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Plataforma de Organização dos Comunistas Libertários

Plataforma de Organização dos Comunistas Libertários

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Plataforma de Organização dos Comunistas Libertários (1926)
Plataforma de Organização dos Comunistas Libertários (1926)

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Plataforma Organizacionaldos Comunistas Libertários
Dielo Truda (Causa Operária)
1926
Nestor Mhakno, Ida Mett, PiotrArchinov, Valevsky, Linsky
Movimento deSolidariedade Operária
 adaptado por geocities.com/projetoperiferia
www.struggle.ws/wsmFev 2001edição em PDF
Prefácio
Em 1926 um grupo de anarquistas russos exiladosna Fran
ç
a, o grupo Dielo Trouda (Causa Operária),publicou este panfleto. Não surgiu de nenhum estu-do teórico, mas de suas experiências na revolução rus-sa de 1917. Eles contribuiram para a desintegraçãoda velha classe dirigente, paticiparam no flo-rescimento da autogestão dos trabalhadores ecamponêses, compartilharam o otimismo existenteacerca de um novo mundo socialista e livre . . . e vi-ram tudo isso ser subtituído pelo Capitalismo Esta-tal e pela ditadura do partido Bolchevique.
O movimento anarquista russo exerceu um papel importante narevolução. Na época existiam cerca de 10.000 anarquistas ativosna Rússia, sem incluir o movimento liderado na Ucrânia por NestorMakhno. Haviam pelo menos quatro anarquistas no Comitê Mili-tar Revolucionário (dominado pelos bolcheviques), que tomou opoder em outubro. E, mais importante que isso, os anarquistasestavam envolvidos nos comitês das fábricas que surgiram logoapós a revolução de fevereiro.A base destes eram os locais de trabalho, eleitos por assembléiasmassivas de trabalhadores, e tinham como função supervisiona-rem as fábricas e coordenarem-se com outros locais de trabalho nomesmo ramo de indústria ou região. Os anarquistas foram particu-larmente influentes entre os mineiros, estivadores, padeiros e exer-ceram um importante papel na Conferência nas Comissões de Fá-brica por toda a Rússia, que se reuniram em Petrogrado quase aofinal da revolução. Eram estes comitês os quais os anarquistas viamcomo base para o novo sistema autogestionário que se implantariaapós a revolução.
 
