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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Edição jornalística x edição colaborativa:tensões na
home
da Folha Online
Carlos d’Andréa
1
Gabriele Maciel
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Resumo:
Este artigo visa discutir e comparar a seleção e hierarquização de matérias pela equipeeditorial de sites noticiosos (edição jornalística) e as preferências de acessos dos usuários, men-surável especialmente através do recurso “matérias mais acessadas” disponível em muitos por-tais jornalísticos (edição colaborativa). Após discussão teórica sobre conceitos de edição, noti-ciabilidade e colaboração, é apresentado um levantamento piloto realizado a partir da página principal do site Folha Online. Os objetivos são verificar o impacto da posição ocupada por umanotícia na
home
sobre as escolhas dos usuários e as eventuais influências da edição feitas pelos jornalistas sobre as escolhas do público, e vice-versa. Os resultados parciais nos permitem ela- borar hipóteses a serem verificadas numa etapa posterior do projeto de pesquisa.
Palavras-chave
: Edição; Webjornalismo; Colaboração; Noticiabilidade; Folha de S. Paulo.
1.Introdão
A facilidade de mensuração de dados (como o número de acesso a uma páginaweb) e a crescente abertura à colaboração do público leigo são alguns dos impactos téc-nicos e processuais da internet na produção jornalística. Especificamente no que tange àedição jornalística, nota-se atualmente, inclusive por parte de grandes grupos de mídia,um crescente uso de recursos técnicos que permitem lógicas de hierarquização das in-formações diferentes das adotadas tradicionalmente pelos editores nas redações. Trata-se, por exemplo, da exibição de uma lista com as páginas mais acessadas pelo públiconum dado intervalo de tempo.
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Professor assistente do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa(UFV) e doutorando em Estudos Linguísticos pela Fale/UFMG. E-mail: carlosdand@gmail.com  Site pessoal:www.carlosdand.com
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Graduanda em Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (UFV). E-mail:ga- birm@gmail.com 
 
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Acreditamos que, ao publicar hierarquizações que seguem critérios diferentesdos adotados pelos editores, os portais jornalísticos explicitam uma tensão entre as deci-sões internas da redação e as preferências do público. Assim, este artigo visa discutir ecomparar o que denominamos "edição jornalística", que é a seleção e hierarquização dematérias pela equipe editorial de um veículo, a partir de critérios de noticiabilidadecompartilhados internamente, e a "edição colaborativa", que refere-se a hierarquizaçãodas informações pelo público, seja através de um ato voltado a esse fim (votar ou atri- buir nota a uma página, por exemplo) ou indireto (pelo simples ato de acessar uma pági-na).Para tanto, iniciamos problematizando a edição jornalística como etapa submeti-da aos critérios de noticiabilidade que norteiam cada veículo, e debatemos como a adap-tação e recriação das práticas jornalísticas na web impactou o processo de edição. Tam- bém analisamos a incorporação das práticas colaborativas nas rotinas e projetos dos veí-culos jornalísticos. Em seguida, é apresentado um levantamento piloto realizado a partir da
home
da Folha Online, site cujo projeto editorial procura conciliar o papel de “jornalde referência” com temas de interesse do público, como entretenimento. Os resultados parciais nos permitirão elaborar hipóteses e esboçar um método a ser aplicado numa pesquisa mais completa
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2. Edição jornalística e noticiabilidade
Os processos de definição de quais notícias merecem ser destaque numa deter-minada publicação, assim como o tratamento gráfico e verbal dado à informação, é umadas mais complexas atividades da produção jornalística. O Manual de Redação da Folhade São Paulo (2002, p.33) define edição como um processo constituído pela “exposiçãohierárquica e contextualizada das notícias e distribuição espacial correta e interessantede reportagens, análise, artigos, críticas, fotos, desenhos e infográficos”. Pereira Júnior (2006, p.22), sintetiza esta idéia: “editar significa valorizar a informação. Hierarquizar”.
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A reflexão contida neste artigo é a primeira publicação oriunda do projeto de pesquisa
 Interfaces entre o jornalismo tradicional e práticas colaborativas,
em andamento na UFV desde o fim de 2008.
 
 
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Assim, neste trabalho focamos a discussão sobre a edição jornalística na hierarquizaçãode informações através da qual se atribui maior ou menor visibilidade a uma informa-ção.A edição de um material jornalístico por um ou mais profissionais, num dadocontexto, está submetida a muitas variáveis de ordem técnica e política. Para Marocco& Berger (2006), a edição de um jornal está inscrita em um quadro complexo de produ-ção que conjuga o gesto individual, as estratégias empresariais e as pautas jornalísticas.Assim, o tratamento do material jornalístico durante a edição está inserido numa rede derelações e de variáveis que, ao longo do processo, vão definindo o que é notícia e qual o peso merecido por cada uma delas. A hierarquização das informações jornalísticas está, portanto, submetida à lógica de noticiabilidade, aqui definida como
todo e qualquer fator potencialmente capaz de agir no processo da produçãoda notícia, desde características do fato, julgamentos pessoais do jornalista,cultura profissional da categoria, condições favorecedoras ou limitantes daempresa de mídia, qualidade do material (imagem e texto), relação com asfontes e com o público, fatores éticos e ainda circunstâncias históricas, polí-ticas, econômicas e sociais (SILVA: 2005, p.96).
Segundo Silva (2005), muitas vezes a noção de noticiabilidade é confundidacom o conceito de valores-notícia. Para ela, enquanto os valores-notícia são “atributosque orientam principalmente a seleção primária dos fatos (...)”, a noticiabilidade é umconceito mais amplo, que inclui o “conjunto de elementos por meio dos quais a empresa jornalística controla e administra a quantidade e o tipo de acontecimentos”, e ainda“questões ético-epistemológicas” (p.97). Neste sentido, a autora coloca que “a seleção e hierarquização recorrem sim aosvalores-notícia. Mas estes agem aqui apenas como uma parte do processo” do qual fa-zem parte outros critérios de noticiabilidade, “como formato do produto, qualidade daimagem, linha editorial, custo, público alvo etc”. A decisão do que deve ganhar mais vi-sibilidade, portanto, envolve fatores diferentes e, muitas vezes, divergentes, como o per-fil editorial (e comercial) da publicação, a percepção dos jornalistas e editores, o interes-se público, as condições de produção do material jornalístico etc. Como afirma PereiraJúnior (2006, p.24), “cada filtro de edição dá couraça objetiva a decisões de motivação,

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