“O brilhantismo intuitivo de Oswald se faz acompanhar de umacarência teórica. Ele busca um efeito a curto prazo o que fazcom que muitas de suas propostas apareçam como nebulosaideológica dos segmentos da burguesia não tradicionalista, mas presa ao fascínio do folclórico e do lírico”
(HELENA, 1985, p.136)Cabe argumentar, no entanto, que a defesa da obra de Oswald, e isso se faz emmuitos pontos nos manifestos, como veremos, é justamente de uma arte anti-academicista. Dessa forma, ele luta justamente contra as teorias anteriores, queapoiavam a cultura acadêmica vigente. Os seus manifestos atestam uma indignação,sem muitas propostas práticas de mudança, mas isso se dá principalmente porque, nestemomento, ele compõe um manifesto de protesto, e não de reforma. A reforma não semanifesta teoricamente, mas na própria prática da composição destes manifestos,marcados pelo efeito cubista.Com relação à questão do popular nos dois manifestos, ambos tratam do popular criticando o erudito. No Manifesto da Poesia Pau-Brasil, Oswald incorpora elementos da paisagem ecultura nacionais. Isto ocorre desde o início. Os “
casebres de açafrão e de ocre nosverdes das favelas”, “O carnaval do Rio”, “O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e adança.”
, são exemplos desta representação. De acordo com Lúcia Helena:
“Quando Oswald recupera, às vezes até resvalando no folclórico, o casebre de açafrão, o carnaval, o minério, ovatapá e a dança, e faz com que Wagner submerja aos cordõesdo carnaval, ele está saturando de ‘juízo’ um padrão aceito: a‘boa arte’ é contraditada pelo que se produz, espontâneo, namanifestação cotidiana de uma cultura híbrida.”
(HELENA,1985, p. 147) A crítica maior do Manifesto, no entanto, é contra a erudição. Oswald trata deste ponto diretamente e a crítica apóia-se na referência ao contexto histórico. Aconsolidação das indústrias, com a divisão cada vez maior do trabalho, o crescimentodas cidades, a primeira guerra mundial, o aparecimento da psicanálise, criavam umanova concepção de vida no homem moderno. Há elementos no texto que se referem aesse novo contexto e que fazem com que o próprio Manifesto seja fruto dele. São eles:
“locomotivas cheias”, “Engenheiros em vez de jurisconsultos”, “o artista fotógrafo”,“piano de manivela”, “fábricas”, “novas formas da indústria”, “aviação”, “Postes.Gasômetros Rails. Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tics de fios e ondas e fulgurações.”, “de química, de mecânica, de economia e de balística”.
Estes elementoscriam uma atmosfera de modernidade no texto, atmosfera esta que será um dosargumentos para criticar o arcadismo das manifestações culturais eruditas vigentes atéaquele momento.Mas a crítica ao erudito manifesta-se de forma direta. O ataque de Oswald ao
“lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos”,
ao
“bacharel”
demonstrama posição contrária dele ao até então considerado erudito. De acordo com ele:
“Eruditamos tudo”
, e esta erudição tem apoio histórico, já que o lado doutor foi3
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