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ESCREVA SEU LIVRO
http://www.escrevaseulivro.com.br
Como começar a escrever? 
Escrever para ser publicado é diferente de escrever para si próprio.Quando escrevemos para nós mesmos, como um diário ou reflexões, estamos usando a escrita para pensar. É umótimo método para esclarecer questões, visto que no papel mesmo as situações mais complicadas vão se organizando.Não é à toa que tantos terapeutas sugerem a seus clientes escreverem um diário. É muito bom para a cabeça produzirtextos sobre o que é importante para nós.Quando escrevemos para ser publicados, estamos escrevendo para outras pessoas. O foco passa a ser a necessidadedos leitores e não mais as nossas como escritores.Quando escrevemos para nós, está certíssimo preenchermos nove páginas pesando os prós e os contras dedeterminada pessoa por quem estamos interessados. Quando escrevemos para os outros, precisamos cortar tudo quenão seja interessantíssimo e contribua para o andamento da história, o que provavelmente transformaria todasaquelas dúvidas em um único e curto parágrafo.É um difícil exercício escrever para ser publicado, porque em geral a gente gosta do que escreve, acha tudoimportante e pensa que todo mundo vai gostar também.Só que isso não é verdade. As pessoas selecionam os livros de acordo com o que estão passando, as dificuldades queestão vivendo. Algo fascinante para nós pode ser o máximo do tédio para um leitor.Por outro lado, não podemos ter medo. Escrever para os outros é um ato de coragem, de se expor. Quanto maishonestidade a gente coloca no texto, quanto mais ridículo e perdido a gente se apresenta, tanto mais fácil os leitoresgostarem da gente.Quando escrevemos, temos também muita ansiedade a respeito do resultado. Queremos ficar famosos, ser elogiados,de repente até ganhar um dinheirão. É bom saber que a maioria dos escritores não fica nem rica nem famosa, e quenenhum escritor conhecido fez sucesso com o primeiro livro. Nenhum mesmo!Portanto, vá com calma. Faça o que pode, não pense nos resultados, e vá escrevendo um pouco sempre. Quererescrever o primeiro livro e imaginar que ele vai ser o próximo Harry Potter é pedir para ficar decepcionado. É bemmelhor publicar um artigo numa revista aqui, um poema numa coletânea ali e não ter expectativas loucas.Mas como podemos saber o que dá para ser publicado?Existem alguns requisitos mínimos para produzir um texto publicável, isto é, que venha a interessar um editor. Secumprirmos todos, isso não é garantia de que nosso texto será aceito por um editor, mas já é meio caminho andado!Abaixo estão algumas sugestões para fazer com que os seus escritos fiquem bons:
• Prestar atenção ao que está acontecendo em volta.
A escrita que mais interessa é aquela que fala das preocupações, angústias e felicidades das outras pessoas – e não sóas suas – hoje. Os editores desejam obras conectadas com o público, que falem do que importa.
• Falar do que conhece.
Se você é um adolescente que mora numa cidade do interior e nunca viajou para fora do país, não pode escrever umaaventura que se passe em Paris. Vai parecer falsa. Nem dar conselhos para os mais velhos. Você tem de falar do queentende, do que já viveu em primeira mão, do que conhece muito bem.
• Ler muito.
Para escrever bem, você precisa ler todo tipo de literatura, inclusive novos autores brasileiros, romances esquisitos deautores de quem você nunca ouviu falar, arriscar poetas novos. Se você não souber o que os outros estão pensando epublicando, será difícil escrever algo criativo e diferente.
• Escrever muito e sem erros.
Para escrever bem, é preciso escrever todo tipo de coisa, inclusive cartas e emails, com clareza e sem errosortográficos. Não adianta pensar que o corretor ortográfico ou o revisor vai corrigir seus erros, você precisa saber oque é certo, qual palavra é a melhor numa frase.
• Passar por um crivo de leitores críticos.
Sua mãe não vale, nem seus primos. O que é preciso é ir expondo seus textos a vários leitores que não tenhamnenhuma amizade por você e possam fazer críticas. Um site na internet, um artigo numa revista podem dar o tipo deresposta que você precisa. Mas não adiante ficar pescando elogios, é preciso pescar os problemas para saber ondemelhorar!
• Jogar fora nove décimos do que originalmente escreve.
Você mesmo tem de selecionar o que é bom e o que é mediano entre os seus escritos, não adianta achar que tudomerece virar livro porque ninguém escreve só maravilhas. Até Guimarães Rosa deixou um monte de coisa na gaveta...
 
• Amar a língua portuguesa.
