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REVISTA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA V. 17, Nº 34 : 63-83 OUT. 2009
A
Policy Analysis
caracteriza-se justamente por permitir a confluência dessas duas dimensões eseu tratamento concomitante com a dinâmica dasações estratégicas envolvidas em redes (FREY,2000; MARQUES, 2003, p. 18), sendo estasestruturadas com lastro em valores simbólicos queinterferem nos fins da articulação coletiva, nosfluxos materiais e imateriais e nos meiosrelacionais, utilizados com propósitos voltados aoalcance de objetivos conjuntos em dados contex-tos sociopolíticos.A abordagem das
redes de políticas
, por umlado, oferece bases teórico-conceituais que per-mitem a apreensão, com maior grau de objetivi-dade, de processos e estruturas na elaboração eexecução de políticas públicas, os quais ocorremem um ambiente político de crescente fluidezinstitucional. Por outro lado, passam a oferecer ferramental metodológico que permite apreender relações empiricamente observáveis e, a partir dis-so, representar agrupamentos (
clusters
), proces-sos de intercâmbio de recursos, fluxos de influ-ências, interdependências de metas e objetivos; e,finalmente, analisá-los sob as diferentes perspec-tivas dos atores envolvidos. Com isso, é possíveldefinir e analisar posicionamentos dos atores co-letivos ou individuais na respectiva estruturareticular, sendo esta estrutura constituída a partir da confluência de interesses condicionados por valores coletivos comuns e, pelo menos parcial-mente, conflitantes.Em termos metodológicos, sob a perspectivadas
redes de políticas
, em primeiro lugar, é identi-ficado o conteúdo a partir do qual se define o con-texto e o escopo em que os jogos políticos sãotravados e, subseqüentemente, é possível a apre-ensão de ações colaborativas relacionadas a pro-cessos interativos convergentes para determina-das assuntos ou interesses. Ao tratar processual-mente tais interações, como constitutivas do ci-clo das políticas, as
redes de políticas
podem ser vistas sob influências de conjuntos de regras for-mais e informais que governam as interações en-tre o Estado e os interesses organizados. Essasregras, nesse processo, podem ser qualificadascomo instituições por normalmente serem de na-tureza geral, basearem-se em práticas e significa-dos compartilhados, serem de conhecimento damaioria dos atores e por se estruturarem e estabi-lizarem-se em decorrência de repetitivas interaçõesem redes (MARCH & OLSEN, 1994, p. 250).Essas regras constituem-se em condicionantes queservem de diretrizes para o comportamento es-tratégico dos atores políticos, voltado ao delinea-mento e execução de ações formais e informaisdesses atores em determinada esfera ou setor da política.Considerando concomitantemente o conteúdomaterial que define o escopo de uma dada políticae seu âmbito institucional, que interfere na sualógica e dinâmica processual, torna-se possívelidentificar e analisar as configurações de redestemáticas, de maior ou menor grau de abertura. Aestrutura relacional típica das redes de políticas é passível de se revestir de identidade própria, fren-te a outras configurações, pela possibilidade da participação ser tendencialmente mais ampla eaberta. O fluxo de entrada e saída de atores, cadaum com seus diferentes pontos de vista sobre osresultados, tende a tornar as interações fluídas eformar uma ampla gama de centros instáveis detomada de decisão. Em contrapartida, há menoscontatos formalmente institucionalizados entregrupos e governos – portanto, menos regras for-mais a serem necessariamente seguidas. Logo,tendem a existir tentativas de imposição de pon-tos de vista e/ou negociações de compromissosno processo de tomada de decisão, uma vez que aunanimidade é raramente possível. Os canais decomunicação são caracterizados por os atores poderem expressar publicamente suas opiniões,sem, contudo, possuírem qualquer garantia de queserão seguidos pelos demais. Isso dependerá daforça de convencimento de seus argumentos e dacredibilidade e reputação institucional ou pessoalde cada ator. Nas
redes temáticas abertas
, a re-compensa dos atores reside na possibilidade deinfluenciarem os resultados da política.Diante de tais características é mais provávelque nessas redes a elaboração de políticas de ca-ráter público seja mais plural e com tendência amaiores possibilidades de conflitos. Aliado a isso,elas tendem a desenvolver-se geralmente em no-vas áreas em que inexiste um grupo dominante eonde não há instituições formalmente estabelecidasque possibilitem a exclusão de interessados(BLOM-HANSEN, 1997, p. 676; EVANS, 1998;KLIJN, 1999; ZURBRIGGEN, 2005). Nas novasarenas públicas interativas em surgimento, os ato-res buscam, portanto, interferir estratégica e arti-culadamente em diferentes dimensões da políticacom vistas a formular, defender e selecionar cur-
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