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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Comunicação relacional e as mediaçõespossíveisno Jornalismo Colaborativo
Jorge Rocha
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Ana Maria Brambilla
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Resumo:
As mudanças no fazer jornalístico, sobretudo estimuladas pelas Novas Tecnologias deInformação e Comunicação (NTICs), evidenciam a necessidade de buscar a interlocução comuma audiência participativa, no sentido de potencializar a qualidade do trabalho informacional.Fundamentado em autores como Gilmor (2004), Neveu (2005), Benkler (2006) e Cardoso(2007), o presente artigo analisa e discute as possibilidades da mediação participativa emambientes digitais que utilizam – ou dizem utilizar – os princípios do Jornalismo Colaborativo, buscando compreender a evolução do papel do webjornalista na sociedade em rede.
Palavras-chave
: Jornalismo Colaborativo; Sociedade em rede; Espaços relacionais; Mediaçãocolaborativa.
1.
Comunicação relacional e mediações colaborativas
O ano de 2008 foi fortemente marcado pela crise econômica global, cuja escalaatingiu empresas de comunicação e provocou a descontinuidade de uma série deveículos, especialmente impressos. Fatos que seriam decorrência de problemasfinanceiros acabaram por acentuar uma revisão de processos no jornalismo, como aidentidade profissional uma discuso entabulada em fuão das práticascolaborativas no noticiário, que permitem a participação de qualquer cidadão na
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Mestre em Cognição e Linguagem pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), professor do Centro Universitário UNA. Coordenador e professor da pós-graduação em Produção em MídiasDigitais do IEC – PUC Minas. jorgerochaneto@gmail.com
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Mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS e professora da Faculdade de Comunicação Socialda PUCRS. anabrambilla@gmail.com e ana.brambilla@pucrs.br 
 
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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 produção de conteúdo jornalístico. No Brasil, a crise no jornalismo ganhou um capítuloà parte ao cenário internacional. No dia 17 de junho, o Superior Tribunal Federal (STF)decidiu pela extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.Agora, reunindo motivações econômicas, editoriais e legais, faz-se necessário oaprofundamento da pesquisa que enfoque as mudanças nos papéis desempenhados pelos jornalistas ao longo do processo evolutivo da comunicação, conforme observam autorescomo Gilmor (2004), Neveu (2005), Benkler (2006) e Cardoso (2007).Essas mudanças evolutivas, em termos de mediações colaborativas, sãonotadamente mais percebidas em ambientes digitais, foco deste artigo. Uma das principais evoluções percebidas diz respeito à necessidade de compreender os processosde interlocução com a audiência participativa. Em trabalhos anteriores, Rocha (2007,2009) definiu categorias de análise relativas às condutas do webjornalista
3
, classificando-o como cartógrafo da informação
4
, desenvolvendo seus conceitos emanálises teóricas e práticas. Para o presente trabalho, iremos nos concentrar nascaracterísticas relativas ao espaço relacional. Esta categoria de análise diz respeito a um princípio conversacional, primando pela interação entre webjornalista e público leitor,relacionando-se em ambiente digital pertencente à sociedade em rede. Cardoso (2007)reforça que esta sociedade em rede compreende
“uma mudança na sua forma de organização social, possibilitada pelosurgimento das tecnologias de informação num período de coincidênciatemporal com uma necessidade de mudanças econômica (a globalização dastrocas e movimentos financeiros) e social (a procura da afirmação dasliberdades e valores de escolha individual e iniciada com os movimentosestudantis de maio de 68). (…) Nessa sociedade em rede, a autonomia dasescolhas de decisão está diretamente ligada à nossa capacidade de interaçãocom a mídia” (CARDOSO, 2007, p. 28)
.
 
3
As categorias são estratégias cognitivas de publicação, competência discursiva, processos de co-enunciação, elementos de organização de significados, atividades em espaços relacionais e configuraçãode espaço público relacional.
4
O conceito de cartógrafo da informação diz respeito a um passo evolutivo nos processos de mediação,constituindo o webjornalista como um agente interacional, não mais atuando como
 gatekeeper 
– mediação própria dos meios de comunicação de massa – ou
 gatewatcher 
. Ver Rocha (2007; 2009).
 
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Cardoso (2007, p. 32) atribui ainda à esta interação algo que classifica como
 poder da mediação
, que permite qualquer interagente “acessar o espaço simbólico produzido pelas tecnologias da mediação e, consequentemente, poder usá-las naconstrução de sua autonomia e individual e coletiva”. Recorrendo a Silverstone (1999b),Cardoso (2007, p. 32) pontua que este poder da mediação deve ser capaz de criar significados, além de “persuadir, prescrever e refoar; de guiar a reflexão ereflexividade; de focar e informar; de contar e articular memórias; de apresentar,revelar, explicar; de dar acesso e participação; de ouvir, falar e ser ouvido”. É estanatureza da participação da audiência no processo comunicacional que nos interessa no presente artigo. Sobre este aspecto de pensar novas configurações que compreendam a participação do público na construção informacional, Araújo
et al 
(2009) recordam queos questionamentos sobre a passividade da audiência e as possibilidades de participaçãona verdade são preocupações constantes nos estudos da comunicação. Os autores traçam pontos de contato entre o papel dos líderes de opinião nas teorias do
two step flow
, deKatz e Lazarsfeld (1955), as audiências ativas, de Raymond Bauer (1964) – teoria queoriginou outras, como o uso e gratificões, de Blumler e Katz (1973), e
encoding/decoding 
, de Hall (1973) – e outros modelos baseados na teoria da recepção, para citar apenas alguns, frisando a existência de níveis de participação.Assim, podemos perceber que pensar em interlocução com a audiência na produção informacional requer uma necessária reconfiguração nos processos demediação, caso realmente encaremos a colaboração como um fator essencial para asociedade em rede. Corroborando a ideia de uma mediação jornalística colaborativa, podemos citar Benkler (2006, p. 60, tradução nossa), que considera que um ecossistemade redes torna possível um modelo organizacional de produção diferente: “radicalmentedescentralizado, colaborativo e não-proprietário; baseado no compartilhamento derecursos e produção distribuídos em larga escala, entre indivíduos conectados de modosindefinidos que cooperam entre si sem esperar por aprovação do mercado ou ordensgerenciais”
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. Gilmor (2004) já transpunha, "sem prejuizos" ao jornalismo, a concepçãode Benkler sobre modos abertos de produção. Para o autor (2004, p. 35), "nas técnicas
5
As citações de Benkler (2006), assim como as de Deuze, Bruns e Neuberger (2007) e Niles (2009),foram traduzidas pelos autores deste artigo.
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