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Entrevista Edmundo Villani-Cortes

Entrevista Edmundo Villani-Cortes

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Revista Eletrônica Aboré – Publicação da Escola Superior de Artes eTurismo - Edição 03/2007
ISSN 1980-6930
ENTREVISTA COM EDMUNDO VILLANI-CÔRTES
Profª. Dra. Luciane Páscoa
1
O compositor Edmundo Villani-Côrtes (Juiz de Fora –MG, 1930), concedeu estaentrevista para a Revista Aboré na ocasião da estréia de sua ópera
 Poranduba
, em maio desteano no Teatro Amazonas, em Manaus, durante o XI Festival Amazonas de Ópera.
Aboré - Como se deu a sua formação musical?Villani- Côrtes
- Eu acho que não tive formação musical, eu tive informação musical. Meu pai era flautista amador e a minha mãe tocava piano. Quando eu nasci, meu paiadoeceu gravemente e as finanças da família ficaram arruinadas. Como eu era oterceiro filho, não usufrui dos tempos de bonança. Nesta época, venderam o piano enunca mais foi possível reavê-lo. Então eu comecei a experimentar a música tocandocavaquinho. Como meu irmão mais velho estudava violão, eu falei ao meu pai quequeria tocar um instrumento e ele me deu um cavaquinho. E era um cavaquinho de brinquedo, mas eu afinei como se faz com as últimas quatro cordas do violão quemeu irmão tocava. E as aulas com o meu primeiro professor seguiam um sistemaaudio-visual, pois nós aprendíamos a tocar imitando as posições que ele fazia noviolão. O professor chegava e anunciava: Vamos tocar 
 Amigo de Rosas
, aquela valsafamosa do Dilermando Reis. E eno ele pegava no violão e tocava, e sobservávamos as posições e tocávamos juntos. Não havia o dó-ré-mi-fá-sol, noção demodos maiores ou menores, eu sabia quando a música estava em modo menor pelasensação, pois naturalmente passava pelo acorde de terça menor. A partir destemomento, tudo o que ouvia no rádio e no cinema, tentava tocar no violão. Minhas primeiras influências musicais vieram por meio do rádio, que felizmente, naquela
1
Doutora em História Cultural pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal), Mestre emHistória – História da Arte pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), licenciada em artes plásticas e música pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista «Júlio de Mesquita Filho» (UNESP-SP). É professora de Estética e História da Arte e Filosofia da Arte no curso de Música da Escola Superior deArtes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
 
Revista Eletrônica Aboré – Publicação da Escola Superior de Artes eTurismo - Edição 03/2007
ISSN 1980-6930
época, não era dominado pelos interesses comerciais. O cinema também meinfluenciou, pois através dele tomei contato com obras de Chopin, Liszt, Mozart,Puccini e Gershwin, por exemplo. Quando eu tinha dezessete anos, muitoencabulado, falei que gostaria de estudar piano e comecei a estudar na casa de umatia em Juíz de Fora. Depois fui para o Rio de Janeiro e fiz o curso de piano noConservatório Brasileiro de Música. Estudei com Guilherme Mignone, irmão doFrancisco Mignone. E foi nesse período que eu comecei a tocar profissionalmente nanoite, pois ainda não existia a música eletrônica, não havia essa concorrência tãogrande de gravações e quem era músico, era valorizado pela música que fazia. Senão tivesse o músico, não havia a música.
Aboré - Como surgiu o interesse pela composição?Villani-Côrtes -
Sempre tive uma certa inclinação para pesquisar sons nos instrumentos etambém para analisar as peças que executava. A partir disso iniciei as minhas primeiras experiências na área da composição. Comecei a compor com o violão, maschegou um momento em que as peças se tornaram mais elaboradas e foi nessemomento que eu comecei a estudar o piano. Eu ouvia uma sica e ficavaimaginando como poderia modificá-la, achava que ficaria melhor de determinado jeito. É a partir disso que comecei a compor. Fiz isso não por querer ser umcompositor, mas por gostar de música. Alguns sons me agradam mais que outros,então eu os escrevo. Eu também trabalhei muito tempo como arranjador porque éuma área em que pagam muito bem. E para a composição não pagam. E até hoje éassim, para ganhar dinheiro, é muito melhor fazer arranjos do que compor. Mas nosarranjos, eu me sentia frustrado porque no arranjo eu era obrigado a me submeter àquela música, que nem sempre era agradável. De modo que me sinto mais a vontadecompondo, pois eu imagino a melodia e faço com ela o que eu quero. No arranjo nãoexiste essa liberdade.
Aboré - O senhor estudou composição com o Camargo Guarnieri? Como foi estaexperiência?
 
