SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Cardoso (2007, p. 32) atribui ainda à esta interação algo que classifica como
poder da mediação
, que permite qualquer interagente “acessar o espaço simbólico produzido pelas tecnologias da mediação e, consequentemente, poder usá-las naconstrução de sua autonomia e individual e coletiva”. Recorrendo a Silverstone (1999b),Cardoso (2007, p. 32) pontua que este poder da mediação deve ser capaz de criar significados, além de “persuadir, prescrever e reforçar; de guiar a reflexão ereflexividade; de focar e informar; de contar e articular memórias; de apresentar,revelar, explicar; de dar acesso e participação; de ouvir, falar e ser ouvido”. É estanatureza da participação da audiência no processo comunicacional que nos interessa no presente artigo. Sobre este aspecto de pensar novas configurações que compreendam a participação do público na construção informacional, Araújo
et al
(2009) recordam queos questionamentos sobre a passividade da audiência e as possibilidades de participaçãona verdade são preocupações constantes nos estudos da comunicação. Os autores traçam pontos de contato entre o papel dos líderes de opinião nas teorias do
two step flow
, deKatz e Lazarsfeld (1955), as audiências ativas, de Raymond Bauer (1964) – teoria queoriginou outras, como o uso e gratificações, de Blumler e Katz (1973), e
encoding/decoding
, de Hall (1973) – e outros modelos baseados na teoria da recepção, para citar apenas alguns, frisando a existência de níveis de participação.Assim, podemos perceber que pensar em interlocução com a audiência na produção informacional requer uma necessária reconfiguração nos processos demediação, caso realmente encaremos a colaboração como um fator essencial para asociedade em rede. Corroborando a ideia de uma mediação jornalística colaborativa, podemos citar Benkler (2006, p. 60, tradução nossa), que considera que um ecossistemade redes torna possível um modelo organizacional de produção diferente: “radicalmentedescentralizado, colaborativo e não-proprietário; baseado no compartilhamento derecursos e produção distribuídos em larga escala, entre indivíduos conectados de modosindefinidos que cooperam entre si sem esperar por aprovação do mercado ou ordensgerenciais”
. Gilmor (2004) já transpunha, "sem prejuizos" ao jornalismo, a concepçãode Benkler sobre modos abertos de produção. Para o autor (2004, p. 35), "nas técnicas
5
As citações de Benkler (2006), assim como as de Deuze, Bruns e Neuberger (2007) e Niles (2009),foram traduzidas pelos autores deste artigo.
Leave a Comment