Sem embargo, o espírito revolucionário e aunidade de outubro não durou muito. Osbolcheviques ansiavam por suprimir todasaquelas forças da esquerda as quais viam comoum obstáculo para exercer o poder do
“partidoúnico”
. Os anarquistas e alguns outros naesquerda criam o que a classe trabalhadoraseria capaz de exercer o poder através de suaspróprias comunidades e sovietes (conselhosde delegados eleitos). Os bolcheviques não.Propuseram que os trabalhadores ainda nãopodiam tomar o controle de seu própriodestino, dessa forma os bolcheviquestomariam o poder como uma
“medida provisória”
durante o
“período de transição”
.Esta falta de confiança nas habilidades daspessoas comuns e a tomada autoritária dopoder conduziu à traição dos interesses daclasse trabalhadora, como também de todassuas esperanças e sonhos.Em abril de 1918 os centros anarquistas deMoscou foram atacados, 600 anarquistasencarcerados e dezenas deles acabarammortos. A desculpa foi de que os anarquistaseram
“incontroláveis”
. Seja lá o que for quequeriam dizer com isso, o certo é quesimplesmente se negaram a obedecer aoslíderes bolcheviques.A razão real foi a formação das GuardasNegras, que haviam sido criadas para lutarcontra as brutais provocações e abusos daCheka (predecessores da atual KGB).Os anarquistas deveriam decidir o que fazer.Uma seção trabalhava com os bolcheviques,e se uniram a eles, todavia quando existiapreocupação quanto à eficiência e à unidadecontra a reação - Outra seção lutou duramentepara defender os avanços da revolução contraaqueles que seriam uma nova classedominante, como corretamentevislumbravam. O movimento Makhnovistana Ucrânia e o levante do Kronstadt foram asúltimas batalhas importantes. Em 1921, arevolução anti-autoritária, já estava morta. Suaderrota teria profundas e duradourasconseqüências para o movimentointernacional de trabalhadores.Havia a esperança dos autores de que essedesastre não ocorresse novamente. Comocontribuição, eles escreveram o que ficouconhecido como
“A Plataforma”
. A qualenxerga as lições do movimento anarquistarusso, seu fracasso em constituir uma presençadentro do movimento da classe trabalhadora,suficientemente grande e efetivo para secontrapor a tendência bolchevique e outrosgrupos políticos em impor-se a si mesmossobre a classe trabalhadora. Constitui um guiaque a grosso modo sugere como os anarquistasdevem organizar-se, em resumo, comopodemos chegar a ser efetivos.Trata-se de verdades bastante simples, éridículo uma organização composta porgrupos com definições contraditórias emutuamente antagonistas ao anarquismo. Énecessário estabelecer formalmente um
Introdução Histórica
NESTOR MAKHNO e PIOTR ARSHINOV juntamente com outros anarquistas russos eucranianos em Paris, publicaram a excelente Dielo Trouda bimensalmente a partir de1925, que consistia em uma revista anarco-comunista teórica de muito boa qualidade.Anos antes, quanto ambos estavam encarcerados na prisão Butirky em Moscou, tiverama idéia de publicar uma revista desse estilo. Agora a estavam colocando em prática. Makhnoescreveu um artigo em quase todos os números durante o curso de três anos. Em 1926 seuniu ao grupo IDA METT (autor da denúncia contra os bolcheviques chamada:
"AComuna Kronstadt"
), que a pouco tempo havia conhecido na Rússia. Naquele ano tam-bém viu a publicação de
"Plataforma Organizacional"
.
A publicação da
“Plataforma”
foi encaradacom ferocidade e indignação por muitos nomovimento internacional anarquista. Oprimeiro a atacar foi o anarquista russo Voline,à época também na França, e fundador comSebastião Faure de
“Síntese”
, que buscava justificar uma mescla de anarco-comunismo,anarco-sindicalismo e anarquismo individual.Junto a Molly Steirner, Fleshin, e outros,escreveu uma réplica dizendo que
“sustentar que o anarquismo é apenas uma teoria declasses é limitá-lo a um único ponto de vista”
.Sem desanimar, o grupo Dielo Trouda fez em5 de fevereiro de 1927 um convite a uma
“conferência internacional”
, onde ocorreriauma reunião preliminar no dia 12 daquelemesmo mês. Estavam presentes nesta reunião- fora o grupo Dielo Trouda - um delegado daJuventude Anarquista francesa (Odeon); umBúlgaro, Pavel, enquanto indivíduo, umdelegado do agrupamento anarquista polaco,Ranko, e outro polaco enquanto indivíduo,alguns militantes espanhóis, entre os quaisFernández, Carbo e Gibanel; um italiano, UgoFedeli; um chinês, Chen; e um francês,Dauphlin-Meunier, todos como indivíduos. Aprimeira reunião foi realizada em um pequenoquarto atrás de um café parisiense.Foi criada uma comissão provisória, compostapor Makhno, Chen e Ranko. Uma circular foienviada a todos os grupos anarquistas em 22de fevereiro. Foi convocada uma conferênciainternacional que teve lugar em 20 de abril de1927, em Hay-les-Roses - perto de Paris - nocinema Les Roses.Além dos que vieram na primeira reunião,havia um delegado italiano que apoiou a‘Plataforma’, Bifolchi, e outra delegaçãoitaliana do periódico ‘Pensiero e Volonta’,Fabbri, Camillo Berneri, e Ugo Fedeli. Osfranceses tiveram dois delegados, um deacordo por meio de políticas expressas porescrito, o rol participantes, a necessidade deestabelecer comissões e métodos de trabalho;o tipo de estrutura que resulte em umaorganização democrática, grande e efetiva.Quando foi publicada pela primeira vezrecebeu o ataque das personalidades maisconhecidas na época, tais como EnricoMalatesta e Alexander Berkman. Foramacusados de estar “
a um só passo dosbolcheviques”
e de inventarem um
“anarquismo bolchevique”
. Esta reaçãoexagerada deveu-se em parte à proposição decriar uma União Geral de Anarquistas. Osautores não explicaram claramente como seriaa relação entre esta organização e os outrosgrupos de anarquistas fora dela, nem que nadaimpedia que organizações anarquistasdistintas trabalhassem juntas em publicaçõesque compartilhassem posições e estratégiascomuns.Não consiste, como tem sido colocado tantopor seus detratores como por alguns de seusadeptos ultimamente, em um programa para
“afastar-se do anarquismo em direção aocomunismo libertário”
. Os dois termos sãocompletamente interrelacionados. Foi escritopara ressaltar o fracasso dos anarquistas russosem sua confusão teórica; tanto quanto em suafalta de coordenação a nível nacional,desorganização e incerteza política. Em outraspalavras, carecia de efetividade. Emsuma, longe de fazer um compromisso compolíticas autoritárias, buscava a necessidadevital de criar uma organização que combinasseum efetivo ativismo revolu-cionário com osprincípios fundamentais do anarquismo.Não é agora um programa perfeito, etampouco o foi em 1926. Tem debilidades.Não explica algumas de suas idéias comsuficiente profundidade, pode-se argüir quenão cobre em absoluto alguns tópicosimportantes. É bom não esquecer que o do-cumento é um pequeno panfleto e não umaenciclopédia de 26 volumes. Os autoresdeixam bastante claro em sua introdução quenão se trata de nenhum tipo de
“Bíblia”
. Nãoé uma análise ou programa completo, é umacontribuição ao necessário debate - um bomponto de partida.Para que não reste qualquer tipo de dúvida desua relevância hoje em dia, deve ser dito queas idéias básicas de
“A Plataforma”
sãopreponderantes entre as idéias do movimentoanarquista internacionalmente. Os anarquistasbuscam mudar o mundo para melhor, e estepanfleto nos leva em uma direção ondepodemos encontrar algumas das ferramentasnecessárias para cumprir esta tarefa.Alan MacSimoin, 1989
 
