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Capítulo 10Meu melancólico irmão ficou feliz em me ver. O fato deque sua nova “família” não confiava nele ficou corroendo Jasono dia inteiro. Mesmo sua namorada-leopardo, Crystal, estavapreocupada em vê-lo enquanto a nuvem de suspeita pairavasobre ele. Ela o tinha expulsado vergonhosamente quando eleapareceu na porta de sua casa esta noite. Quando eu descobrique ele tinha na verdade dirigido até Hotshot, eu explodi. Dissea meu irmão em termos duvidosos que ele aparentementetinha um desejo de morte e eu não seria responsável pelo quequer que acontecesse a ele. Ele respondeu que eu nunca tinhasido responsável por qualquer coisa que ele tivesse feito, dequalquer jeito, então porque eu começaria agora?Isto continuou daquele jeito por um momento.Depois dele ter concordado relutantemente em ficar longede seus companheiros metamorfos, eu carreguei minha sacolapelo pequeno corredor até o quarto de hóspedes. Alí era ondeele mantinha seu computador, seus velhos troféus da escolasecundária do time de basquetebol e de futebol, e um antigosofá-cama, que mantinha principalmente para visitantes quebeberam demais e o podiam dirigir para casa. Eu nemmesmo me incomodei em abri-lo, mas estendi um antigoacolchoado sobre a imitação de couro brilhante. Puxei outrosobre mim.Depois de fazer minhas orações, revi meu dia. Fora tãocheio de incidentes que consegui cansar tentando lembrar detudo. Em quase três minutos, eu estava apagada como umampada. Sonhei com animais rosnando aquela noite: elesestavam todos à minha volta no nevoeiro, e eu estavaassustada. Podia ouvir Jason gritando em algum lugar naneblina, e eu não podia achá-lo para defendê-lo.Algumas vezes voo precisa um psiquiatra parainterpretar um sonho, certo?Acordei um pouquinho quando Jason saiu para otrabalho na manhã, principalmente porque ele bateu a portaatrás com força. Adormeci de novo por outra hora, mas entãoacordei definitivamente. Terry iria até minha casa para começar a demolir a parte arruinada, e eu precisava ver se algumas dasminhas coisas de cozinha podiam ser salvas.Já que este seria provavelmente um trabalho sujo, pegueiemprestado o macacão azul de Jason, aquele que ele vestiaquando trabalhava em seu carro. Olhei em seu armário epeguei uma velha jaqueta de couro que Jason vestia para otrabalho pesado. Eu também me apropriei de uma caixa desacos de lixo. Enquanto ligava o carro de Tara, me pergunteicomo nesse mundo eu poderia reembolsá-la por esse favor.Lembrei a mim mesma de pegar seu conjunto. Com isto emmente, fiz um pequeno desvio para resgatá-lo da lavanderia.
 
Terry estava em um humor estável hoje, para meu alívio.Ele estava sorrindo à medida em que batia ruidosamente pelolado de fora nas tábuas queimadas da varanda de trás comuma marreta. Apesar do dia estar muito frio, Terry vestiasomente uma camiseta sem mangas enfiada em seus jeans.Esta cobria a maioria das suas cicatrizes apavorantes. Depoisde cumprimentá-lo e perceber que ele não queria conversar,entrei pela porta da frente. Eu estava descendo o corredor paraa cozinha para olhar novamente os danos.Os bombeiros tinham dito que o chão estava seguro.Fiquei nervosa em andar sobre o linóleo queimado, mas depoisde um momento ou dois, me senti confortável. Coloquei asluvas e comecei a trabalhar, vasculhando gabinetes, armários egavetas. Algumas coisas tinham derretido ou deformado com ocalor. Umas poucas coisas, como meu coador pstico,estavam tão torcidas que demorei um segundo ou dois paraidentificar o que eu estava segurando.Atirei as coisas arruinadas fora, diretamente pela janelasul da cozinha, longe de Terry.Não confiava em nenhum dos alimentos que estavam nosgabinetes que ficavam na parede externa. A farinha, o arroz, oaçúcar –estavam todos guardados em potes de Tupperware, eapesar dos selos terem agüentado, eu não queria usar osconteúdos. O mesmo para os enlatados; pela mesma