2.2.
Integração Sensorial
A integração sensorial é o processo neurológi-co através do qual o S.N.C. recebe, regista e or-ganiza a informação sensorial que vai usar paracriar uma resposta adaptada do corpo ao meioambiente (Ayres, 1979).Na criança, défices no processamento da in-formação e modulação sensoriais parecem terconsequências emocionais e frequentemente le-vam a um défice na adaptação social, dificulda-des na relação com os outros, assim como a difi-culdades em interpretar as reacções emocionais(Greenspan & Greenspan, 1989).O tratamento/intervenção tem como objectivodar oportunidade para a integração da informa-ção sensorial, no contexto de actividades que te-nham significado e sejam apropriadas para a cri-ança, facilitando o aparecimento de padrões demovimento de modo a conseguir uma respostaadaptada, facilitando a interacção da criançacom o meio.Esta resposta adaptada é a resposta adequadaem intensidade e duração a um «input» sensoriale é a base da integração sensorial. Para que elaocorra, é necessária uma participação activa dacriança na actividade, de modo a promover opor-tunidades diversificadas de informação sensorial.As respostas adaptadas podem ser motoras eemocionais. Neste contexto, é importante com-preender como é que os sistemas sensoriais tra-balham em conjunto e a sua influência no desen-volvimento.A Integração Sensorial centra-se em três siste-mas sensoriais básicos:-
Táctil
(processa a informação que nos che-ga através da pele). Uma disfunção no sis-tema táctil pode manifestar-se por umasensação de desconforto ao ser tocado, poruma recusa em comer alimentos com deter-minadas texturas, não gostar de determina-do tipo de roupa, não gostar de lavar a caraou a cabeça, evitar sujar as mãos e usar àsvezes um dedo ou as pontas dos dedos paramanipular, em vez da mão toda. As crian-ças podem ser sub- ou sobre-reactivas aotoque e à dor.-
Vestibular
(processa informação de movi-mento, gravidade e equilíbrio). Algumascrianças podem ser sub-reactivas à estimu-lação vestibular e terem medo de activida-des movimentadas (por ex., baloiços, es-corregas). Podem também ter dificuldadeem aprender a subir e descer escadas, andarem pisos irregulares, em superfícies instá-veis, etc. Outras crianças são sub-reactivasà estimulação vestibular e procuram ex-periências sensoriais muito fortes tais comosaltar repetidamente ou rodopiar, a fim deestimular constantemente o sistema vesti-bular.-
Proprioceptivo
(processa a informação daposição do corpo e membros, que recebeatravés dos músculos, tendões e articula-ções). Quando o sistema funciona de ma-neira eficaz, o indivíduo adapta-se de ma-neira automática às mudanças de posiçãodo corpo. É em grande parte o sistema res-ponsável pela capacidade de planeamentomotor, isto é a capacidade para sequenciarmovimentos de forma ordenada para atingirum objectivo. A disfunção no sistema pro-prioceptivo pode manifestar-se em criançasdesajeitadas com tendência para cair, comdificuldades na motricidade fina e dificul-dade em adaptar-se a situações novas.Para cada criança são estabelecidos objectivosespecíficos de tratamento incidindo a interven-ção nas seguintes áreas: processamento vestibu-lar e proprioceptivo, processamento táctil, pla-neamento motor, percepção visual, organizaçãoperceptivo-motora e mecanismos de integraçãobilateral.2.3.
Terapia da Fala
A Terapia da Fala com crianças com Pertur-bação da Comunicação e da Relação tem que sersensível às dificuldades específicas da perturba-ção e às diferenças individuais de cada criança.Isto pressupõe uma avaliação cuidada e muitomais abrangente do que com outras patologias,uma vez que estas crianças apresentam gravesalterações não só de linguagem, mas de comuni-cação, nomeadamente da comunicação não-ver-bal.Estas dificuldades são evidentes quer ao nívelda compreensão – no processamento da informa-ção verbal e não-verbal, quer ao nível da expres-são – na utilização do gesto natural, do gesto co-
33
Add a Comment