Escola Secundária de Leal da Câmara
Curso EFA / Secundário – 2009/10
nem sequer vem referenciada nos mapas, como poderá identificar
um conjunto de indivíduos queraramente se encontram cara a cara mas que mantêm com êxito um trabalho desolidariedade e cooperação
on-line
.De acordo com algumas críticas dirigidas à
Internet
,
a experiência presencial é um pré-requisitopara a formação de relações entre os membros de uma "comunidade."
Essa é também uma das razões apontadas pelos 28% de bloguistas inquiridos que responderam nãosentir fazer parte de uma comunidade na blogosfera. Outrosargumentos apresentados ajudam a perceber esta perspectiva:
- "Pelo facto de publicarmos artigos que têm a ver com as nossassensibilidades mais directas."- "Não existe uma comunidade blogger em Portugal, porque umdeterminado grupo criou uma elite onde mais ninguém entra."- "Porque há uma miríade de razões para criar um blogue, e éimprovável que eu partilhe das mesmas razões que a maioria dos quesão activos na blogosfera."
Contudo, segundo este pensamento
, a tecnologia serviria como barreira entre as pessoas
e nãoé isso que se verifica. (Querido) Devido à distância física, para muitas pessoas,
o ciberespaço é aúnica forma de se manterem em contacto com amigos e familiares e até de conheceremoutras pessoas
.Os
serviços interactivos de troca instantânea de mensagens e mesmo os blogues
podemservir para ajudar a resolver dois problemas existenciais da Modernidade. "Temos
, pois,simultaneamente, o indivíduo, o antídoto para a
solidão
e a porta aberta à
solidariedade
." (Wolton)A Rede possibilita a continuação de relações no mundo real, bem como promove a criação de novoscontactos. Neste sentido, os blogues não são apenas
uma ferramenta de comunicação pessoal
,são também
um meio socializante
ou porque não dizê-lo,
social
.É certo que uma forte característica deste meio, a
Internet
, prende-se justamente com a desinibiçãodos sujeitos uma vez que a aparência física serve muitas vezes de factor de inibição. "Mas
online
ofactor aparência não é levado em consideração
(pelo menos até à hora, se esta chegar, de levar arelação para novos patamares de intimidade, mais à real luz do dia) ". (Querido, 2005: 20)Libertos da soberania do corpo, sem qualquer indício visual de género, idade e categoria social, asconversas dão-se a direcções que de outra forma muito provavelmente seriam evitadas. "Quem temdificuldades em fazer novas amizades devido a deficiências físicas descobre
que nas comunidadesvirtuais é tratado como sempre desejou - como ser racional, transmissor de ideias esentimentos
, e não como um recipiente carnal com determinada aparência, andar ou falar (ou mesmosem andar ou falar)." (Rheingold)Barry Wellman e Milena Gulia relembram que váriosestudos comprovaram, empiricamente, que
aparticipação em comunidades virtuais, podeaumentar a participação nas comunidades face aface
. Os mesmos autores são, quanto a este tema,categóricos.
A noção de comunidade, com laçosestreitos, espacialmente definida baseando-se noapoio e pertença é idílica e provavelmente já nemnas sociedades rurais ela existe
.Chame-se também Pierre Levy à discussão. Este autorlembra que é
um erro pensar nas relações entre osnovos e antigos dispositivos de comunicação emtermos de substituição
. Pelo menos é isto que a História conta. "Da mesma forma que o cinema nãosubstituiu o teatro mas constituiu um género novo com a sua tradição e os seus códigos originais..." Omesmo pensador avança mais no tema: "É muito raro que uma nova forma de comunicação ou de
Cultura, Língua e ComunicaçãoFormador:
Pedro Vitória
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