Apresentação
Esta publicação é ruto do acompanhamento da política externa brasileira em direitos humanos realizado pela ConectasDireitos Humanos. Seu escopo é a atuação do Brasil no sistema de direitos humanos da Organização das Nações Unidas(ONU) em 2008, concentrando-se na Assembléia Geral, Conselho de Direitos Humanos e Comitês de Tratados. O recortetemporal desta edição do Anuário abrange os meses de janeiro a dezembro de 2008, com exceção da passagem doBrasil pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU.A ONU é o principal órgão responsável por promover e proteger os direitos humanos no âmbito internacional. Suaeetividade depende, primariamente, do empenho e das posições adotadas pelos 192 Estados que a compõem.O Brasil é membro-undador das Nações Unidas e deve não apenas contribuir para que a ONU cumpra o seu papel,como ser também intransigente na deesa dos direitos humanos - único caminho possível para a construção da paz eda segurança internacionais. Esses são compromissos mínimos a serem assumidos e respeitados pelo Estado brasileiroem sua atuação internacional.A Constituição Federal de 1988 estabelece, ainda, um conjunto de princípios que devem reger a política externabrasileira. Em seu artigo 4º, inciso II, a Constituição dene que o Brasil deve orientar-se em suas relações internacionaispela prevalência dos direitos humanos. O termo
prevalência
, cravado nesse artigo, veda ao Estado brasileiro submeter apromoção e a proteção dos direitos humanos a outros interesses ou metas, ainda que legítimos, no plano internacional.Trata-se, portanto, de um imperativo de ordem jurídico-moral à condução de nossas relações internacionais e à atuaçãobrasileira na ONU.Por m, sendo o Brasil um Estado Democrático de Direito, qualquer maniestação de poder estatal deve possibilitar aparticipação da sociedade em sua ormulação e ser submetida aos primados da transparência, moralidade, e publicidade — sendo, conseqüentemente, aberta ao controle público. Qualquer ação do Poder Executivo, que tem competência primáriana execução da política externa brasileira, deve ainda estar sujeita a controle pelos poderes Legislativo e Judiciário.Tais imperativos democráticos demandam dos responsáveis pela política externa brasileira o estabelecimento de processosormais de participação da sociedade civil, bem como total transparência e prestação de contas de suas ações.A alta de transparência dos órgãos envolvidos na condução da política externa se traduz na rágil participação dasociedade civil e dos Poderes Legislativo e Judiciário.Qual a posição do Brasil sobre as violações de direitos humanos no Sudão, Zimbábue, Coréia do Norte, Mianmar ouqualquer outro país que esteja sendo tratado pelas Nações Unidas? O Brasil está cumprindo com as obrigações queassumiu na ONU e implementando as recomendações eitas a ele pela Organização? Como o Brasil vem contribuindopara o estabelecimento do novo Conselho de Direitos Humanos? O diícil acesso à inormação ocial sistematizadacertamente diculta responder a essas perguntas.Esperamos que este Anuário contribua para que as organizações da sociedade civil possam participar e monitorara política externa brasileira no sistema de direitos humanos da ONU. Esperamos, ainda, que auxilie o Executivo, oLegislativo e o Judiciário a cumprirem seus respectivos papéis na deesa dos direitos humanos. Por m, esperamos que oAnuário seja uma demonstração clara ao Ministério das Relações Exteriores e a outros órgãos envolvidos com a políticaexterna brasileira de que a sociedade civil está vigilante e que o Brasil deve ter uma postura compatível tanto com osprincípios constitucionais que orientam sua política externa, quanto com o compromisso não-negociável de deesa dosdireitos humanos.
Metodologia
O Anuário “
Direitos Humanos: o Brasil na ONU
” é ruto de pesquisas e atividades realizadas pela Conectas DireitosHumanos.Esta segunda edição traz inormações sobre a atuação e a relação do Brasil com os seguintes órgãos da ONU: AssembléiaGeral (Terceira Comissão e Plenária), Conselho de Direitos Humanos e os Comitês de Monitoramento de Tratados.Por m, são apresentadas ações desenvolvidas pela Conectas Direitos Humanos, bem como pelo Comitê Brasileiro deDireitos Humanos e Política Externa do qual é parte, visando contribuir para a prevalência dos direitos humanos napolítica externa brasileira.Ao longo dos capítulos, as inormações são tratadas de orma objetiva, com a nalidade de subsidiar análises sobre apolítica externa brasileira no âmbito dos direitos humanos.Para tanto, usamos como onte primária documentos públicos ociais da ONU (www.un.org) e do Escritório do AltoComissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (www.ohchr.org), obtidos junto ao sistema de inormaçãodas Nações Unidas, por meio dos sítios na internet e/ou solicitação direta a uncionários da Organização.A diculdade de obtenção de inormações ociais e sistematizadas junto ao Ministério das Relações Exteriores do Brasiloi uma das motivações para a elaboração deste Anuário.É importante ressaltar que o Anuário não pretende tratar exaustivamente da atuação do Brasil no sistema de direitoshumanos da ONU, mas sim ornecer ao leitor uma perspectiva geral dessa atuação. Quando necessário, inormaçõescontidas nos documentos da ONU oram traduzidas não-ocialmente do inglês para o português.
Agradecimentos
Agradecemos a todos os estudantes e pesquisadores que contribuíram voluntariamente para a elaboração desseAnuário: Bruna Santana, Felipe Silva, Gala Dahlet, Gabriela Lemos, Bianca Santos, Clara Parra, Marília Santos Lourenço,Raphael Daibert e Rebecca Dumas.Gostaríamos de expressar nosso agradecimento à Nathalie Nunes que auxiliou voluntariamente na coordenação dospesquisadores e na produção do conteúdo.Somos gratos também ao apoio institucional do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa.
Conectas Direitos Humanos
Conectas Direitos Humanos é uma organização não-governamental, criada em 2001, com sede em São Paulo (Brasil).Sua missão é promover o respeito aos direitos humanos e contribuir para a consolidação do Estado de Direito no SulGlobal - Árica, Ásia e América Latina.Por meio do Programa de Política Externa e Direitos Humanos, Conectas promove a incorporação dos princípios dedireitos humanos nas políticas externas de países do Sul Global e omenta a participação da sociedade civil local naelaboração e monitoramento dessas políticas, especialmente daquelas relacionadas à ONU. Nacionalmente, Conectasmonitora o cumprimento pelo Brasil das obrigações em direitos humanos assumidas em âmbito internacional e dosprincípios constitucionais que regem sua política externa. Desde 2006, Conectas tem Status Consultivo junto ao ConselhoEconômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas.
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