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O choque de oferta energética e o decrescimento

O choque de oferta energética e o decrescimento

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Published by: José Eustáquio Diniz Alves on Jun 02, 2014
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06/02/2014

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1 O choque de oferta energética e o decrescimento José Eustáquio Diniz Alves Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail:  jed_alves@yahoo.com.br  A natureza gastou entre 50 e 300 milhões de anos para desenvolver os estoques mundiais de combustíveis fósseis. Mas, desde que Edwin Laurentine Drake, em 1859, perfurou o primeiro poço para a produção de petróleo (a uma profundidade de 21 metros), no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a humanidade já consumiu a metade das reservas existentes e recuperáveis. Até o final do século XX, em 125 anos, foram consumidos um trilhão de barris de petróleo. Calcula-se que outro trilhão será gasto em 30 anos, segundo o Cambridge Energy Research Associates. Foram os combustíveis fósseis que possibilitaram a enorme produção de automóveis, os veículos de transporte em massa e as máquinas que movimentam a industria e o agronegócio pelo mundo. A
“revolução verde” não teria produzido tantos alimentos sem o “ouro negro”.
O grande salto econômico da civilização oconteceu em decorrência da queima de carvão mineral, petróleo e gás. Sem esta fonte de energia abundante e barata o mundo não pode continuar funcionando na maneira atual. Por isto, qualquer crise energética assusta e o pico do petróleo é um anátema. A grande esperança contemporânea do atual modelo de desenvolvimento petroficado estava e está depositada na produção do petróleo não convencional e do gás de xisto. Porém, as noticias recentes não são encorajadoras para o processo de acumulação capitalista nesta área. Em 2011, a Administração de Informação de Energia (Energy Information Administration-EIA), do Departamento de Energia dos EUA encomendou à INTEK Inc., uma empresa de consultoria com sede na Virgínia, a estimativa da quantidade de óleo que poderia ser recuperado a partir de vasta formação
 
2 Monterey Shale da Califórnia. A INTEK, em um relatório opaco apontou que o campo de Monterey poderia produzir entre 13,7 e 15,4 bilhões de barris. A Universidade do Sul da Califórnia, em seguida, passou a usar a cifra de até 15,4 bilhões de barris para calcular lucros estupendos e grande arrecadação fiscal para o Estado da Califórnia, que está completamente endividado. Mas para a tristeza geral dos desenvolvimentistas americanos e da industria do petróleo, o jornal Los Angeles Times informou, agora em maio de 2014, que as autoridades energéticas federais reduziram em 96% a quantidade estimada de óleo recuperável nos vastos depósitos de Monterey, esvaziando seu potencial para meros 0,6 bilhão de barris. Ou seja, em uma tacada, sumiram pelo menos 13 bilhões de barris. Se as demais estimativas de produção de gás de xisto estiverem sobrestimadas, as previsões de produção da EIA podem ser todas reduzidas, o que significa um agravamento do cenário de escassez de energia fóssil nos próximos anos. Seria o fim definitivo do sonho da independência energética dos EUA e o começo de uma grande crise energética no mundo. Os erros da Administração de Informação de Energia (EIA) não são isolados e raros. Segundo David Hughes, a producão de gás de xisto dos EUA está superestimada. Segundo o geólogo:
“The EIA is the
elephant in the room when it comes to energy statistics. Its data and forecasts are widely used by analysts and the media and influence energy policy. There is no room for the significant scale of errors and
distortions reported herein” 
. O fato, é que a época dos combustíveis fósseis abundantes e baratos está chegando ao fim. O petróleo convencional já está em declínio desde 2005. O petróleo de águas profundas (como o pré-sal) tem cutos muito elevados. Se o gás de xisto não crescer na expectativa da EIA, a crise virá mais cedo do que se esperava. Estamos entrando em uma época de escassez e de restrição de oferta de energia extrassomática. Os custos, provavelmente, devem se elevar, gerando crise social e recessão econômica,
 
3 pois toda vez que o preço da energia sobe há uma efeito negativo sobre o desempenho econômico. Estudos econométricos mostram que um aumento de US$ 10 dólares no preço do barril significa uma diminuição de cerca de 0,5% no crescimento do PIB mundial. Todas as recessões econômicas dos últimos 40 anos foram precedidas pelo aumento do preço do petróleo, como mostra o gráfico abaixo. O Brasil e a América Latina sofreram muito com a recessão econômica dos anos de 1980. A região passou por anos difíceis e as condições sociais pioraram na chamada década perdida. A recessão de 2009 não teve efeitos tão dramáticos, porque os Bancos Centrais do mundo injetaram bilhões de unidades monetárias para estimular o crédito e o consumo. O endividamento aumentou e as taxas de  juros mundiais ficaram artificialmente baixas, enquanto tem crescido a especulação financeira nas bolsas de valores. Porém, as análises internacionais dizem que, dentre outras bolhas financeiras,
uma “bolha de carbono”
pode aprofundar uma nova crise econômica mundial, pois os mercados estão investindo pesado em reservas de combustíveis fósseis, mas devido ao alto custo de extração e por serem incompatíveis com a segurança climática, podem nunca vir a ser usadas. Segundo o instituto britânico Carbon Tracker, a "bolha de carbono" é o resultado de um excesso de valorização pelos mercados globais das reservas de carvão, gás e petróleo detidas por empresas de combustíveis fósseis. Uma análise do desempenho econômico da industria petrolífera mostra uma situação preocupante. A estudiosa Gail Tverberg, atuária e decrescentista, com base em uma apresentação de Steven Kopits, Diretor da Douglas-Westwood, mostra que as grandes empresas de petróleo, de capital aberto, estão em dificuldade, pois aumentaram as despesas de capital (Capex) - gastos como exploração, perfuração e implantação de novas plataformas de petróleo
offshore
 - mas tiveram a producão de petróleo bruto reduzidas desde 2006. O mercado financeiro esperaria que a produção de petróleo bruto subisse

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