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Entrevista
 
KARINA BARACHO
MAYARA AZEVEDO, RUAN MELO E CAMILA QUEIROZ
E
u queria mudar o mundo
oi fazendo faculdade de Administração deEmpresas em Brasília, que Karina Barachodescobriu sua paixão pelo Jornalismo. Se
F
mudou em 2004 para Salvador, concluiu ocurso de Comunicação Social com ênfase emJornalismo e desde então, trabalha como repórter noJornal Tribuna da Bahia na editoria local. Karina falasobre o sensacionalismo presente no seu jornal, adiferença de diagramação e diz considerar amudança visual do jornal muito válida já que o mesmoficou mais leve, mais colorido e mais agradável para oleitor.
 Você mesma sugere a sua pauta ou semprerecebe uma pauta para cobrir?
Normalmente a gente recebe a pauta. Chegamosaqui duas horas e nossa pauta já está pronta. Ela éfeita pela manhã, quem faz é a pauteira. Aí a genterecebe a pauta e faz. Raramente a gente sugerealguma pauta, não é o normal. A gente pode sugerir de vez em quando eu tenho umas ideias, mas não énormal. E as vezes as coisas acontecem, hoje por exemplo, ia ter uma passeata agora de tarde. Eu fuicobrir uma passeata e aí cheguei lá não teve. Aí eutive que procurar outra coisa dentro daquele mesmotema. Foi o caso dos meninos que morreram demenigite na Caixa D’água. Não teve a passeata, daí agente foi atrás da escola que tava distribuindomedicação pra fazer matéria em cima disso, focandooutra coisa.
Quais os critérios que você usa para cobrir umadeterminada matéria?
Sempre o diferente. A gente tem que ter o felling e asensibilidade de pegar algo que chama mais atençãonas pessoas. Por exemplo, hoje a gente teve quefazer sobre os medicamentos, mas as pessoas nãoqueriam os medicamentos e sim a vacina. Então agente focou muito na questão de não ter vacina eque se você quiser vacinar, tem que ser em hospital p
 Veja
| 24 de novembro,2009
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Nascida em Itabuna a jornalista Karina Baracho, hoje repórter da editora localdo jornal Tribuna da Bahia, fala sobre sua rotina na redação, questões éticas,problemas do dia-a-dia e dos critérios que utiliza ao cobrir uma pauta.
particular. Ter que fazer um destaque. Se você colocar aquele feijão com arroz todo o dia, não anda. E outracoisa, seu material é o lead. Se você fizer um leadlegal, a pessoa lê o resto da matéria. Você tem queencantá-la.
Qual o tipo de pauta mais difícil de cobrir?
Enterro. É quando as pessoas estão muito tristes,abaladas com alguma situação, geralmente a mortede um ente querido. Porque você tem que chegar prafalar com as pessoas e elas estão tristes e comovidas.É difícil. Nessa situação não é interessante vocêchegar para um pai, para um filho e entrevistar. Émuito complicado. Eu não suporto fazer.
Qual foi o maior impacto que você teve ao sair domundo “teórico” da faculdade e passar pra rotinada redação?
Saber que eu não ia mudar o mundo. Quando eu saífaculdade eu queria mudar o mundo. Pensava que iriapoder escrever o que queria e o que realmente estáacontecendo. Em qualquer veículo de comunicação agente vê que não é assim porque existe o interesse dopróprio veiculo e o das pessoas que anunciam nosveículos. Não só é aqui, mas em qualquer jornalimpresso de salvador, nas TVs etc. A gente tem quesaber se podar, se moldar e aprender a escrever nasentrelinhas se quer que uma determinada informaçãosaia. O maior impacto que a gente tem é que nãopodemos mudar o mundo. Eu comecei a estagiar aquiantes de terminar a faculdade. Foi bom e foicomplicado, porque quando eu via na faculdade aprofessora falando aquelas coisas mirabolantes sobreo dia-a-dia na redação, eu sabia que não era nadaaquilo. A realidade era outra.
O que deve ser notícia no jornal?
Tudo é notícia. Tudo tem gente que quer saber. Agoraa gente tem que verificar por exemplo, sair um poucodo sensacionalismo...até aqui mesmo no jornal, temos
 
