Discípulos involuntários de Descartes – críticas de Vigotski a teorias dualistas das emoções —
Achilles Delari Junior
GETHC – Grupo de estudos em teoria histórico-cultural
Umuarama-PR, 14-11-2009
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Scheler possui uma ética fundamentada em Pascal
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=.
ordem do coração. lógica do coração. razão do coração
Tal ética encontra justificação rigorosa na análise deScheler dos seguintes sentimentos.
sentimentos éticos. sentimentos sociais. sentimentos religiosos
[ter o afeto “substância” própria, está relacionado, paraVigotski, à necessidade do nascimento de uma:]
Psicologia profunda dos afetos
.
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Ela tenta preservar-se causal e determinista.
Mas sua causalidade é puramente psíquica [asubstância própria dos afetos é a mente, o neuro-funcional (corpo) não é a substância dos afetos].
Opõe-se ao superficialismo da “psicologia acadêmica”.
Não encontra linguagem comum com a psicologiafisiológica.
Freud diz não haver como debater com James/Lange{ver p. 215}.
Devem também ser submetidos à análisefenomenológica os seguintes sentimentos:.
sentimento de vergonha. sentimento de medo. sentimento de pavor . sentimento de honra
Há lugar para o problema da ORDEM dedesenvolvimento desses sentimentos nos planos
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:a) individual; eb) genérico.“Assim, o intento de preservar um examepuramente causal dos fatos psicológicos e, aomesmo tempo, de não levar à ruína a psicologiaconsiderada como uma ciência autônoma e denão por seus problemas nas mãos da fisiologia,obriga a psicologia profunda a reconhecer
aabsoluta independência substancial dos proces-sos psíquicos e a autonomia da causalidade psí-quica
” (VIGOTSKI, 1931-33/2004 - p. 215 – grifomeu)
Trata-se de uma teoria puramente descritiva dossentimentos superiores =
oposta à teoria fisiológica
Unida à metafísica e a um sistema metafísicodeterminado =
baseado na impossibilidade dededução genética dos sentimentos
Retorna à divisão cartesiana:
paixões espirituais
x
paixões sensíveis
Lotze
Próximo a Scheler estava [anteriormente] Lotze, autorque afirmou (mas sem desenvolver em detalhe) que:1) A vida dos sentimentos superiores tem:.
natureza intencional . natureza cognitivo-avaliativa
2) Há uma “lógica do coração”2.1 No
sentimento de valor
das coisas (e desuas relações) => nossa
razão
tem
um meio
,sério e importante, de revelar a verdade.
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Em notas sobre intervenções de Vigotski em apresentações internas de seu grupo, entre 1931-1934, ele alude à “psicologia dos
cumes
(nãodetermina a “profundidade”, mas o “cume” da personalidade)” (1934/1991 – p. 130). Critica a “psicologia superficial” (fenomenológica) e a“psicologia profunda” (psicanalítica), que quer explicar o homem por suas “profundezas”, sua natureza subterrânea. A psicologia dos “cumes”,“elevações”, visa a compreender o ser humano a partir dele mesmo. Como em Marx: “ser radical é tomar as coisas pela raiz, mas a raiz para ohomem é o próprio homem”. Assinalemos que o “próprio homem” define-se como ser
social
,
simbólico
e
histórico
. Em oposição à tônica da“psicologia profunda”, com seu ser humano
individual
,
biológico
e
a-histórico
. Sete anos antes, discutindo a “Crise da psicologia”, Vigotski já notavaque “a psicanálise mostra suas tendências profundamente estáticas e não dinâmicas, conservadoras, antidialéticas e antihistóricas.” (1927/1991, p.299), o que é reiterado em 1934: “a psicologia profunda afirma que as coisas são o que eram” (VIGOTSKI, 1934/1991 – p. 130).
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Blaise Pascal (1623-1662), físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês.
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Aqui Vigotski dá a entender que haja algum lugar para o problema da gênese das emoções nesse sistema, mas logo abaixo sugere não haver talpossibilidade. Conferindo com a tradução inglesa (VIGOTSKI, 1931-33/1999), nota-se que não há uma omissão da negativa, e a tradução espanholaparece correta, não demandando confrontar com o russo, em princípio. Pode-se interpretar que o lugar para a “ordem” esteja “posto”, mas nãoesteja necessariamente desenvolvida a explicação sobre como algum sentimento derivado pode emergir com relação ao originário.
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