A escrita é para aqueles que amam a língua. Não dá para escrever um livro querendo fazer um vídeo ou ficando compreguiça de aprender novas palavras. A língua é a ferramenta do escritor. Como o pintor ama as tintas, o escritorprecisa ter fascínio pelas palavras.
• Confiar em si mesmo.
Quando você escreve, acredita que tem algo a dizer. Continue acreditando sempre nisso e busque a melhor maneirade ser autêntico. Editores querem escritos verdadeiros, não materiais artificiais montados para agradar. Faça com ocoração que é sempre mais verdadeiro.
O que eu não devo fazer? 
Jean Bryant, professora de escrita nos Estados Unidos, levantou sete hábitos que você NÃO deve NUNCA adotar sequiser escrever alguma coisa. A abordagem bem-humorada aponta para as armadilhas mais comuns de quem começaa escrever (em Anybody can write, San Rafael, New World Library, 1985):
1 - Pense no que os outros podem achar.
Pense em como você precisa ser ótimo e original para mostrar que ébom, e escrever sem um erro sequer. Pense nas pessoas que vão ler seu material, especialmente em sua mãe. Tomeum café e pense mais um pouco.
2 - Faça muita pesquisa antes.
Você precisa descobrir absolutamente tudo sobre kiwi ou bordéis parisienses antesde começar seu próximo capítulo. Faça sua pesquisa no próprio local, viajar é bom para o escritor. Não comece aesrever antes de terminar toda a pesquisa.
3 - Peça conselhos a todo mundo.
Mostre suas páginas iniciais ou seu esboço a amigos e parentes, inclusive a seudentista. Ignore o adágio de que o camelo é um cavalo montado a partir do consenso entre os membros de um comitêe siga todos os conselhos recebidos sem exceção. Não confie em si próprio.
4 - Considere seu trabalho uma extensão de sua pessoa.
Se o elogiarem, não revise nem reescreva nada,mande para as editoras imediatamente. Se for recusado, pare de escrever. Quando disserem que seu trabalho nãoestá perfeito, entenda que não gostam de você. Reclame e choramingue que estão cometendo uma injustiça contravocê.
5 - Espere até estar inspirado.
Consulte seu horóscopo para o dia e o que dizem os búzios. Arrume suaescrivaninha e troque as cores da tela de seu computador. Caso a musa não apareça para inspirar-lhe, vá ao cinema.Quem sabe você não irá escrever um roteiro de sucesso algum dia?
6 - Deixe para depois.
Mais tarde sempre é melhor. Se você não escrever sobre um assunto, alguém vai acabarfazendo-o. Deixe para amanhã o que você não precisa escrever hoje.
7 - Leve seu trabalho à sério. Nunca se satisfaça com nada que não esteja perfeito.
Lembre-se de como éimportante este projeto. Você pode passar ridículo e perder seu emprego caso escreva mal. Ao mesmo tempo, nãodeixe que o peso dessa responsabilidade o impeça de trabalhar. A paralisação de seu impulso vai durar apenas unsdois anos, até o perigo passar.
Dicas de um escritor de sucesso
Kurt Vonnegut, autor de Matadouro número cinco, entre outros sucessos, explica em um artigo intitulado "Comoescrever com estilo" (in How to use the power of the printed word, editado por Billings S. Fuess, New York, Doubleday,1985) que muitas das preocupações dos autores sobre estilo acabam por atrapalhá-los e fazê-los encher seu texto depalavras exóticas e artificiais. Eis suas dicas:
1. Escolha um assunto sobre o qual você se importe.
O seu interesse genuíno, e não qualquer jogo de palavras que possa fazer, é que terá o poder de seduzir o leitor.
2. Não se estenda.3. Seja simples.
Lembre-se de que tanto Shakespeare quanto a Bíblia usaram palavras perfeitamente compreensíveis para as pessoasda época.
4. Tenha a coragem de cortar.
A eloqüência deve curvar-se ante as idéias. Caso algumas lindas frases não acrescentem nada de novo ao que vocêestá tentando dizer, corte-as sem perdão.
5. Soe como você mesmo.
Escreva da maneira como usa a língua, do lugar de onde você é. Não tente se passar por uma pessoa de outro lugar eoutra cultura ou isto irá se refletir no seu poder de persuasão.
6. Diga o que tem a dizer de modo claro.
Leitores querem páginas que se pareçam com páginas, parágrafos e pontuação reconhecíveis. Não escolha criar jazzou cubismo quando seu objetivo é se fazer entender.
