MEIO AMBIENTE
Você sabe aonde vai o seu esgoto?
Emissários submarinos levam para longe dejetos produzidos nas cidades. Mas solução é contestada
Quatro
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Florianópolis, novembro de 2009
Alex Sobral
Quando prontas,tubulações devemdespejar até 330litros por segundode dejetos no mar
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A Casan dicultou ao má
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ximo a comunicação coma única pessoa que tinhaos dados do projeto deconstrução do emissário, o geren
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te de construções.
Bastidores em http://migre.me/bg9s
E
m Santa Catarina,apenas 9,95% dapopulação possuitratamento de esgo-to, segundo a Asso-ciação de Engenharia Sanitária eAmbiental (Abes). A situação é tãograve que o estado apresenta o se-gundo pior índice em cobertura desaneamento do país, à frente ape-nas do Piauí. Em Florianópolis,segundo a Companhia Catarinensede Águas e Saneamento (Casan),só 58% da população recebe aten-dimento do sistema de coleta e tra-tamento de esgoto. O restante dosdejetos vai parar nos mananciais ediretamente no mar, sem nenhumtratamento. Para resolver esta si-tuação, a Casan pretende construirdois emissários submarinos, um nonorte da Ilha, na praia dos Ingle-ses, e outro na porção sul, entre aspraias do Campeche e Joaquina.Emissários são sistemas de tu-bulações construídos para levaraté o fundo do mar o esgoto de-pois de passar por uma estaçãode tratamento. No Brasil, existemcerca de 20 emissários, dos quaisdois estão em Florianópolis. Oprimeiro, localizado na cabeceirada Ponte Pedro Ivo, foi constru-ído em 1997, tem 600 metros deextensão e despeja 230 litros deesgoto por segundo na Baía Sul.O segundo emissário submarino,inaugurado há dois anos no bair-ro do Saco Grande, tem 800 me-tros de comprimento e descarregacem litros por segundo de esgotona Baía Norte. Ambos emissáriosdão tratamento primário aos de- jetos, que é a retirada apenas doscomponentes só-lidos. A propostade construção des-ses sistemas temcausado polêmicaentre associaçõesde moradores eambientalistas, e já sofreu algu-
mas modicações
desde agosto des-te ano, quando os planos foramanunciados pelo presidente da Ca-san, Walmor de Luca.O projeto inicial era construir12 pequenos emissários submari-nos em toda a Ilha de Santa Catari-na, que teriam tratamento primárioe despejariam os dejetos tratadosno mar. No sul da Ilha, a propos-ta previa que a Estação de Trata-mento de Esgoto (ETE), que estásendo construída no Campeche,despejasse o resultado do proces-samento no Rio Tavares, que desá-gua na Baía Sul. Essa ideia revol-tou os moradores, maricultores elideranças comunitárias, que viamo projeto como prejudicial ao meioambiente e à produção econômicade mariscos e frutos do mar. Algu-mas comunidades da região, comoRibeirão da Ilha e Pântano do Sul,que preservam os típicos costumesaçorianos, têmsuas economiasbaseadas napesca e no arte-sanato.Após muitapressão e os re-sultados de es-tudos ambien-tais feitos pelaUniversidadedo Vale do Itajaí (Univali), o pro- jeto foi alterado. Pesquisas reve-laram que o mar tem maior poderde autodepuração que as baías, ecom um número menor de emis-sários o controle ambiental teria
mais eciência, com maior sca
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lização sobre a disposição nal do
esgoto. Além de um custo menor.Agora, serão construídos apenasdois emissários submarinos, cadaum deles ligados a um sistema deesgoto.Conforme os planos, o primei-ro sistema começará em SantoAntonio de Lisboa, passará pelosbairros João Paulo, Saco Grande,Centro, Ribeirão da Ilha e levará omaterial bruto até a Estação de Tra-tamento de Esgoto do Campeche, àsmargens da rodovia SC 405. Antesde ser despejado pelo emissário a 4quilômetros e meio da praia, o es-goto receberá tratamento secundá-rio, que extrairá maior quantidadede coliformes fecais da água atravésde um reator anaeróbico, seguido
de um ltro biológico e desinfecção
por ultravioleta. Com esse novotratamento, o custo total aumentoupara R$40,7 milhões, recursos vin-dos do Programa de Aceleração doCrescimento (PAC).Em julho deste ano, mais sur-presas na obra do Campeche. Aprocuradora da República, AnaLúcia Hartmann, mandou parali-sar a construção alegando que aestação está apenas a 500 metrosda Reserva Extrativista Marinhado Pirajubaé, área de preservaçãopermanente. A Casan recorreu àJustiça Federal, que decidiu a seufavor: a construção estaria apenasno entorno da reserva. Hoje, a obraestá 30% concluída e a Casan pre-para o Relatório de Impacto Am-biental (Rima) para apresentar àFundação do Meio Ambiente deSanta Catarina (FATMA).O emissário de esgoto donorte da Ilha deve sair de Ju-rerê, passando por Canasviei-ras até o bairro dos Ingleses,onde está a estação de trata-mento, já construída desdemarço de 2008. Após rece-ber tratamento secundário, oesgoto será lançado então atrês quilômetros e meio dapraia, através da tubulação.Hoje, os dejetos são despe- jados no que ainda resta doRio Capivari, e o emissário