Makhno e membros do comando do exército insurgente
Odeon, favorável à 'Plataforma', e SeverinFerandel.Foi colocada a seguinte proposta:1. Reconhecer a luta de classes como o as-pecto mais importante da idéia anarquista;2. Reconhecer o Anarco-Comunismo comoa base do movimento;3. Reconhecer o sindicalismo como o prin-cipal método de luta;4. Reconhecer a necessidade de uma 'UniãoGeral de Anarquistas', baseado na unidadetática e ideológica, e na responsabilidadecoletiva;5. Reconhecer a necessidade de um progra-ma positivo para realizar a revolução soci-al.Depois de uma grande discussão algumasmodificações foram agregadas à propostaoriginal. Todavia, não deu tempo de fazer maisnada pois a policia invadiu o local, prendendotodos os presentes. Makhno quase foideportado, só não o foi graças a umacampanha iniciada por anarquistas franceses.A proposta de criar uma
‘Federação Internacional de Anarco-Comunistas Revolucionários’
havia sido desbaratada,mesmo alguns daqueles que participaram nadita conferencia recusaram dar-lhe algumaautoridade.Outros ataques à
‘Plataforma’
vieram deFabbri, Berneri, do historiador anarquista MaxNettlau, seguidos de Malatesta, o conhecidoanarquista italiano. O grupo
 Dielo Trouda
replicou com
“Uma Resposta aosConfusionistas do Anarquismo”
, seguido deuma declaração de Arshinov sobre a‘Plataforma’ em 1929. Arshinov,decepcionado pela maneira com que se reagiuà idéia da ‘Plataforma’, voltou à URSS em1933. Foi acusado de
“tentar restaurar o Anarquismo na Rússia”
, sendo executadoem 1937, durante as purgas estalinistas.A Plataforma falhou em estabelecer-se emnível internacional, mas afetou algunsmovimentos:Na França, a situação foi marcada por umaserie de divisões e fusões, os
‘Plataformistas’
por algumas vezeschegaram a controlar o movimentoanarquista, enquanto que em outras ocasiõesse viram forçados a dispersar-se e formarseus próprios agrupamentos. Na Itália, ossimpatizantes da Plataforma criaram opequeno
“Sindicato Anarco Comunista Italiano”
, o qual rapidamente entrou emcolapso. Na Bulgária, a discussão sobreformas de organizar-se provocou areconstrução da Federação AnarquistaBúlgara (F.A.C.B.) sobre uma
“plataformaconcreta” “para uma organizaçãoanarquista específica, permanente eestruturada”
 
