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Conectas Direitos Humanos
Rua Barão de Itapetininga, 93 - 5º andarRepública - 01042-908 - São Paulo/SP - BrasilTel./ Fax: (5511) 3884-7440
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ISSN 1984-5626
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ISSN 1984-5626
 
Apresentação
Esta publicação é ruto do acompanhamento da política externa brasileira em direitos humanos realizado pela ConectasDireitos Humanos. Seu escopo é a atuação do Brasil no sistema de direitos humanos da Organização das Nações Unidas(ONU) em 2008, concentrando-se na Assembléia Geral, Conselho de Direitos Humanos e Comitês de Tratados. O recortetemporal desta edição do Anuário abrange os meses de janeiro a dezembro de 2008, com exceção da passagem doBrasil pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU.A ONU é o principal órgão responsável por promover e proteger os direitos humanos no âmbito internacional. Suaeetividade depende, primariamente, do empenho e das posições adotadas pelos 192 Estados que a compõem.O Brasil é membro-undador das Nações Unidas e deve não apenas contribuir para que a ONU cumpra o seu papel,como ser também intransigente na deesa dos direitos humanos - único caminho possível para a construção da paz eda segurança internacionais. Esses são compromissos mínimos a serem assumidos e respeitados pelo Estado brasileiroem sua atuação internacional.A Constituição Federal de 1988 estabelece, ainda, um conjunto de princípios que devem reger a política externabrasileira. Em seu artigo 4º, inciso II, a Constituição dene que o Brasil deve orientar-se em suas relações internacionaispela prevalência dos direitos humanos. O termo
prevalência
, cravado nesse artigo, veda ao Estado brasileiro submeter apromoção e a proteção dos direitos humanos a outros interesses ou metas, ainda que legítimos, no plano internacional.Trata-se, portanto, de um imperativo de ordem jurídico-moral à condução de nossas relações internacionais e à atuaçãobrasileira na ONU.Por m, sendo o Brasil um Estado Democrático de Direito, qualquer maniestação de poder estatal deve possibilitar aparticipação da sociedade em sua ormulação e ser submetida aos primados da transparência, moralidade, e publicidade — sendo, conseqüentemente, aberta ao controle público. Qualquer ação do Poder Executivo, que tem competência primáriana execução da política externa brasileira, deve ainda estar sujeita a controle pelos poderes Legislativo e Judiciário.Tais imperativos democráticos demandam dos responsáveis pela política externa brasileira o estabelecimento de processosormais de participação da sociedade civil, bem como total transparência e prestação de contas de suas ações.A alta de transparência dos órgãos envolvidos na condução da política externa se traduz na rágil participação dasociedade civil e dos Poderes Legislativo e Judiciário.Qual a posição do Brasil sobre as violações de direitos humanos no Sudão, Zimbábue, Coréia do Norte, Mianmar ouqualquer outro país que esteja sendo tratado pelas Nações Unidas? O Brasil está cumprindo com as obrigações queassumiu na ONU e implementando as recomendações eitas a ele pela Organização? Como o Brasil vem contribuindopara o estabelecimento do novo Conselho de Direitos Humanos? O diícil acesso à inormação ocial sistematizadacertamente diculta responder a essas perguntas.Esperamos que este Anuário contribua para que as organizações da sociedade civil possam participar e monitorara política externa brasileira no sistema de direitos humanos da ONU. Esperamos, ainda, que auxilie o Executivo, oLegislativo e o Judiciário a cumprirem seus respectivos papéis na deesa dos direitos humanos. Por m, esperamos que oAnuário seja uma demonstração clara ao Ministério das Relações Exteriores e a outros órgãos envolvidos com a políticaexterna brasileira de que a sociedade civil está vigilante e que o Brasil deve ter uma postura compatível tanto com osprincípios constitucionais que orientam sua política externa, quanto com o compromisso não-negociável de deesa dosdireitos humanos.
Metodologia
O Anuário “
Direitos Humanos: o Brasil na ONU
” é ruto de pesquisas e atividades realizadas pela Conectas DireitosHumanos.Esta segunda edição traz inormações sobre a atuação e a relação do Brasil com os seguintes órgãos da ONU: AssembléiaGeral (Terceira Comissão e Plenária), Conselho de Direitos Humanos e os Comitês de Monitoramento de Tratados.Por m, são apresentadas ações desenvolvidas pela Conectas Direitos Humanos, bem como pelo Comitê Brasileiro deDireitos Humanos e Política Externa do qual é parte, visando contribuir para a prevalência dos direitos humanos napolítica externa brasileira.Ao longo dos capítulos, as inormações são tratadas de orma objetiva, com a nalidade de subsidiar análises sobre apolítica externa brasileira no âmbito dos direitos humanos.Para tanto, usamos como onte primária documentos públicos ociais da ONU (www.un.org) e do Escritório do AltoComissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (www.ohchr.org), obtidos junto ao sistema de inormaçãodas Nações Unidas, por meio dos sítios na internet e/ou solicitação direta a uncionários da Organização.A diculdade de obtenção de inormações ociais e sistematizadas junto ao Ministério das Relações Exteriores do Brasiloi uma das motivações para a elaboração deste Anuário.É importante ressaltar que o Anuário não pretende tratar exaustivamente da atuação do Brasil no sistema de direitoshumanos da ONU, mas sim ornecer ao leitor uma perspectiva geral dessa atuação. Quando necessário, inormaçõescontidas nos documentos da ONU oram traduzidas não-ocialmente do inglês para o português.
Agradecimentos
Agradecemos a todos os estudantes e pesquisadores que contribuíram voluntariamente para a elaboração desseAnuário: Bruna Santana, Felipe Silva, Gala Dahlet, Gabriela Lemos, Bianca Santos, Clara Parra, Marília Santos Lourenço,Raphael Daibert e Rebecca Dumas.Gostaríamos de expressar nosso agradecimento à Nathalie Nunes que auxiliou voluntariamente na coordenação dospesquisadores e na produção do conteúdo.Somos gratos também ao apoio institucional do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa.
Conectas Direitos Humanos
Conectas Direitos Humanos é uma organização não-governamental, criada em 2001, com sede em São Paulo (Brasil).Sua missão é promover o respeito aos direitos humanos e contribuir para a consolidação do Estado de Direito no SulGlobal - Árica, Ásia e América Latina.Por meio do Programa de Política Externa e Direitos Humanos, Conectas promove a incorporação dos princípios dedireitos humanos nas políticas externas de países do Sul Global e omenta a participação da sociedade civil local naelaboração e monitoramento dessas políticas, especialmente daquelas relacionadas à ONU. Nacionalmente, Conectasmonitora o cumprimento pelo Brasil das obrigações em direitos humanos assumidas em âmbito internacional e dosprincípios constitucionais que regem sua política externa. Desde 2006, Conectas tem Status Consultivo junto ao ConselhoEconômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas.
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