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Hugo de São Vitor - Opúsculo Sobre o Modo de Aprender e de m

Hugo de São Vitor - Opúsculo Sobre o Modo de Aprender e de m

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07/03/2014

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Hugo de S. Vitor
OPÚSCULO SOBRE O MODO DEAPRENDER E DE MEDITAR 
 A humildade é necessária ao que deseja aprender.
A humildade é o princípio do aprendizado, e sobre ela, muita coisa tendo sidoescrita, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante.A primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura.A segunda é que não se envergonhe de aprender de ninguém.A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não despreze aos demais. Muitos se enganaram por quererem parecer sábios antes do tempo, pois comisto envergonharamse de aprender dos demais o que ignoravam. !u, porém meu "ilho,aprende de todos de boa vontade aquilo que desconheces. #erás mais sábio do que todos, sequiseres aprender de todos. $enhuma ciência, portanto, tenhas como vil, porque todaciência é boa. $enhuma %scritura, ou pelo menos, nenhuma &ei desprezes, se estiver 'disposição. #e nada lucrares, também nada terás perdido. (iz, de "ato, o Ap)stolo*
"Omnialegentes, quae bona sunt tenentes"
 + !ess -, /0. 1 bom estudante deve ser humilde e manso, inteiramente alheio aos cuidados domundo e 's tentaç2es dos prazeres, e solícito em aprender de boa vontade de todos. $unca presuma de sua ciência3 não queira parecer douto, mas sêlo3 busque os ditos dos sábios, e procure ardentemente ter sempre os seus vultos diante dos olhos da mente, como umespelho.
Três coisas necessárias ao estudante.
!rês coisas são necessárias ao estudante* a natureza, o e4ercício e a disciplina. $a natureza, que "acilmente perceba o que "oi ouvido e "irmemente retenha o percebido. $o e4ercício, que cultive o senso natural pelo trabalho e diligência. $a disciplina, que vivendo louvavelmente, componha os costumes com aciência.
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 Prime pelo engenho e pela memória.
1s que se dedicam ao estudo devem primar simult5neamente pelo engenho e pela mem)ria, ambos os quais em todo estudo estão de tal modo unidos entre si que,"altando um, o outro não podeconduzir ninguém ' per"eão, assim como de nadaaproveitam os lucros onde "altam os vigilantes, e em vão se "orti"icam os tesouros quandonão se tem o que neles guardar.1 engenho é um certo vigor naturalmente e4istente na alma, importante em simesmo.A mem)ria é a "irmíssima percepção das coisas, das palavras, das sentenças edos signi"icados por parte da alma ou da mente.1 que o engenho encontra, a mem)ria custodia.1 engenho provém da natureza, é au4iliado pelo uso, é embotado pelo trabalhoimoderado e aguçado pelo e4ercício moderado.A mem)ria é principalmente a6udada e "orti"icada pelo e4ercício de reter e demeditar assiduamente.
 A leitura e a medita!o.
(uas coisas há que e4ercitam o engenho* a leitura e a meditação. $a leitura, mediante regras e preceitos, somos instruídos pelas coisas que estãoescritas. A leitura é também uma investigação do sentido por uma alma disciplinada.7á três gêneros de leitura* a do docente, a do discípulo e a do que e4amina por si mesmo. (izemos, de "ato*
"eio o li#ro para o disc$pulo"
,
"leio o li#ro pelo mestre"
, ousimplesmente
"leio o li#ro"
.
 A medita!o.
A meditação é uma cogitão "requente com conselho, que investiga prudentemente a causa e a origem, o modo e a utilidade de cada coisa.A meditação toma o seu princípio da leitura, todavia não se realiza por nenhumadas regras ou dos preceitos da leitura. $a meditação, de "ato, nos deleitamos discorrendocomo que por um espaço aberto, no qual dirigimos a vista para a verdade a ser contemplada,
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admirando ora esta, ora aquelas causas das coisas, ora também penetrando no que nelas háde pro"undo, nada dei4ando de duvidoso ou de obscuro.1 princípio da doutrina, portanto, está na leitura3 a sua consumação, nameditação.8uem aprender a amála com "amiliaridade e a ela se dedicar "requentementetornará a vida imensamente agradável e terá na tribulação a maior das consolaç2es. Ameditação é o que mais do que todas as coisas segrega a alma do estrépito dos atosterrenos3 pela doçura de sua tranquilidade 6á nesta vida nos o"erece de algum modo umgosto antecipado da eterna3 "azendonos buscar e inteligir, pelas coisas que "oram "eitas,'quele que as "ez, ensina a alma pela ciência e a apro"unda na alegria, "azendo com que nelaencontre o maior dos deleites.
Três gêneros de medita!o.
!rês são os gêneros de meditação. 1 primeiro consiste no e4ame dos costumes,o segundo na indagação dos mandamentos, o terceiro na investigação das obras divinas. $os costumes a meditação e4amina os vícios e as virtudes. $os mandamentosdivinos, os que preceituam, os que prometem, os que ameaçam. $as obras de (eus, as em que %le cria pela potência, as em que modera pelasabedoria, as em que coopera pela graça, as quais todas tanto mais alguém conhecerá oquanto se6am dignas de admiração quanto mais atentamente tiver se habituado em meditar asmaravilhas de (eus.
 %o con&iar ' memória aquilo que aprendemos.
A mem)ria custodia, recolhendoas, as coisas que o engenho investiga eencontra.mporta que as coisas que dividimos ao aprender as recolhamos con"iandoas 'mem)ria* recolher é reduzir a uma certa breve e suscinta suma as coisas das quais maise4tensamente se escreveu ou se disputou, o que "oi chamado pelos antigos de epílogo, istoé, uma breve recapitulação do que "oi dito.A mem)ria do homem se regozi6a na brevidade, e se se divide em muitas coisas,tornase menor em cada uma delas.(evemos, portanto, em todo estudo ou doutrina recolher algo certo e breve, queguardemos na arca da mem)ria, de onde posteriormente, sendo necessário, as possamosretirar. #erá também necessário revolvêlas "requentemente chamandoas, para que nãoenvelheçam pela longa interrupção, do ventre da mem)ria ao paladar.
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