 
7. Tenha pena dos leitores.
Nossas opções como escritores são limitadas, uma vez que os leitores são artistas imperfeitos na arte de ler. Nossaaudiência requer um esforço de nossa parte de clarificar e simplificar, mesmo quando preferiríamos pairar acima decoisas tão chãs quanto a simplicidade.
8. Consulte livros de referência quanto a gramática e pontuação.
Como posso avaliar meu original? 
Se você não é um crítico literário com muita isenção para com a sua própria obra, é bastante difícil fazer uma auto-avaliação. Também adianta pouco você pedir à sua mãe, seu tio, seus irmãos para lerem o que você escreveu. Essaspessoas todas vão querer agradar você, além de, salvo raras exceções, não serem críticas treinadas para levantarproblemas em textos.Você pode usar os amigos simplesmente para receber alguns feedbacks. Por exemplo, jamais pergunte se a pessoagostou, pois é óbvio que dirá que sim. Faça perguntas abertas como: O que você entendeu da obra? O que acha maissignificativo? Quem você acha que vai gostar de ler isso? Que partes você acha lentas demais? O que você tiraria?
Dica amiga:
Mesmo que seus amigos dêem respostas úteis e extraordinárias, não tente usar a opinião deles para justificar a publicação de sua obra para um editor. A opinião de seus amigos não vale absolutamente nada para umeditor, porque esse profissional raciocina que, se os seus amigos não elogiarem você, quem o fará?Se você quer uma avaliação legítima, contrate um profissional. Esse serviço se chama leitura crítica ou parecer ouanálise crítica e deve ser executado por um editor que não conheça você e que não tenha inibições quanto a fazer umrelatório sincero.O que você pode fazer por conta própria, no entanto, é, depois de ter escrito tudo o que gostaria, assumir umapostura crítica e ler o seu trabalho como se fosse de outra pessoa. Isto não é muito fácil mas necessário para queapresente um original minimamente profissional a uma editora.
Dicas de uma editoraO escritor-aranha
O ato da escrita tem – na minha opinião de editora – algumas semelhanças com o trabalho das aranhas tecedeiras,aquelas nossas amigas de oito patas e variado número de olhos que fazem teias.Com certeza, elas não entendem nada de editoras, mas sua abordagem para armar teias pode ser muito instrutivapara quem deseja escrever. Não a toa, elas são símbolo da escrita, inventoras do alfabeto e musas da criatividade emmitologias de várias culturas. Veja só.
Lição aracnídea número 1
As aranhas fazem suas teias muito rapidamente.
Em meia hora ou quarenta minutos, mesmo aquelas teias grandes e lindamente geométricas ficam prontas. O recadopara escritores é: trate de escrever o que você pretende rapidamente e chegar ao término de seu projeto. Escreverlivros não é um trabalho para se estender por toda a vida, mas algo pontual e com um fim em vista.
Lição aracnídea número 2
As aranhas fazem teias apoiadas em algum lugar.
Repare que mesmo as teias mais intrincadas precisam ter várias linhas que as ancorem a pedras e árvores, de modoque não se rompam com o impacto do inseto. O equivalente na escrita é a ligação com a realidade. Mesmo a ficçãomais delirante, a poesia mais fantasiosa, precisa ter linhas firmes e resistentes de conexão com o mundo real, paraque o leitor não escape da leitura por achar o perfil psicológico do personagem impossível ou sua ação deslocada emrelação aos acontecimentos apresentados.
Lição aracnídea número 3
As aranhas fazem teias para capturar insetos.
Esses animais não perdem tempo fazendo teias para outra coisa que não seja enriquecer sua dieta de proteínas. Naescrita, isso quer dizer uma preocupação em construir tramas para capturar a imaginação do leitor e nada mais.Charmes estilísticos, efeitos literários, citações profundas devem ser todas deixadas de lado se não contribuírem paraenredar o leitor na história.
Lição aracnídea número 4
As aranhas constróem suas teias onde há insetos.
Nossas práticas professoras se empenham em armar suas redes onde muitas vítimas em potencial voejem, pulem oupasseiem. O que escritores devem aprender com isso é escrever suas histórias para públicos que existem, ou seja,grandes grupos de pessoas que possam se interessar por aquele tema e abordagem.
Lição aracnídea número 5 
As aranhas fazem teias invisíveis.
É evidente que o inseto não pode enxergar a teia antes de bater de encontro a ela, ou simplesmente fará um desvioem seu plano de vôo. Do mesmo modo, se o leitor perceber como a trama foi construída – com excesso de lógica oupouco suspense, por exemplo – certamente perderá o interesse e escapará da leitura.
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