmedievais apoiam-se, como já notámos, naliteratura oral, cujos principais agentes eramos jograis, embora, por via clerical,apreendessem certos temas e lugares-comunsretóricos de tradição greco-romana, sobretudodesde a sua assimilação pelos trovadorescorteses (e, na Península, também pelossegréis nobres de parcos recursos e também,por vezes, instrumentistas).
Os mais antigos textos literários em língua portuguesa são composições emverso coligidas em Cancioneiros de fins do século XIII e do século XIV, que reúnemtextos desde fins do século XII.
Mas devemos supor muito anterior a tal época o culto
In Lopes, Óscar e Saraiva, A. José ,
Históriada Literatura Portuguesa
, Porto ed. ,16ª ed,pg. 45 - 68
 
 
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da poesia testemunhado por estes textos escritos.
A literatura oral, com efeito, só sefixa por escrito em época tardia da sua evolução quando as condições ambientesjá divergem muito daquelas que lhe deram origem.
Portanto seria errado pensar que a poesia portuguesa nasceu com
os Cancioneiros
;estes
não passam de colecções
, mais ou menos tardias,
de textos que de iníciocirculariam em cópias mais restritas
.Uma parte, pelo menos, da poesia conservada pelos Cancioneiros
supõe umlongo passado e uma tradição oral que nos levam a épocas muito mais remotas doque aquelas em que se compuseram os mais antigos poemas dos Cancioneiros
,datados, como vimos, de fins do século Xll. Adiante aludiremos às carjas (kllarajat), queparecem revelar a existência, no seio das populações submetidas ao domíniomuçulmano, de uma poesia popular muito provavelmente precursora daquela que taiscancioneiros conservaram.Conhecem-se
três Cancioneiros
ou colectâneas, aliás estreitamente aparentadasentre si, de poemas de autores diversos em língua galego-portuguesa.O mais antigo, o
Cancioneiro da Ajuda
, foi provavelmente compilado ou copiadona corte de Afonso X, o Sábio, em fins do século Xlll, Os outros
, Cancioneiro daBiblioteca Nacional
(antigo Colocci-Brancutti) e o
Cancioneiro da Vaticana
(com umavariante recentemente descoberta), são cópias, realizadas em ltália no século XVl, apartir de uma compilação que data provavelmente do século XIV.Destes, o Cancioneiro da Ajuda é o menos completo, porque apenas abrangecomposições anteriores à morte de Afonso X, excluindo, por exemplo, a vasta produçãode D. Dinis; e porque o seu coleccionador deixou de fora os géneros mais vulgares, isto
 
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é, as cantigas de amigo e as de escárnio ou maldizer, de que adiante falaremos. Mastem o interesse especial de o seu manuscrito pertencer à própria época da maioria dospoetas seus colaboradores, e é
um documento valioso, pela grafia, pela decoração esobretudo pelas iluminuras, que testemunham o carácter cantado e instrumental
,embora tenham sido deixados em branco os espaços destinados à notação musical,entre outros sinais de inacabamento. Os cancioneiros da Vaticana e da BibliotecaNacional], compilados depois da morte de Afonso X, abarcam um espaço de tempomaior, isto é, não só os poetas contemporâneos de D. Afonso III e anteriores, mas aindaos contemporâneos de D. Dinis e de seus filhos; abrangem. por outro lado, todos osgéneros de composições, e não só as cantigas de amor. Destes dois, o Cancioneiro daBiblioteca Nacional é o mais completo, pois inclui quase todo o material recolhido noCancioneiro da Vaticana e muito outro. O Cancioneiro da Ajuda contém 64 poesias nãotranscritas nos outros dois, Um catálogo do coleccionador quinhentista italiano, ÂngeloColocci, a quem se deve a preservação do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, revela-nosque qualquer dos cancioneiros se encontra hoje mutilado. É bem possível que estejamosem presença de sucessivas cópias de uma e a mesma colecção, que seria talvezencorpando pouco a pouco; e a fase mais importante da compilação deve ter sido a decerto «livro das cantigas» mencionado no testamento do conde de Barcelos, D. Pedro,filho de D. Dinis (1350). O conjunto abarca 1679 poesias de 153 autores identificados,além de alguns anónimos.O mais antigo dos trovadores conhecidos dos Cancioneiros é João Soares dePaiva, nascido cerca de 1140, dois anos após a batalha de Ourique, pertencente,portanto, à geração de Sancho I (a quem chegou a ser atribuída a autoria de uma

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