razão,me senti desconfortável em usar comida de latas que tinhamficado tão quentes.Felizmente, meus utensílios de cerâmica diários e a boaporcelana que tinham pertencido a minha tataratinhamsobrevivido, já que eles ficavam no gabinete mais distante daschamas. Sua prataria estava em boa forma, também. Meuaparelho de jantar mais útil sem manchas, muito próximo dofogo, estava torcido e deformado. Algumas das panelas efrigideiras ainda eram aproveitáveis.Trabalhei por duas ou três horas, separando coisas para acrescente pilha do lado de fora da janela ou as ensacando nossacos de lixo de Jason, para uso futuro em uma nova cozinha.Terry trabalhou pesado, também, fazendo uma pausa de vezem quando para beber água engarrafada enquanto ele seempoleirava na carroceria traseira de sua picape. Atemperatura foi para acima dos vinte. Nós podíamos ter maisum pouco de geadas pesadas, e havia sempre a chance deuma tempestade de granizo, mas era possível contar com aprimavera vindo logo.Não foi uma manhã ruim. Senti como se eu estivessedando um passo em direção de recuperar meu lar. Terry erauma companhia não muito exigente, já que ele não gostava deconversar, e ele estava exorcizando seus denios comtrabalho duro. Terry estava no fim de seus cinqüenta agora.Alguns dos cabelos do peito que eu podia ver acima do
 
colarinho de sua camiseta eram grisalhos. O seu cabelo, umavez castanho avermelhado, estava desbotando enquanto eleenvelhecia. Mas era um homem forte, e ele balançava suamarreta com vigor, colocando tábuas em cima do reboque desua caminhonete sem nenhum sinal de tensão.Terry saiu para levar uma carga para o depósito de lixomunicipal. Enquanto ele estava fora, entrei no meu quarto e fizminha cama – uma coisa estranha e tola para fazer, eu sei.Teria que tirar os lençóis e lavá-los; de fato, eu teria que lavar quase cada peça de tecido na casa para livrá-loscompletamente do cheiro de queimado. Eu teria mesmo quelavar as paredes e repintar o corredor, apesar da pintura noresto da casa parecer limpa o suficiente.Eu estava fazendo um intervalo no quintal quando ouviuma caminhonete se aproximar um momento antes deaparecer, saindo das árvores que cercam a entrada de carros.Para minha surpresa, a reconheci como a caminhonete deAlcide, e senti uma pontada de medo. Eu tinha dito a ele paraficar longe.Ele parecia estar nervoso com alguma coisa quandosaltou da cabine. Eu estava sentada à luz do sol, em uma deminhas cadeiras de alumínio de jardim, me perguntando quehoras eram e quando o empreiteiro chegaria aqui. Depois docompleto desconforto de minha noite passada na casa deJason, estava também planejando achar algum outro lugar para ficar enquanto a cozinha estava sendo reconstruída. Nãopodia imaginar o resto de minha casa sendo habitável até otrabalho estar completo, e aquilo poderia demorar meses.Jason não me quereria por perto tanto tempo, com certeza. Eleteria me hospedado se eu quisesse ficar – ele era meu irmão,afinal – mas eu não queria pressionar seu espírito fraternal.Não havia ninguém com quem eu quisesse ficar por algunsmeses, quando vim a considerar a questão.“Por que você não me contou?” Alcide falou alto enquantoseus pés tocavam o chão.Eu suspirei. Outro homem furioso.“Nós agora não somos exatamente grandes amigos”, eu olembrei. “Mas eu teria contado. Só teria levado alguns dias.”“Você deveria ter me chamado antes de qualquer coisa”,ele me disse, caminhando em volta da casa para examinar odano. Ele parou exatamente na minha frente. “Você podia ter morrido”, ele disse, como se isto fosse uma grande novidade.“Sim”, eu disse. “Eu sei disso.”“Um vampiro teve que salvar você.” Havia aversão em suavoz. Vampiros e Lobis simplesmente não se entendiam.“Sim”, eu concordei, apesar de na verdade meu salvador ter sido Claudine. Mas Charles matou o incendiário. “Oh, vocêteria preferido que eu tivesse queimado?”
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