/  5
 
O mágico Giró
Era uma vez um pobre mágico que se chamava Giró. Parece umcontra-senso: nas histórias não se ajustam bem as palavras “mágico” e“pobre”, mas aquele, apesar de ser um autêntico mágico, era de factopobre, porque havia muito tempo que não tinha clientes.- Será possível – desesperava ele – que já não haja ninguém que precisede mim? Em tempos, tinha tantos clientes que não conseguia atender todos.Uns vinham por uma magia, outros por outra, e eu, não é por me gabar, masentendo bem do assunto… Vou dar uma volta pelo mundo, para ver o que sepassou. Se apareceu um mágico melhor do que eu, quero conhecê-lo.Dito isto, o mágico empacotou as suas coisas de mais valor – a varinhamágica, o livro dos encantamentos, dois ou três pós milagrosos – e meteu-se acaminho.Andando, andando, ao cair da noite, chegou diante de uma casinhae bateu à porta.- Quem é?- Um amigo, minha senhora, um amigo.- Ah, muito bem, entre. Vêm tão poucos amigos ver-me. Sente-se. Quer alguma coisa?- Eu não, minha senhora, não preciso de nada; talvez seja a senhoraquem precise de mim. Sabe, eu sou um mágico e chamo-me Giró.- Um mágico? Que maravilha!- Um mágico, sim. Vê esta varinha? Não parece, mas é uma varinhamágica: se disser duas palavrinhas, que só eu conheço, descerá uma estrelapara iluminar a sua casa…Neste momento, a senhora soltou um gritinho.- Ui, a propósito de luz, vou acendê-la. Estava aqui sozinha com os meuspensamentos e nem me tinha dado conta de que anoitecera. Perdoe-me, jáestá. Que dizia a respeito de luz?Mas o mágico estava demasiado estupefacto para poder continuar aconversa. Fitava a lâmpada, boquiaberto, como se a quisesse engolir.- Mas… minha senhora, como é que fez?- Como fiz? Carreguei no interruptor e a lâmpada acendeu-se. É umagrande coisa a electricidade.O mágico Giró registou na sua mente aquela palavra nova,“electricidade”, pensando que devia ser a mágica que lhe andava a fazer concorrência.Depois ganhou coragem e continuou:- Pois, minha senhora, estava eu a dizer-lhe que sou um mágico e quesei fazer uma infinidade de magias. Por exemplo, metendo um pouco deste
Umarãocieadehistóias
 
pozinho num copo, posso fazer com que ouça a voz de uma pessoaque esteja muito longe…- Ui – gritou de novo a senhora - fez-me lembrar que tenho de telefonar ao canalizador. Dá-me licença por um instante, não é verdade? Cá está onúmero. É o canalizador? Ainda bem que o encontro. Pode passar amanhãde manhã por minha casa para me arranjar a máquina de lavar? Obrigada,não se esqueça. Obrigada, boa noite. Já está.O mágico Giró teve de engolir em seco duas ou três vezes antes derecuperar a palavra.- Minha senhora, com quem estava a falar?- Com o canalizador. Não ouviu? É uma grande comodidade otelefone…O mágico também registou no seu cérebro aquela palavra: “Outromágico de quem nunca tinha ouvido falar. Isto é que está umaconcorrência…”Mas logo prosseguiu:- Escute, minha senhora, se precisa de ver alguma pessoa, que seencontra longe, como se ela estivesse aqui nesta sala, não esteja comcerimónias: trago outros pós mágicos mediante os quais…- Céus! – guinchou a senhora, interrompendo-o. – Ando mesmodistraída. Tinha-me esquecido de acender o televisor para ver o concurso deesqui. Sabe que o meu filho é campeão em descida? Vou ligá-lo já, talvezainda não seja tarde… Pois não é, olhe que sorte. É aquele ali, é aquele o meufilho, o que está a receber todos aqueles apertos de mão. Já vi que voltou aganhar. Não é bonito? E pensar que quase ia perdendo a transmissão. Veja,como me lembrou. Sabe que é verdadeiramente um mágico?- Sim, minha senhora, já lhe tinha dito mágico Giró.- Ah! – exclamou a senhora sem o ouvir - que grande coisa é atelevisão.O pobre mágico pediu que lhe repetisse a palavra duas vezes para ter a certeza de que o seu cérebro a registava sem erros. Entretanto reflectia:“Outra mágica concorrente. Começo agora a compreender a razãopor que o trabalho é tão pouco. Com todos estes mágicos em circulação…”Depois, pacientemente, voltou a oferecer os seus serviços:- Escute então, minha senhora, como lhe ia dizendo, sou um grande,um famosíssimo mágico. Entrei para ver se podia ser-lhe útil nalguma coisa.Veja, deite uma mirada, este é o livro dos encantamentos e dos esconjuros,esta é a varinha mágica… 
in “Histórias para brincar” de Gianni Rodari
 
Roteiro de trabalho
Leitura
Lê a história que te distribuímos.
Elaboração do final da história
Discute, com os teus colegas de grupo, a conclusão adequada eredijam-na.O vosso texto deverá ter entre cinco a dez linhas. _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  _________________________________________________________________________  ___________________________________________ Nome dos elementos do grupo: Ano e turma _______________________________ ____________  _______________________________  _______________________________  _______________________________  _______________________________ 
Umarãocieadehistóias

Share & Embed

More from this user

Add a Comment

Characters: ...

bluesilenceleft a comment

ando a tentar encontrar este livro de infância que perdi desde há muito. . . bonito e mágico era por. . . este livro que era do circulo de leitores e que já nem eles têm. . . e que só em há. em brasileiro. . ou castelhano. . como sempre