“baseada nos princípios etáticas do comunismo libertário”
. Todavia,os
‘Plataformistas’
da linha dura se negarama reconhecer a nova organização e adenunciaram em seu periódico semanal
“Prouboujdane”
, antes dela entrar em colapsopouco tempo depois.De forma similar na Polônia, a
Federação Anarquista da Polônia
(AFP) reconheceu quese há de derrubar o capitalismo e o estadoatravés da luta de classes e da revolução social,criando uma nova sociedade baseada emconselhos de trabalhadores e camponeses, euma organização construída sobre a unidadeteórica, embora negando a Plataforma aoconsiderar que tinha tendências autoritárias.Na Espanha, ocorreu, conforme Juan GómezCasas descreve em
‘Organización Anarquista- La Historia de la F.A.I.’: “O anarquismoespanhol estava preocupado em comoresgatar e incrementar a influencia que tevedesde que a Internacional chegou à Espanha”
. Os anarquistas espanhóis nãotinham naquela época preocupações sobre sairdo isolamento, ou de competir com osbolcheviques. Na Espanha, a influenciabolchevique era ainda pequena. A Plataformadificilmente poderia afetar o movimentoespanhol. Quando se criou a
‘Federação Anarquista Ibérica’
em 1927, a Plataformanão pode ser discutida mesmo estando naagenda, pois não haviam sido traduzidas suaspropostas. J. Manuel Molinas, à épocaSecretário dos
Grupos Anarquistas de falahispânica na França
, escreveu mais tarde parao Casas:
“A plataforma de Arshinov e outrosanarquistas russos exerceu muito poucainfluencia no movimento no exílio e dentrodo país... ‘A Plataforma’
 
 foi uma tentativa derenovar, de dar mais caráter e capacidade aomovimento anarquista à luz da Revolução Russa. Hoje, ao longo de toda nossaexperiência, me parece que esse esforço não foi totalmente apreciado.
A Guerra Mundial interrompeu odesenvolvimento das organizaçõesanarquistas, mas a controvérsia sobre aPlataforma reapareceu com a fundação da
‘Federation Comuniste Libertaire’
na França,e do ‘
Gruppi Anarchici di Azione Proletária’
na Itália no principio dos anos 50. Ambosusaram a ‘Plataforma’ como ponto dereferência (houve também uma pequena
‘Federación Comunista Libertaria’
deespanhóis no exílio.) Isto foi seguido em finaisdos anos 60 e começos dos anos 70 pelosurgimento de grupos tais como ‘Organisationof Revolutionary Anarchists’ na Inglaterra e a
‘Organisation Revo-lutionnaire Anarchiste’
naFrança.A Plataforma continua sendo uma valiosareferência histórica para os anarquistas da lutade classes, na busca por maior efetividade epela saída do isolamento político, dainatividade e da confusão, buscando respostasaos problemas que enfrentam.Nick Heath, 1989
Nota:
Com o rápido crescimento do anarquismo,principalmente depois da queda do muro deBerlim, a Plataforma tornou-se novamente umimportante documento para grupos e indivíduosna busca pela superação das tendências anti-organisacionais de uma parcela do anarquismo.Em fevereiro de 2001 a Plataforma revelou-semais influente do que nunca com traduções empolonês, turco, sueco, francês, hebreu, espanhol,português, holandês e italiano pela internet.Totalmente vinculados às idéias centrais daPlataforma, 'reinventadas' antes mesmo dedescobrirem seu texto histórico, a todoinstante novos grupos emergem na EuropaOriental e América do Sul. Existem gruposanarquistas na França, Itália, Uruguai, Líbano,Suíça, Inglaterra, Polônia, Irlanda, Brasil,Argentina, Chile, EUA, Canadá e na RepúblicaCheca cuja base de organização repousa emalgumas idéias da Plataforma.
Andrew Flood - Fev 2001

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