beneciará, inicialmente,
90 mil pessoas, evitando queesse esgoto chegue ao rio.Para que o projeto saiado papel é necessário que aCasan consiga os recursos.Atualmente, só está garantidaa verba para a construção dosistema no sul da Ilha, e a es-timativa é de que sejam gastosR$5 milhões. Falta ainda quea FATMA aprove o relatóriode impacto ambiental que, noinício de novembro, foi apre-sentado pela segunda vez paraanálise dos técnicos do órgão.Discute-se também se osemissários são a melhor solu-ção para Florianópolis, já quedespejarão até 330 litros deesgoto por segundo no mar.Especialistas temem pelosdanos ambientais causadospelo tratamento dado aos dejetos.“O esgoto já causou problemas emvários lugares do mundo. É cíni-co defender o tratamento primário
para um emissário”, arma o jorna
-lista norte-americano, Jeffrey Hoff,que reside na capital e faz parte doMovimento Urbano de Saneamen-to Básico. O presidente da Casan,Walmor de Luca, chegou a defen-der o tratamento primário para oesgoto, mas a Fundação do MeioAmbiente exigiu que fosse feitatambém a segunda etapa do pro-cessamento.O melhor exemplo de trata-mento, segundo Hoff, vem da ci-dade de Los Angeles, nos EstadosUnidos, onde o esgoto recebe tra-
tamento terciário tão eciente que,
em vez de ir para o mar é jogadodiretamente no lençol freático paraque volte a ser consumido. Para abiogeoquímica marinha, Alessan-dra Larissa Fonseca, o tratamentoprimário causa alterações quími-cas, biológicas e físicas onde édespejado, causando a chamada“zona morta”. “Na Baixada San-tista, coletamos amostra da águade mais de 200 quilômetros dacosta do estado de São Paulo, eencontramos uma diferença muitogrande no número de vida marinhaem relação a áreas sem emissário.Algumas espécies são diretamenteafetadas pela mudança no habitat,as tainhas já não entram na baía”.Além do questionamento so-bre os impactos ambientais, hádiscussão sobre a necessidade doemissário. O jornalista JeffreyHoff acha que a Casan está indona contramão da história ao inves-tir em emissários submarinos. “AFlórida, nos Estados Unidos, apro-vou lei que desativa os emissários,Nova Iorque também. A questão éque temos opções técnicas que nãoestão sendo usadas”. O gerente deconstruções da Casan, Fábio Krie-
ger, arma que os emissários fo
-ram a única saída. “O lançamentodo esgoto na baía seria a outra op-
ção, mas na Ilha os euentes não
podem ser lançados nos rios”.O tratamento que envolve o esgoto de um emissário submarinoé longo e quando é despejado no mar já perdeu mais de 90% dasujeira. Na Estação ocorre a primeira etapa: o esgoto passa porgrades que retêm garrafas, pedaços de madeira e objetos grandes.
Depois, um conjunto de peneiras remove resíduos nos e só pas
-sam coisas menores que 1,5 milímetro. Por último, caixas de areia
ltram substâncias como óleos e graxas.
O material em tratamento ainda recebe aplicações de cloro, queeliminam até 99% dos coliformes fecais, altamente prejudiciais àsaúde humana.Através da tubulação do emissário submarino, o esgoto tratado
segue por baixo da terra até chegar à praia. Os tubos são xados
no fundo do oceano e se estendem por quilômetros em direção aoalto mar. Alguns emissários são parcialmente aterrados e servemcomo área de lazer. Os emissários têm comprimentos variados. NaFlórida, por exemplo, ele segue por sete quilômetros mar adentro,
enquanto o emissário que ca ao lado da Ponte Pedro Ivo, na Baía
Sul, tem apenas 600 metros.
Do banheiro ao mar aberto
A r t e Q u a t r o
Extensão: 3,5 Km
Custo: Indenido
População atendida: 90 milSituação: Em março de 2008,foram concluídos a ETE e4 Km do emissário.Foi entregue em outubro oestudo de impacto ambientalcom as alterações exigidaspela FATMA. Está marcadauma audiência pública para 18de dezembro. Falta licitação,conseguir os recursos de obrae obter aprovação do relatóriode impacto ambientalExtensão: 4,8 KmCusto: R$40,7 milhõesPopulação atendida: 25 milSituação: Embora os recursospara a contrução do sistema já estejam garantidos atravésdo PAC, ainda falta a Casanentregar o relatório de impactoambiental para ser analisadopelo FATMA. Já começou aconstrução da ETE do Cam-peche, depois de paralisadaem julho por falta de licençaambiental.
Norte da ilhaSul da ilha
Novos sistemas de esgoto
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