1
NA ORIGEM DA ACTIVIDADE DE TODO O PROFESSOR ESTÃO AS SEGUINTES PERGUNTAS:
O que identifica o ser humano enquanto humano?Quais as invariantes funcionais do seu agir e que alterações estruturais são geradas poressas invariantes?Como situar o humano no seu aqui e agora socio-histórico (geracional e individual)?A quotidianidade que enraíza o meu existir é a resposta que eu dou, que cada um dá, aestas perguntas, quer esteja consciente disso ou não. Existir é existir com os outros; e ainteracção que assim acontece é um dinamismo que rompe com rotinas, obriga a umrevisitar reflexivo do vivido e estimula a criatividade singular de cada pessoa.Este facto configura o espaço existencial da actividade docente e confere-lhe toda a suadignidade. Ser professor é viver no dia-a-dia esta interpelação que nos é colocada pelaVida, a qual está sempre a irromper na sucessão das gerações que vão regenerando ahumanidade, dando ao presente o rosto de um futuro que ganha corpo e densidade emtantas vidas singulares com toda a riqueza da sua diversidade.Isto não é teórico nem abstracto. Ao trabalhar com cada turma, um professor tem de ser umbom observador para poder desenvolver estratégias pedagógicas que, valorizando adiversidade dos alunos (geradora de conflitos sócio-cognitivos os quais são sempre o motordo progresso do conhecimento), permita motivá-los, disciplinar a sua energia orientando-apara tarefas que os levem a viver a alegria de se ultrapassarem, permita descobrirem-se a sipróprios no esforço metódico de conhecer o mundo pela construção e desenvolvimento dosseus próprios meios de subsistência e criatividade intelectual. Mas essa observação nãobasta; é preciso que o professor mobilize as suas energias pessoais no espaço lectivo paradinamizar a turma como um todo, e cada aluno, nas tarefas a desenvolver em cada aula. Oprofessor e cada aluno não são máquinas de uma fábrica, nem peças de uma máquinacujos ajustamentos e programação se definem mecanicamente segundo um determinismopré-concebido. Uma aula é um espaço existencial onde a vida acontece como constantedesafio de crescer. E, porque de facto assim é, tem o professor de simultaneamente estaratento a um grande número de aspectos que se articulam com as competências específicasda matéria que ensina. Aspectos estes que têm a ver com variáveis de carácter intelectual,afectivo e social. Não que o professor tenha de ser, além de professor de Matemática ou dePortuguês, Psicólogo e Sociólogo. Mas necessita de ter um horizonte de pré-compreensãoque lhe permita entender o significado de determinado comportamento (individual ou degrupo) no quadro do desenvolvimento pessoal de um aluno e no quadro do desenvolvimentosócio-histórico das gerações de forma a poder desenvolver, com todos os alunos, umainteracção que possibilite e dinamize, em cada um, a passagem a mais além de si-próprio,consolidando assim a sua identidade em devir. Manter este dinamismo de crescimentopessoal na actividade docente é uma exigência de todos os dias que não nos deixaalienarmo-nos em hábitos rotineiros, é um permanente apelo ao melhor de nós mesmospara estarmos à altura dos desafios da história que co-construímos. Porém, esta atitude eas competências para assumir com rigor e determinação estas exigências que nos nascemdo gosto de sermos nós, sendo professores, não surgem por geração espontânea, é precisomanter um ritmo de trabalho intelectual constante para além do tempo lectivo. Essas
Add a Comment
Soledadeleft a comment
lumagaleft a comment