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Esta obra não possui direitos autorais pode e deve ser reproduzida no todo ou em parte, além de ser liberada a sua distribuição, preservando seu conteúdo e o nome de seu autor.Autor: Hakim BeyTítulo: Superando o TurismoTítulo Original: Overcoming TourismTradução: Hudz (eu_hudz2@hotmail.com)Data Publicação Original: ????
 
 Nos Velhos Dias o turismo não existia. Ciganos, Tinkers
1
e outros nômades de verdade atéhoje vagam por seus mundos à vontade, mas ninguém iria por isso pensar em chamá-los de"turistas".O turismo é uma invenção do século XIX - um período da história que algumas vezes pareceter se alongado em uma duração não natural. De várias formas, nós ainda estamos vivendo noséculo XIX. O turista procura Cultura porque - no nosso mundo - a cultura desapareceu no bucho doEspetáculo, a cultura foi destruída e substituída por um shopping ou um talk-show - porque a nossaeducação é nada mais que a preparação para uma vida inteira de trabalho e consumo - porque nósmesmos cessamos de criar. Embora os turistas pareçam estar fisicamente presentes na Natureza ouna Cultura, na verdade pode-se chamá-los de fantasmas assombrando ruínas, sem nenhuma presença corpórea. Eles não estão lá de verdade, mas sim movem-se por uma paisagem mental, umaabstração ("Natureza", "Cultura"), coletando imagens mais que experiência. Muito freqüentementesuas férias são passadas em meio à miséria de outras pessoas e até somam-se a essa miséria. Recentemente algumas pessoas foram assassinadas no Egito por serem turistas.Contemple... o Futuro. Turismo e terrorismo - qual é mesmo a diferença? Das três razões arcaicas para viagens - chamemos elas "guerra", "troca" e "peregrinação" -qual deu à luz o turismo? Alguns responderiam automaticamente que deve ser a peregrinação. O peregrino vai "lá" para ver, o peregrino normalmente traz na volta algum souvenir; o peregrino "dáum tempo" na vida diária; o peregrino tem objetivos não-materiais. Assim, o peregrino antecipa oturista.Mas o peregrino passa por uma mudança na consciência, e para o peregrino essa mudança éreal. Peregrinação é uma forma de iniciação, e iniciação é uma abertura para outras formas decognição.Podemos detectar algo da diferença entre o peregrino e o turista, contudo, comparando seusefeitos nos lugares que visitam. Mudanças em um local - uma cidade, um santuário, uma floresta - podem ser sutis, mas pelo menos podem ser observadas. O estado da alma pode ser uma questão deconjectura, mas talvez possamos dizer algo sobre o estado do (aspecto) social. Locais de peregrinação como
Mecca
podem servir como grandes bazares para troca. E eles podem até servir como grandes centros de produção, (como a indústria da seda em
 Benares
) - masseu "produto" primário é
baraka
, ou
maria
. Essas palavras (uma árabe, outra polinésia) sãousualmente traduzidas como "benção", mas elas também levam uma carga de outros significados.O
dervixe
2
errante que dorme em um santuário para sonhar com um santo morto (um do "Povo dasTumbas") procura iniciação ou avanço no caminho espiritual; uma mãe que leva uma criança
1 Grupo étnico de andarilhos oriundo da Irlanda.2A palavra
dervixe
descreve um
 sufi
que está à porta da iluminação. Um
 sufi
é um membro masculino da ordem dos
dervixes
rodopiantes, famosos em todo mundo. É um místico. A palavra
 sufi
vem da palavra-raiz grega 'sophos' quesignifica sabedoria. (Segundo o Xeque Abdullah Khalis El-Mevlevi, "...a palavra
 sufi
...[vem] da palavra árabe Sûf,que significa lã. Outra palavra para
 sufi
s é tassawwuf que significa 'de lã'.")

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