Revista Eletrônica Aboré – Publicação da Escola Superior de Artes eTurismo - Edição 03/2007
ISSN 1980-6930
Villani-Côrtes
- Foi uma experiência válida. O Camargo Guarnieri, indiscutivelmente, foi ummúsico de altíssimo nível, um dos maiores compositores brasileiros, possui uma obra fabulosaque ainda é desconhecida. O sistema de ensino do Camargo Guarnieri era assim: ele tocava as primeiras notas e dizia «Faz um Ponteio»... mas não explicava o que era ponteio e comodeveria ser feito. Eu fazia e depois levava para ele, ele tocava, tinha uma leitura muito boa eentão dava as sugestões sobre a composição inicial. Um sistema interessante de ensinar, poisatravés dele o Camargo Guarnieri passava para os alunos as diretrizes da escola nacionalistana qual ele estava inserido, bem como o modo pessoal de fazer música, que ele chamava de«música brasileira oficial». Acontecia o seguinte: às vezes eu levava uma música, ele fazia assugestões, eu voltava com a música para casa, fazia as correções, acrescentava as sugestões elevava de volta para ele. Quando começava a aula, ele pegava as partes que havia corrigidoanteriormente e dizia, «não está bom, você precisa mudar aqui». E isso era uma coisa um pouco frustrante, mas não deixava de ser interessante. Entretanto, nesta ocasião eu havia memudado para São Paulo, já tinha minha família e o que eu ganhava tocando em uma noite, pagava para ter uma aula com o Camargo Guarnieri, e isso era muito pesado para mim. Nessaépoca apareceu uma oportunidade, para acompanhar a Maísa Matarazzo numa
tourneé 
pelaArgentina e Uruguai, e foi o que me salvou financeiramente. Quando retornei dessa viagem,surgiram muitos outros trabalhos e eu não pude mais prosseguir com as aulas com o CamargoGuarnieri. Foi quando eu pensei em fazer uma sonata para violoncelo. Pensei no que eugostaria de ouvir caso fosse a um concerto de violoncelo. Fiz esta sonata, e pensei, não voumostrar isso ao Camargo Guarnieri, por que ele vai mexer, e eu quero que fique desse jeito. Ea partir disso comecei a escrever o que eu queria. Mas nesse momento, não pude me dedicar muito à composição, pois tinha que trabalhar muito fazendo arranjos e tocar na noite.
Aboré - E como foi estudar com o compositor Hans-Joachim Koellreuter?Villani-Côrtes
- A minha experiência com o Koellreuter aconteceu assim: o maestro da TVTupi, Bernardo Federowski, convidou-me para lecionar contraponto na Academia Paulista deMúsica. E os alunos comentavam que o professor Koellreuter tinha chegado recentemente daÍndia e estava dando umas aulas. Então eu fui com meus alunos participar da classe decomposição dele. Na primeira aula ele disse: «façam uma música com uma nota só e com aduração de um minuto». Nós perguntavamos, mas como? E ele respondia: «apenas façam». Eentão eu fiz uma peça chamada
O Minuto Final 
, para uma grande orquestra e com a duração

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