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Sinais de fogo, Jorge de Sena (teste)

Sinais de fogo, Jorge de Sena (teste)

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12/10/2012

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I
Lê atentamente o excerto transcrito.(…) Outra grande novidade da faculdade era que tinha alunas. Naqueletempo, não eram numerosas; e não havia, entre nós e elas, camaradagemnenhuma. Quando eu entrara para o liceu, ainda havia no último anoalgumas, que eram entidades míticas de quem se diziam horrores, e osúltimos remanescentes de o liceu ter sido misto. Entretanto, para aseparação dos sexos, e para atender-se a uma população estudantilfeminina, haviam sido criados em Lisboa dois liceus femininos. E, para nosespantarmos com a concentração de raparigas que estudavam(estudariam?) o mesmo que s, muitas vezes nhamos faltado, emgrupos, às aulas, e tínhamos ido em excursão até um deles. Elas fugiamem grupos também, e não voltáramos lá, desde que, às esquinas, estavampolícias encarregados de enxotar-nos. Agora, nafaculdade, lá estavam elas. E nós dificilmente concebíamos como colegasos membros de uma espécie humana que, sem sexo, eram mães, tias ouirmãs, com algum sexo eram pessoas conhecidas, e com o sexo todo eramtudo isso, mas para os outros. As irmãs de um colega nosso haviam sidocélebres por essa ambiguidade, que era aliás partilhada pelas primas denós todos. Umas festas que havia em casa dele – que era um palacete nasavenidas, dentro de um jardim – acabavam sempre por elas e as amigasdelas nos levarem para os cantos escusos da casa, para umas actividadesmeramente exteriores em que eram peritas. (…) As nossas colegas defaculdade eram, porém, animais estranhos. Pouco a pouco, dividiram-seem três categorias que constituíam, na verdade, o “status” de quegozavam, segundo as regras existentes e que fomos aprendendo. Umas,muito poucas (e eram mais as vozes que as nozes), passavam por sermulheres muito acessíveis que, todavia, adquiriam, nos corredores e nasconversas, uma respeitabilidade discreta que nos intimidava e era,contraditoriamente, partilhada por outra categoria: a das muito feias e
 
sem graça, que ninguém se lembrava de considerar femininas, apesar dosesforços desesperados delas ou de algumas delas. Uma terceira categoria,de muito poucas também, difundia sobre as outras duas o manto de umaaltura que as aparentava às damas medievais das cortes de amor.Não seriam bonitas todas, nem ninguém lhes fazia poemas ou era seu“chevalier-servant”; mas, em rculo respeitoso, ouviam-se os seusdecretos sobre a forma de resolver os problemas, e obtinham-seinformações sobre as aulas a que não tínhamos assistido. E, às vezes,lanchava-se com elas (e com algumas da primeira categoria citada) no“Generalque era o nome tradicional de uma pastelaria que haviadefronte da escola e que pertencia ao folclore familiar de toda a gente,através das recordações de pais e tios. Jorge de Sena,
Sinais de Fogo
, Col. Mil Folhas, Ed. Público (texto comsupressões)
1. Chevalier-servant:
aquele que presta vassalagem à sua dama,servindo-a de maneiras várias, nomeadamente através da poesia (nocontexto da poesia trovadoresca, mais especificamente das cantigas deamor).O romance Sinais de Fogo, de Jorge de Sena, tem como pano de fundo oeclodir da Guerra Civil espanhola em 1936, mostrando-nos também osprimeiros tempos da ditadura fascista que se imporia em Portugal durantecadas. Foi publicado postumamente, sendo possível encontrar noprotagonista elementos biográficos que remetem para o próprio autor.1. Resume sucintamente, num parágrafo, o conteúdo deste excerto.
1.1.
Atribui-lhe um tulo, explicitando as relações de sentido queestabeleceste.
 
2. Explica por que motivo podemos afirmar que existe uma distânciatemporal entre o “eu” narrador e o “eu” personagem.
2.1.
Caracteriza o “eu” personagem.
2.2.
Faz o levantamento das marcas do sujeito adulto que recorda eescreve.3. A dinâmica da relação entre os jovens de ambos os sexos descrita ébastante diversa da que hoje conhecemos.
3.1.
Caracteriza essa relação, durante o período pré-universitário, noPortugal de finais da década de 30.
3.2.
Descreve, por palavras tuas, as categorias em que as universitáriaseram organizadas de acordo com o olhar masculino.
3.3.
Partindo das expressões
“entidades míticas” 
(l. 3) e
“animaisestranhos” 
(l. 15), e de outras que consideres relevantes, caracteriza omodo como este olhar masculino encara a figura feminina.4. Refere as características autobiográficas do texto.
4.1.
Explica por que razão poderemos afirmar que este excerto apresentaalgumas características de texto memorialístico.
II
1. Atenta na frase seguinte:
Quando eu entrara para o liceu, ainda havia (…) algumas [alunas], queeram entidades míticas” 
(ll. 2-3)
1.1.
Classifica morfologicamente os vocábulos sublinhados.
1.2.
Refere a função sintáctica desempenhada na frase pela expressão
“que eram entidadesmíticas” 
.
1.3.
 Transforma a frase de modo que a mesma expressão desempenheuma outra função sintáctica.2. Atenta no excerto seguinte:
“Quando eu entrara para o liceu, ainda havia no último ano algumas[alunas], que eram entidades míticas (…), e os últimos remanescentes deo liceu ter sido misto.” 
(ll. 2-4)

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