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Ministro Justica Refúgio Político Battisti 13.1.09

Ministro Justica Refúgio Político Battisti 13.1.09

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Referência:
Processo nº. 08000.011373/2008-83
Procedência:
Conare
Assunto:
Recurso. Negativa. Condição de Refugiado. Carência de Pressupostos.
Interessado:
CESARE BATTISTI
I. Relatório
1. Cuida-se de recurso interposto em favor do nacional italianoCESARE BATTISTI, com fulcro no art. 29, da Lei nº. 9.474/97, em face da Decisãoproferida pelo Comitê Nacional para os Refugiados – CONARE, que lhe negou oreconhecimento da condição de refugiado ante a carência das hipóteses previstas noart. 1º do mesmo permissivo legal.2. Alega o Recorrente, em apertada síntese, que integrouOrganização político-partidária na Itália durante os chamados “anos de chumbo”, eque é perseguido pelas autoridades daquele país em razão das opiniões políticasdisseminadas à época, as quais fundamentaram, inclusive, pedido de extradição emseu desfavor para que seja submetido ao cumprimento de sentenças proferidas emprocessos que julga eivados de ilegalidade e que resultaram em condenação a prisãoperpétua por crimes que assegura não ter cometido.3. Junta documentos.4. É o relatório, passo à decisão.
II. Decisão
5. O pedido de reconsideração é tempestivo.6. Compulsando os documentos constantes dos autos, restouverificado constar processo de extradição passiva executória em trâmite perante oSupremo Tribunal Federal, por meio do qual o Governo da República da Itáliacolima a entrega do Recorrente para cumprimento de pena
perpétua
decorrente deduas sentenças criminais naquele país, o qual se encontra suspenso na forma da Leiaté final decisão deste processo.
 
7. A lei nº. 9.474/97, que define mecanismos para aimplementação do Estatuto dos Refugiados de 1951, dispõe em seu art. 1º acerca dascondições em que poderá ser reconhecida a condição de refugiado a um cidadãoestrangeiro,
verbis
:
Art. 1º Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:I
- devido a fundados temores de perseguição por motivos de
 raça, religião, nacionalidade, grupo social ou
opiniões políticas
 encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou nãoqueira acolher-se à proteção de tal país;II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes tevesua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, emfunção das circunstâncias descritas no inciso anterior;III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, éobrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio emoutro país. (grifei)
8. Por sua vez, o Estado requerente não ofereceu oposição àalegada conotação política aventada quanto aos fatos pelos quais seu nacional éreclamado. Ao contrário, consignou expressamente em sentença que, nos diversoscrimes listados, agiu o Recorrente “
com a finalidade de subverter a ordem do Estado
”, afirmando ainda que os panfletos e as ações criminosas de sua lavraobjetivavam “
subverter as instituições e a fazer com que
 o proletariado tomasse o poder
” (grifei).
 
9. Vê-se, portanto, que no caso ora em análise impõe-se umainquietante e crucial questão central:
o Recorrente possui fundado temor deperseguição por suas opiniões políticas?
Teria o Recorrente, ademais, cometidocrimes políticos, ou sofrido perseguição política que resultasse na constatação deilícitos criminais por ele não perpetrados?10. que se definir os elementos subjetivo e objetivo do temor aque alude o art. 1º, I, da Lei nº. 9.474/97, o primeiro relativo ao foro íntimo doRecorrente e o segundo relacionado com as razões concretas que justifiquem aqueletemor.11. Para que sejam verificados esses elementos, é necessário, emprimeiro lugar, tomar como referência o contexto de turbulência política à época dossupostos delitos em que o Recorrente teria incorrido.
 
 12. A repressão legítima, pelo Estado italiano, à militância deesquerda, que pretendeu, pelas armas, derrubar o regime durante os chamados “anosde chumbo” das décadas de 1970 e 1980, traduz-se por fatos públicos e notórios,sobre os quais não existe qualquer contencioso. É de acentuada convulsão social omomento histórico no qual o recorrente foi condenado pela Justiça italiana, comoautor e co-autor de homicídios ocorridos entre junho de 1978 e abril de 1979.13. Durante esse período, a sociedade italiana e o Estado de Direitona Itália foram assediados por um conjunto de movimentos políticos, ações armadase mobilizações sociais que pretendiam, alguns deles, a instalação de um novo regimepolítico-social. Na esteira do desmantelamento das políticas da era social-democrataentão em declínio
1
, formaram-se organizações revolucionárias de ação direta queoperavam em zonas “cinzentas”, na estreita faixa entre a ação política insurrecionalde caráter armado e a ação marginal do “banditismo social”.14. Como é possível e necessário nos Estados Democráticos deDireito, o Estado italiano reagiu. E o fez não só aplicando normas jurídicas em vigorà época, mas também criando “exceções”, por meio de leis de defesa do Estado, quereduziram prerrogativas de defesa dos acusados de subversão e/ou ações violentas,inclusive com a instituição da delação premiada, da qual se serviu o principaldenunciante do Recorrente.15. Nos momentos de extrema tensão social e política é comum eprevisível que passem a funcionar, mesmo no Estado de Direito, aparatos ilegaise/ou paralelos do Estado, comandados por pessoas que se erigem à condição de justiceiros “de fato”, como se representassem o bem público, o que por vezesconfigurauma forte crise de legalidade: “a lei perde (...) o primado político nosistema”
2
. Nesses casos, a judicialização da política, paradoxalmente, atinge
1
OUTHWAITE, William; et.al.
Dicionário Pensamento Social do Século XX
: Rio de Janeiro : Jorge Zahar,1996. p. 59 relata: “mais bem-sucedido de desenvolvimento econômico capitalista, nos anos 50 e 60, esteveassociado a uma grande expansão das atividades econômicas do estado, envolvendo em muitos países aampliação da propriedade pública e do planejamento econômico, visando mitigar as conseqüências danosas –tanto econômicas quanto sociais – de uma economia de livre empresa e livre mercado inadequadamenteregulamentada.”
2
“Mas a crise da lei depende também de outras razões, mais estreitamente jurídicas. A primeira delas, onascimento das constituições rígidas, das constituições como leis não modificáveis. Uma lei superior,portanto, que as leis comuns devem juridicamente respeitar. Decorre daí um controle de constitucionalidadesobre o conteúdo da demais leis, o que explicita ainda mais a garantia da superioridade da constituição. A leiperde, assim, o primado político no sistema, a despeito de que se mantém ainda como o ato normativopoliticamente central para o desenvolvimento do ordenamento. E as constituições confiam às leis outros atos

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