Você temque capturar oleitor.
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outros, para filmar, vender pra TV,fotografar, vender pra jornalimpresso. Eu acho que esse tipode jornalismo não dura muitoporque é uma coisa que cansa,que desgasta, além de ser umacoisa horrível. É uma coisa feia.Você abrir um jornal e ver umamatéria extremamentesensacionalista. Eu não gosto.Conheço os outros meninos quefazem os programas desse tipomas, eu não assisto. Se você meperguntar o horário que passa, eunão sei.
Como você lida com a questãoética? Você já passou por alguma situação em que alguémlhe deu uma informação em “off “e você não pode publicar?
 Ás vezes quando a gente recebe ainformação em “off”, a gentepublica mas não tem o nome dafonte. Quando eu fazia Polícia eurecebia muita informação assim, enão publicava. Inclusive uma vez,eu entreguei um cara que estavasendo procurado, ai o pai dessecara veio aqui, fazendo eacontecendo, liguei pra minhafonte, ele passou todo o históricodo cara, etc. Ai ele disse que iaentrar com uma ação, mas tudotava na minha mão. Polícia écomplicado (risos)
Atualmente, um dos assuntosmais discutidos pelosprofessores na faculdade ésobre o jornalismo on-line. Você acredita que a internetpoderá acabar com o jornalismo impresso?
 Ainda não. Na minha época falavam sobre o fim do jornalismoimpresso e ele não acabou. Eusempre quis trabalhar no jornalismo impresso. Eu acreditoque tem o seu espaço, o onlinetambém. Eles podem coexistir.Eles têm suas formas distintas deabordar a notícia. Na TV nãosaem tanto os detalhes que saemno impresso ou em um site. Agente do impresso tem queenxugar a notícia, mas de umaforma que tenha mais detalhes.
Como é que você lida quando o jornal te delimita um espaçopara a sua matéria?
Quando a gente sabe que temque escrever aquilo é mais fácilporque você mesmo faz a suaseleção e coloca só o que éimportante. Hoje mesmo, minhamatéria ficou com duas fontes defora porque já tava grandedemais. Com o tempo você vaiaprendendo, articulando aspalavras. Uma frase que é grandevocê reescreve de outra formasem reduzir o impacto que elacausaria. Quando a gente nãosabe a quantidade de linhas écomplicado porque às vezesescrevemos uma grande matériae ela é cortada. Mas tem vezesque você termina de fazer amatéria e o editor pede pra vocêreduzir. É um problema porquevocê já está com tudo pronto etem que mudar muitas coisas ourefazer. Mas é pior quando elesmesmos cortam. Quando vocêabre o jornal e tá lá sua matériadecepada. A gente semprepergunta quantas linhas e elesdão mais ou menos uma média. Eque sair um pouco disso. A gentetenta ao máximo fazer isso, mastudo é notícia. Tudo a galeraquer saber, e tem que saber mesmo.
Como vocês lidam com aconcorrência?
Local é muito tranqüila. Não temmuito disso. Agora no de Polícia,tem. A gente se dá muito bemné? O pessoal dos outrosveículos, a gente se conhece, sefala na rua mas em questão defuro, ninguém passa para ooutro. Se eu sei de uma coisa...agente fala de Polícia porque ascoisas são muito imediatas. Seeu soube de uma morte que teveem tal lugar, e se eu perceber que a coisa é “pesada” eu nãoaviso para os meus colegas enem eles me avisariam setivessem. A gente pode seencontrar, mas não avisa não.
Como é seu relacionamentocom seus colegas naredação?
É tranqüilo, ótimo. Aqui naTRIBUNA, tem um diferencialentre os outros dois jornaisbaianos, por ser um jornalmenor, então a gente se dámuito bem. Os outros são umpouco maiores, as pessoas têmo ego muito elevado. Eu gostomuito daqui.
 Você acredita que paraconquistar um leitor, um jornal tenha que usar dosensacionalismo?
Não, muito pelo contrário. Osensacionalismo não prende amaioria dos leitores. Quer dizer,prende, mas não é a maioria.Também eu acho que aspessoas que são atraídas pelosensacionalismo são menosseletivas. Elas estão muitopreocupadas na desgraça dos
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| 24 de novembro,2009
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KARINA BARACHO

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