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"A questão da identidade cultural" de Stuart Hall

"A questão da identidade cultural" de Stuart Hall

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No livro "A questão da identidade cultural" de Stuart Hall trabalha a questão da identidade, a construção das culturas nacionais e o conceito de raça.
No livro "A questão da identidade cultural" de Stuart Hall trabalha a questão da identidade, a construção das culturas nacionais e o conceito de raça.

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Published by: Claudia Castro de Andrade on Nov 23, 2009
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Resenha do livro
 A questão da identidade cultural 
, de Stuart Hall
1
Claudia Castro de Andrade
2
 Nesta publicação, Stuart Hall procurou problematizar as noções de identidade e, noinício do primeiro capítulo, define o conceito de identidade.Parte, primeiramente, do conceito de sujeito no entendimento iluminista, depoisaborda o conceito de sujeito sociológico, para, então, discutir a questão do sujeito na pós-modernidade.Segundo o autor, a concepção de sujeito no iluminismo possuía uma característicaindividualista e unificada que encerrava a identidade nela mesma.Já na concepção de identidade sociológica, a noção de sujeito estava subordinada àinteração entre o sujeito (interior) e a sociedade (exterior). A identidade não se fechava nelamesma, não era autônoma e independente, mas sofria influência de outros significados.Porém, é dessa forma de pensar o sujeito que emerge a noção pós-moderna de identidade: aformação da identidade do sujeito na concepção pós-moderna também se dá a partir darelação do indivíduo e sua cultura. Ao mesmo tempo, a identidade deixa de ser algo fixo, oque faz com que ela não se defina por uma essência, na medida em que não é dada e nemdescoberta, mas sim criada e inconstante.Desse modo, podemos definir duas concepções de identidade, a saber: a concepçãoessencialista e a concepção construtivista. Na concepção essencialista, a identidade resulta de uma natureza, uma essência quelhe define e lhe fixa a um substrato do qual não poderá se mover. Diante disto, podemosentender, por exemplo, a ideia de que o branco europeu tem a essência do senhor, e o negroafricano, a essência do escravo. A perspectiva essencialista parte da ideia do sujeitocognoscente,ou seja, da crença de que o homem é capaz de chegar ao conhecimento darealidade das coisas eda teoria cartesiano-kantiana,isto é, a crença no método que Descartes defendeu e na razão que preocupou tanto o filósofo Kant. Essa ideia credita ao homem aautonomia para que ele possa definir o que é verdadeiro ou falso e teve significativa aceitaçãoentre vários pensadores estruturalistas, que reconheciam esta autonomia no homem a partir doestudo das estruturas.
1
Referência completa do livro.
2
Versão revista de trabalho desenvolvido na disciplina
 Antropologia Cultural IV 
, ministrada pela professora Nancy Vieira, no curso de Filosofia, UERJ, em 2009/2.
 
Em contraposição, na perspectiva construtivista da identidade, esta não é dada, massim criada; e não é fixa, é fluida e inconstante. O construtivismo identitário opõe-se à noçãode autonomia do sujeito cognoscente e coloca, então, a dúvida como mote filosófico, partindode um entendimento cético em relação à noção de verdade. Esta perspectiva foi, na verdade,uma releitura de Nietzsche, até então pouco lembrado, através dos escritos de Heidegger nosanos 50. Esse novo modo de pensar que, entre outros aspectos, duvidou do sujeito conhecedor  passou a ser chamado de pós-estruturalismo, movimento que deu impulso à manifestação demaio de 68.Os estudos do inconsciente desenvolvidos por Freud, por sua vez, descaracterizaram anoção de sujeito cognoscente como uma identidade imóvel e, assim, desconstruiu o
cogito
cartesiano. (ibid., p. 28)Jacques Lacan afirmou que a construção do
Self 
e, por conseguinte, da identidade,ocorre quando relacionamo-nos com o outro. (ibid., p. 29)Assim, podemos concluir que é a partir da noção de diferença que eu me caracterizo eme descaracterizo: a diferença, portanto, é o que proporciona a formação da minha identidade.Segundo as perspectivas subjetivas do sujeito e de seu inconsciente, a formação dosujeito inclui vários significados contraditórios e que se antagonizam, tornando a identidadealgo fragmentado. Esses antagonismos resultam numa fantasia da identidade do sujeito queforja sua própria construção como sujeito num processo que nunca se completa. Não temos,então, uma identidade fixa, e Hall sugere, para melhor compreensão deste processo, o uso dotermo identificação.Essa ideia desconstrói a teoria do sujeito racional, da identidade fixa e das noções deverdades inquestionáveis e absolutas, na medida em que coloca o homem como um ser emconstante processo de formação. Mas a linguagem também participa dos processos deidentificação, que, nos movimentos discursivos de sucessivas negações, define minhaidentidade quando me relaciono com o outro. Por exemplo, sou brasileira porque, entre outrasnegações, não sou inglesa. É o fato de eu não ser alguma coisa que irá caracterizar o que eusou.Marx, considerado um estruturalista, afirmou categoricamente que as relações sociaissão definidas pelo fator econômico e que é a união e a força do proletariado que poderá mudar esta realidade. Então, é analisando as estruturas que Marx chega a uma resposta que, para ele,é a verdade. Outros pensadores, entretanto, irão afirmar que é a questão cultural quedetermina as relações sociais.2
 
Para Ernesto Laclau (1990), citado por Hall, não é nem somente o econômico nemsomente o cultural, mas sim uma “pluralidade de centros de poder” que coexistem em umaestrutura social. Há, pois, na sociedade um deslocamento constante motivado por forçasexteriores.Ainda que as identidades caracterizadas por esse tipo de sociedade possam, em algummomento, se encontrar, isso não é duradouro, pois a identidade está em constante relação como meio, o que lhe confere a capacidade de variáveis articulações. Com isso, podemos entender que, apesar de estarem inseridos em grupos raciais diferentes, brancos e negros, por exemplo, podem se encontrar no mesmo grupo, por exemplo, dos conservadores, ou seja, em algummomento, pessoas diferentes entre si, podem se encontrar, de alguma maneira, emdeterminados pontos comuns.As trocas interculturais estimuladas pela globalização promoveram e nos fizeramdescobrir tendências heterogeneizantes presentes nos processos de constituição identitária.Hall comenta sobre o caso do juiz conservador negro Clarence Thomas, e conclui que,diante de tantos pólos de diferença, não é mais possível conceber a classe social como único edeterminante fator da identidade, nem, tampouco, ofuscar outros movimentos identitários.Ainda sobre este caso apresentado pelo autor, percebe-se que nos processos relativos àdiferença e à identidade, está inserida uma relação de poder, uma luta pela hegemonia e umembate entre posicionamentos ideológicos. Sobre isto, entende-se que:
A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com as relações de poder.O poder de definir a identidade e de marcar presença não pode ser separado dasrelações mais amplas de poder. A identidade e a diferença não são, nunca, inocentes(Silva, 2000, p. 81).
 Na página 18, Hall comenta que a identidade é modificada em relação aos interessesdo sujeito. Isto significa dizer que ela pode ser alterada a qualquer momento devido aquestões particulares que fazem com que a identidade seja politizada.Hall procura também relacionar as noções de individualidade com a quesoeconômica, mais especificamente, relacionadas ao capitalismo. Conclui que o individualismo presente nos discursos liberais clássicos (a partir do crescimento da sociedade e da noção decoletividade) desconsiderou sua reciprocidade, isto é, o individualismo passou a ser considerado um direito, e um direito apenas dos grupos dominantes, ao passo que osoprimidos não o possuíam.3

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