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Janeiro de 2004
obtinham uma nota 13 por cento mais alta quando lhes era oferecido 1 dólar por cada resposta correcta no examenacional de matemática. De acordo com o investigador do estudo, Harold O’Neill (Colvin, 1996), este estudo sugere, entreoutras coisas, que alguns alunos podem, de facto, saber os conteúdos, mas estarem desmotivados para o demons-trarem.Um aluno pode, momentaneamente, estar num estado apático ou a desmotivação pode ser crónica e debilitante.É necessário um pouco de trabalho de detective para fazer a distinção entre as duas. Se um aluno entra e sai alter-nadamente em estados “motivacionais” e se envolve ocasionalmente na aprendizagem, trata-se provavelmente de umestado temporário. Este estado tem uma enorme lista de possíveis causas, mas as soluções são relativamente fáceis.O
Desânimo Aprendido
, o tipo de desmotivação mais sério e crónico, é bastante diferente. (…)
Desmotivação temporária
Os alunos que vão à escola todos os dias demonstram uma certa motivação. Apesar de tudo, foram à aula enquantoos alunos verdadeiramente desmotivados ainda estão nacama ou noutro lado qualquer sem ser na escola. Essa é arazão pela qual existem muito poucos alunos realmentedesmotivados. Os alunos que vê, apesar de lhe poderparecer que a escola é o último sítio onde eles queriamestar, pelo menos vão à sua aula. E, muito provavelmente,estão temporariamente desmotivados. Porquê? Existem trêsrazões primárias. A primeira está relacionada com associações do passado que podem provocar um estado negativo ou apático.Estas associações de memórias podem estar armazenadas na amígdala, na área central do encéfalo (LeDoux, 1996).Quando são estimuladas, o encéfalo actua como se o incidente estivesse a ocorrer nesse momento. São despoleta-das as mesmas reacções químicas e são libertadas para a corrente sanguínea, pelas glândulas supra-renais, adrenalina,vasopressina e ACTH. A voz de um professor, o seu tom ou os gestos podem fazer lembrar ao aluno um professoranterior do qual ele não gostava. Insucessos passados podem desencadear sentimentos semelhantes, bem como asmemórias de um insucesso consistente ou uma descida de nota embaraçosa e “catastrófica” numa disciplina. Umaameaça original significativa pode ser reactivada por um incidente muito mais pequeno (Peterson, Maier e Seligman,1993). A segunda razão é mais actual e ambiental. Os alunos podem sentir-se desmotivados face a estilos de aprendiza-gem desadequados, falta de recursos, barreiras de linguagem, falta de opções, tabus culturais, medo de embaraço,falta de
feedback
, má nutrição, preconceito, má iluminação, má posição sentada, temperatura errada, medo do fracas-so, uma falta de respeito, conteúdo irrelevante e por uma variedade de outras possibilidades (Wlodkowski, 1985). Cadauma destas pode ser resolvida de acordo com os sintomas apresentados. Se os alunos não tiverem dificuldadesvisuais, sair-se-ão melhor quanto mais puderem ver, observar e seguir com os olhos. Se os alunos não conseguemcompreender a linguagem do professor, sair-se-ão melhor quando o professor faz comunicações predominantementenão-verbais ou quando trabalham com outros numa abordagem de grupo cooperativo.Um terceiro factor interveniente para a motivação do aluno é a sua relação com o futuro, a qual inclui a presençade objectivos claros e bem definidos (Ford, 1992). As suas crenças de conteúdo (“Eu tenho a capacidade para apren-der este tema”) e crenças de contexto (“Eu tenho o interesse e os recursos necessários para ser bem sucedido nestadisciplina e com este professor”) também são essenciais. Estes objectivos e crenças criam estados que libertam quí-micos encefálicos potentes. O pensamento positivo compromete o lobo frontal esquerdo e, normalmente, desencadeiaa libertação de químicos do prazer como a dopamina, opiáceos naturais ou endorfinas. Esta auto-recompensa reforçao comportamento desejado.Os alunos numa qualquer das três categorias referidas anteriormente estão simplesmente num estado de desmo-tivação temporário. Os estados são como que uma fotografia instantânea do corpo/mente num dado momento: o equi-líbrio químico do seu encéfalo, a temperatura corporal, a postura, o padrão ocular, o batimento cardíaco, o EEG e umavariedade de outras medidas. Como todos nós podemos entrar numa pletora de estados a qualquer momento (feliz,faminto, ansioso, curioso, satisfeito), o estado chamado apatia pode ser, simplesmente, uma das muitas respostasapropriadas ao meio ambiente. Afinal, passamos por centenas de estados por dia. Os nossos estados mudam com oque comemos, com a humidade, fadiga, acontecimentos especiais, boas ou más notícias, sucesso e insucesso. O pro-fessor que, na sala de aula, compreende a importância dos estados pode ser bastante eficaz. A apatia desaparece fre-quentemente com uma simples actividade atraente, com o ouvir ou partilhar ou com a utilização de música ou de acti-vidades de grupo.
As recompensas e o encéfalo
Dean Wittrick, director do departamento de Psicologia da Educação da Universidade da Califórnia em Los Angeles(UCLA), afirma que, actualmente, a instrução de uma turma está baseada numa teoria imperfeita. Segundo ele,“Assumimos, durante muito tempo, que as crianças deveriam ter uma recompensa imediata quando fazem bem algu-ma coisa”. “Mas o encéfalo é muito mais complicado do que a maioria da nossa instrução; tem muitos sistemas a fun-cionar em paralelo” (p. 2). O encéfalo satisfaz-se perfeitamente com a busca de novidades e curiosidades, o abraçarde dados relevantes e o banhar-se no
feedback
dos sucessos. Ele sugere aplicações alargadas de projectos e resolu-ção de problemas onde o processo é mais importante do que a resposta. Essa é a verdadeira recompensa, afirma ele(Nadia, 1993).Contudo, o velho paradigma do behaviorismo dizia-nos que para incentivar um comportamento, necessitávamossimplesmente de reforçar aqueles que eram positivos. Se era exibido um comportamento negativo devíamos ignorá-loou castigá-lo. Este é o ponto de vista “de fora para dentro”. É como se estivéssemos a olhar para o aluno como o sujeito
Apesar de tudo, foram à aula enquantoos alunosverdadeiramente desmotivados ainda estão nacama ou noutro lado qualquer sem ser na escola. Essa é a razão pela qual existem muito poucos alunos realmente desmotivados.
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