As licenças de Software Livre permitem que as aplicações possam ser modificadas e redistribuídas com essas mesmasmodificações. Ou seja, qualquer professor ou aluno, se assim o desejarem e tiverem as competências ou a vontade de aprendernecessárias, podem modificar a aplicação, introduzir melhorias ou adequá-la às suasnecessidades, e distribuir as suas versõesmodificadas. Imagine um professor ou um grupo de professores que tem a vontade e ascompetências necessárias para traduzirpara português uma aplicação que só existe em língua inglesa ou desenvolver novas funcionalidades para uma aplicação jáexistente. Se a aplicação for Software Livre não existe qualquer restrição, pagamento ou proibição.Mesmo que este não seja o seu caso pessoal, ou o da sua instituição de ensino, certamente compreende a importância dapreservação desta liberdade. Por exemplo, a Faculdade de Engenharia da Universidadedo Porto adequou a distribuição deSoftware Livre Ubuntu para que contivesse o software adequado aos cursos leccionados na FEUP (http://linux.fe.up.pt/portal /distros/feuplive). Uma pesquisa rápida na página oficial da aplicação Moodle (http://moodle.org) revela inúmeros módulos e
temas desenvolvidos por professores ou escolas que permitem expandir as funcionalidades ou modificar o aspecto da versãooriginal.
Valores fundamentais - solidariedade, partilha, trabalho, colaboração
As comunidades do Software Livre são bastante dinâmicas e funcionam assentes nos princípios da colaboração e dos contributosmútuos, envolvendo: pessoas que escrevem o código do programa, pessoas que fazem traduções para várias línguas, outras quese dedicam ao marketing e divulgação, outras ainda que escrevem tutoriais, utilizadores que relatam os problemas encontrados,utilizadores que partilham as criações efectuadas com os programas, etc. O modo de sobrevivência destas comunidades é otrabalho em equipa e a colaboração em massa. Por outras palavras, utilizar SoftwareLivre também significa participar emcomunidades espalhadas pelo globo construídas diariamente em torno de valores como a solidariedade, a partilha, a colaboraçãoe a responsabilidade.Além disso, acontece frequentemente que as contribuições de um dado aluno e/ou professor são rapidamente disseminadas portodo o mundo e reconhecidas por um conjunto alargado de indivíduos. Este reconhecimento pelo contributo e trabalhodesenvolvido eleva a confiança empreendedora dos alunos.3.
Evitar a armadilha do lock-in
Existem algumas armadilhas relacionadas com o vendor lock-in que talvez lhe sejam familiares. Por exemplo, quantos de nós játivemos problemas a tentar partilhar com colegas ficheiros de texto, de imagem, comdiapositivos de apresentações, com vídeos?Quantos de nós já optámos por não mudar de programa apenas porque perderíamos a possibilidade de aceder à informaçãoentretanto produzida com o mesmo? Quantos de nós já fomos forçados a adquirir licenças para novas versões dos programasporque os mesmos deixaram de ser seguros ou funcionais? Todos estes problemas derivam do chamado vendor lock-in. Comonão é possível estudar o código-fonte dos programas proprietários, modificá-los e partilhar as alterações, ficamos “presos” aosmesmos e à informação por eles criada. A utilização de Software Livre elimina ou atenua a maioria destes problemas.Em primeiro lugar, porque os programas livres são em geral compatíveis com normas abertas internacionais, permitindo a trocalivre de informação. Para mais informação sobre este tópico, recomendamos a leiturade um manifesto e de um guia publicadospela Associação Ensino Livre (http://www.ensinolivre.pt/?q=node/144ehttp://www.ensinolivre.pt/?q=node/148- a actualizar em
breve).Em segundo lugar, porque um fornecedor ou empresa não pode impôr a sua vontade e estratégia comercial sobre o programalivre que temos instalado. Por exemplo, se for descoberta uma falha ou erro grave de funcionamento num qualquer programalivre, existem várias soluções possíveis: confiar na capacidade da comunidade para resolver o problema; resolvermos por nóspróprios ou colaborar com outros na solução; e, só por último, solicitar a ajuda deuma empresa. Repare que mesmo neste últimocaso, terá sempre a possibilidade de sondar várias empresas em busca daquela que presta o melhor serviço, por oposição ao queaconteceria se utilizasse um software proprietário. Porquê? Porque essas várias empresas podem estudar o código dosprogramas livres e podem modificá-lo, corrigi-lo e melhorá-lo. No caso do software proprietário, apenas a empresa detentora dosdireitos sobre a aplicação tem permissão para introduzir melhorias ou correcções.Mesmo quando o Software Livre é desenvolvido tendo em vista objectivos comerciais, e existem imensos casos de sucessoeconómico construídos em torno do desenvolvimento de Software Livre ou de serviços a ele associados (i.e. formação,manutenção, etc.), o negócio não é assente em práticas ou políticas empresariais que restrinjam as liberdades do utilizador. Outilizador possui sempre a liberdade de instalar, copiar, analisar, estudar, modificar e redistribuir as aplicações. Para ter umanoção das empresas em Portugal que funcionam nestas condições, visite por exemplo apágina da Associação Portuguesa deEmpresas de Software Open Source (http://www.esop.pt).Em resumo, utilizar Software Livre significa não ficar sujeito à estratégia comercial e prioridades definidas por uma empresaespecífica. Significa não ficar sujeito às suas decisões relativamente a aspectos tão importantes como os custos financeiros deaquisição e de actualização das aplicações, o ritmo, direcção de evolução e desenvolvimento de novas funcionalidades e, até, opróprio prazo de vida da aplicação.4.
