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Desabafo de uma doente..

Desabafo de uma doente..

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Published by omne1985
Uma História Verídica sobre a Psiquiatria
Uma História Verídica sobre a Psiquiatria

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10/25/2012

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1
 
Dr. Octávio Escolástico
http://saude-mental.blogs.sapo.pt
UMA HISTÓRIA VERÍDICA
“Desabafo de uma doente do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda˝ “Desabafo de uma doente do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda˝ “Desabafo de uma doente do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda˝ “Desabafo de uma doente do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda˝ 
Esta é uma história verdadeira, narrada pela própria pessoa em questão. O texto éreproduzido na íntegra, da forma como foi escrito originalmente.A autora prefere o anonimato. Apenas deseja difundir a dramática experiência -UM ALERTA -, para que todos meditem e possam evitar idêntica provação.“O amanhã poderá já ser tarde demais!”
 
2
 
Dr. Octávio Escolástico
http://saude-mental.blogs.sapo.ptA narração na primeira pessoa:
«Nunca estive presa, mas as prisões devem ser mais ou menos assim.Nunca morri, mas conheço bem a porta de entrada para o inferno!Para receber o meu castigo social não foi preciso roubar, matar ou desrespeitar qualquer Lei.Bastou-me ter estado sem dormir cerca de uma semana, ao cabo da qual comecei a “delirar”; terido parar a um hospital dos que curam os males físicos e não me terem dado um medicamentosuficientemente forte para que eu pudesse recuperar o sono; bastou-me ter estado internada noHospital Miguel Bombarda!Uma ambulância. Os vidros parecem ter um autocolante opaco que fazem lembrar grades. Estousentada na parte de trás. A meu lado uma velhota, deitada, e mais uma ou duas pessoas que meparecem bastante estranhas. Não sei que horas são, mas lá fora as luzes estão ligadas. Estáescuro.Uma paragem. A velhota é retirada. A ambulância anda às voltas, ruas íngremes, de calçada.Pára. Arranca. Apercebo-me que estamos em Lisboa.Chegada ao Hospital Miguel Bombarda (soube-o depois), levam-me para uma sala. Mandam-mesentar. Exames e mais exames. Não percebo o que se passa, apenas sei que tenho muito sono.Muitos bips e vozes, depois sinto-me adormecer. Estou exausta.Sete da manhã. Estou num quarto com três camas, uma delas vazia. De novo uma idosa queolha para mim com um ar estranho e um sorriso permanente que parece desenhado na sua carapatética. Sinto-me confusa e assustada. Apressam-me. É a hora do banho. Nos corredores vejopessoas que mais me parecem moribundos. Uma gritaria desenfreada. Os auxiliares ralham comos doentes. A minha cabeça ainda está um pouco zonza, mas mesmo assim procuro perceberonde estou. Nunca vi nada igual, não reconheço este local. Porque é que estão a ralhar comaquelas pessoas adultas como se elas fossem crianças mal comportadas? O que vejo lembra-me que existe uma linha para denunciar maus tratos a menores. Não me ocorre mais nada eduvido que alguém se atreva a fazer alguma queixa. Eu nem tenho comigo qualquer saco comos meus objectos pessoais para puder procurar o telemóvel. Quem me dera perceber o queobservo. Alguém, por favor!!! Alguém que eu consiga reconhecer, alguém que me explique!!! PorFavor!!! Por Favor… por Favor… por favor… por fav…Entro nos balneários a cambalear, devem ter-me dado algo muito forte. Os balneários estãotodos forrados de azulejos brancos, tem um ar sujo, público demais para o meu gosto. O proble-ma aqui é que não tenho que gostar ou deixar de gostar. Ninguém veio ter comigo conversar outentar explicar-me qualquer coisa e eu, posso não saber ainda onde estou, mas já consegui per-ceber que aqui perdi o meu estatuto de pessoa; de ser humano com dignidade.
 
3
 
Dr. Octávio Escolástico
http://saude-mental.blogs.sapo.pt
Nos balneários está toda a gente nua. Corpos estranhos, corpos disformes. Há uma mulher quesó tem três dedos num dos pés, o seu dedo grande é do tamanho do meu punho fechado.Tento abstrair-me deste cenário insuportável aos sentidos e à razão e fecho os olhos por ummomento. De repente alguém me ordena com um tom de voz alto e de poucos amigos: “Vá, des-pe-te!!!”Obrigam-me a despir em frente a todos enquanto aguardo a minha vez para tomar banho. Exis-tem três ou quatro cabinas de duche. Há um homem entre as auxiliares. Nem sequer é médico,mas parece examinar-me com muita atenção. Sinto-me mal, mas não tenho forças para reagir.Reclamar!? Nem pensar, percebi logo que não tinha esse direito e da forma como eles tratam ospacientes, ainda são capazes de bater-me ou fazer-me mal. Sinto tanto medo… Meu Deus, oque é isto?? Onde é que eu vim parar!?O duche (ou melhor, a passagem do corpo por baixo do chuveiro) tem que ser rápido: sai uma,entra outra, sempre no meio de uma grande algazarra. À saída do duche dão-me um lençol (umlençol, sim, daqueles das camas!!!) para eu me limpar. Não sei onde foi parar a minha roupa.Entregam-me uma camisola velha, enormíssima e umas calças de fato de treino também gran-des e velhas que me ficam muito curtas.Apesar de tudo, acho que nunca me senti tão confortável. Finalmente sinto-me limpa e vestida eum pouco mais desperta.As outras “vítimas” caminham lentamente para uma pequena sala com luz artificial. Tem janelasgrandes, mas estão fechadas. Há várias cadeiras à volta e do lado esquerdo da porta, uma tele-visão ligada num canal infantil. Estão a passar desenhos animados. Sento-me, à espera não seide quê. As outras olham-me com um olhar que nem chega a ser de curiosidade, há uma quequase se senta ao meu colo. Afasto-me. Só sei que quero que o tempo passe e isto, seja lá oque for, acabe depressa.De repente, nova algazarra: chegam duas enfermeiras e medem-nos a tensão arterial. A seguirandamos mais uns passos e estamos no refeitório. O refeitório é uma sala grande e agradávelcom bastante luz. Aqui juntam-se mais mulheres, algumas parecem-me ter um ar mais “normal”.Dão-nos uma carcaça, manteiga, marmelada e um copo com leite. Beberico o leite e dou uma ouduas dentadas na carcaça. Não tenho fome.A hora da refeição é, até agora, “o momento”. O ritual de estar toda a gente junta e a comer àvolta de mesas provocam-me uma leve tranquilidade. Mas dura pouco. Dão-me uma mão cheiade comprimidos, pelo menos uns cinco, que eu tenho que deglutir rapidamente, pois o tempo dopequeno almoço acabou.

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