2
Abril de 2004
No âmbito escolar, quando se põem os alunos a praticar determinada competência ou destreza, esta não devedesligar-se do seu objectivo e significado último. Por exemplo, a prática dos processos de codificação e descodifica-ção que intervém na leitura e na escrita não deve surgir separada da função comunicativa para a qual existe, ou, ainda,que a prática de rotinas mecânicas de cálculo não surja separada dos problemas que essas rotinas podem ajudar aresolver. Isto implica que a realização de muitas das tarefasque se podem desenvolver em qualquer área se possa in-serir no contexto de projectos mais amplos com um objectivofinal claro e explícito desde o início.No mesmo âmbito surge o trabalho globalizado, ou porcentros de interesse, que pode constituir um instrumentode grande valor, desde que usado adequadamente. Omesmo se pode dizer em relação à utilização de sequênciasou conjuntos de actividades cuja meta final seja a obtençãode determinado produto que incorpore o resultado dessasactividades.A importância destas características implica a necessi-dade de, no início de cada unidade, informar os alunos doconjunto de conteúdos e actividades a realizar, da relaçãoque estabelecem entre si. Implica também estabelecer umaestrutura global de normas e regras de comportamento,tanto a nível da aula como da escola.2.
Possibilitar a participação de todos os alunos independentemente do seu nível de competência, interesse ou conhe- cimentos
.Ao estabelecer uma autêntica actuação conjunta entre os participantes, em que cada um possa realmente partici-par em função das suas capacidades, o participante menos competente poderá ir experimentando e modificando asua capacidade de realizar as tarefas estipuladas e assim entrar realmente na ZDP. Para adequar a ajuda educativatemos de ter informação sobre aquilo a que temos de nos adequar.Sem possibilidades de participação efectiva do aluno também não há possibilidade de criação de ZDP. Mas essaparticipação passa por muitos e diferentes factores, de entre os quais se destacam: o tipo de conteúdos a que se dáprioridade no trabalho da aula, o tipo de actividades realizadas, o seu nível de complexidade, as possibilidades deopção, os materiais e recursos de apoio.Quando se trabalham conteúdos desprovidos da base experiencial e funcional, o efeito imediato pode ser a nãoparticipação e a não implicação de alunos. O mesmo acontece se se apresentarem actividades do mesmo tipo, ou sese adoptar exclusivamente uma metodologia expositiva, ou ainda se forem propostas actividades demasiadamenteabertas que exijam do aluno uma actuação autónoma, ou se se pedir que o aluno realize fichas individuais. Estas ati-tudes podem pôr de lado os alunos que tenham mais dificuldades nesses tipos de actividades. Assim, o nível de difi-culdade da actividade é decisivo na participação do aluno, bem como a diversificação de tarefas, de modo a permitiralternativas ou opções com diversos níveis de execução final. O recurso a diferentes materiais de apoio pode ajudaros alunos a dispor de mais meios para participarem nas actividades e tarefas da aula. O mesmo se passa com o esta-belecimento de normas ou critérios de organização da aula. Também a este nível é possível deixar espaço para queos alunos exponham os seus pontos de vista ou façam propostas de temas ou núcleos de interesse.Sendo assim, algumas actuações concretas do professor no desenrolar da aula revelam-se muito importantes, comoa aceitação do contributo de um aluno, a estimulação à participação dos alunos que se mostram mais inibidos, a pro-posta de espaços de trabalho em pequenos grupos, ou a procura da relação ou do contacto pessoal com alguns alunos.3.
Estabelecer um clima relacional, afectivo e emocional baseado na confiança, segurança e aceitação mútuas, e em que tenham lugar o desejo de saber, a capacidade de espanto e o interesse por se conhecer a si próprio.
A criação de ZDP está dependente de aspectos cognitivos e intelectuais, mas também de outros de carácter rela-cional, afectivo e emocional. A construção do último clima é tão importante para a existência de ZDP que justifica ofacto de poder considerar-se como núcleo básico inicial do trabalho educativo. Quando um grupo de alunos é marca-do por uma história de insucessos, por desinteresses sucessivos, a ligação afectiva e emocional pode servir de apoioaos aspectos cognitivos da aprendizagem e, por isso, transformar-se na tarefa prioritária do professor.Além disso, actuar deste modo não significa desprezar os conteúdos curriculares. O currículo contempla atitudes,valores e normas em pé de igualdade com os restantes conteúdos e o facto de só através destes conteúdos se poderavançar para um clima afectivo e relacional anteriormente definido faz com que a equipa de professores possa adop-tar um projecto de trabalho que tenha como principal orientação o ensino e a aprendizagem de determinadas normas,atitudes e valores.4.
Introduzir modificações e adequações específicas na planificação a longo e a curto prazo, de acordo com o desen- volvimento da própria actuação, em função da informação obtida a partir das actuações e produtos parciais realiza- dos pelos alunos.
Quando se trabalham conteúdos desprovidos dabase experiencial e funcional, o efeito imediato pode ser a não participação e a não implicação dealunos. O mesmo acontece se se apresentaremactividades do mesmo tipo, ou se se adoptar exclusivamente uma metodologia expositiva, ouainda se forem propostas actividadesdemasiadamente abertas que exijam do alunouma actuação autónoma, ou se se pedir que oaluno realize fichas individuais.
Leave a Comment
Seu trabalho já está publicado? Temos uma forma simples e prática de publicação que passamos a oferecer a nossos clientes: a edição sob demanda. Fazemos preparação e composição do texto, a capa, e o LIVRO é impresso a cada compra. Veja exemplos http://bit.ly/7TCUZ6 http://bit.ly/57X18e Sai MUITO barato; entre em contato. Públio Athayde, Ed. Keimelion http://bit.ly/4AY5hy