Construção de competências adequadas ao mundo em que vivemos, de inovação e criatividade
A cidadania plena na Sociedade em Rede implica a construção de competências relacionadas com o modo de funcionamento doscomputadores e da Internet. Se a possibilidade de estudar, analisar e modificar o código-fonte das aplicações de Software Livretraz benefícios óbvios para quem pretende construir conhecimento na área da informática, não é menos verdade que asoportunidades de aprendizagem proporcionadas pelo Software Livre podem ultrapassar em muito o âmbito restrito da informática.Nos alicerces do panorama tecnológico actual encontramos eixos fortemente compostospor processos de mudança, diversidadee inovação. Neste contexto, é legítima a preocupação com o futuro dos alunos que constroem as suas competências em torno dautilização de um sistema operativo proprietário ou de um conjunto de ferramentas proprietárias. Em primeiro lugar, porque osprodutos desta natureza obedecem primeiramente à estratégia comercial de uma empresa específica e terão a sua existência justificada apenas enquanto produtos economicamente viáveis. Em segundo lugar e nãomenos importante, porque, dada aexistência de restrições de vária ordem (preço, monopólios, falta de interoperabilidade, etc.), os alunos/professores/instituiçõesque o utilizam não são estimulados a uma cultura de mudança, de inovação, de experimentação, de melhoria das suas práticas,de criatividade, essenciais tanto na informática como em todos os sectores.Utilizar Software Livre significa abraçar um mundo composto por diversidade e inovação, implica processos de avaliação dealternativas, defende a liberdade de escolha. A opção pelo Software Livre traduz a valorização da construção de competências emTecnologias da Informação e Comunicação em detrimento da valorização de competências de utilização de aplicações específicasvendidas por empresas específicas. Significa também a promoção de uma atitude face às TIC que favoreça a criatividade e aparticipação activa, a colaboração e o consumo crítico. Esta atitude irá reflectir-se positivamente nas competências de longo prazodos nossos alunos, futuros profissionais.5.
Em que estado estamos?
Hoje em dia, são imensos os projectos de Software Livre mundialmente conhecidos e indispensáveis ao ecossistema dastecnologias da informação. Por exemplo, a maior parte dos servidores web, os computadores que nos apresentam as páginas naInternet, utiliza o Software Livre Apache. Para navegar nessas mesmas páginas, milhões de utilizadores utilizam o programa livreMozilla Firefox. Para produzir documentos de escritório, podemos utilizar os programas fornecidos pelo projecto OpenOffice.orgtal como fazem milhões de outros utilizadores e organizações. Os exemplos multiplicam-se e, para estas mesmas funcionalidadesque acabámos de referir, existem dezenas de outras alternativas com qualidade. Paramais informações sobre programas livres,sugerimos uma visita ao sítio web da Associação Ensino Livre (http://www.ensinolivre.pt), a consulta do “Guia do Software Livrepara Escolas, Alunos e Professores” (http://www.ensinolivre.pt/files/guiasoftwarelivrev11.pdf) ou uma passagem pelo SourceForge(http://sourceforge.net), um dos maiores repositórios de Software Livre.6.
TeK > Opinião > Opinião: Carta aberta aos professores sobre Software...http://tek.sapo.pt/opiniao/opiniao_carta_aberta_aos_professores_sobre...de 402-10-2009 11:14
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